Os galos, a perdiz e a formiguinha atômica

Mais uma fábula atribuída a Esopo:

Um homem tinha em sua casa dois galos. Mais tarde, ele comprou uma perdiz doméstica e a levou para junto dos galos, a fim de alimentá-la. Os galos a atacavam e a perseguiam, o que levou a perdiz a pensar que isso acontecia por ser ela uma ave de espécie diferente, e por isso sentia-se humilhada. Contudo, algum tempo depois, ela viu que os galos viviam lutando entre si e que, cada vez que se separavam, estavam cobertos de sangue. Então a perdiz disse a si mesma:  “Já não me queixo que os galos me persigam, pois vejo que nem entre eles há paz”.

Moral da história: Quando se chega a uma comunidade (residencial ou religiosa) onde as pessoas não cultivam a paz, pode-se ter a certeza de que tampouco os seus membros nos deixarão viver em paz.

Infelizmente, tenho observado que na igreja evangélica é mais comum existirem rixas entre os membros (embora Jesus Cristo seja o Príncipe da Paz), do que nos condomínios fechados, onde quase ninguém conhece os vizinhos e, conseqüentemente, fica-se ilhado das diferenças que acontecem entre os mesmos.

Na igreja que eu freqüento costumo observar que poucos me conhecem, pois sento quieta no mesmo lugar, há 12 anos, não faço fofocas, não discuto política e quem quer falar comigo sempre vem me procurar. Assim evito confusão, pois sou contra o Dízimo e isso já é suficiente para me tornar incômoda ao pessoal da direção, embora sabendo que o pastor não é fanático por dinheiro.

Gosto das pregações bíblicas do pastor; gosto dos hinos clássicos cantados nos cultos da manhã, ao som do órgão e do piano; gosto dos concertos de violino realizados pelas crianças; enfim, gosto muito dessa igreja, que é uma das pouquíssimas onde ainda se cultua Deus com decência, sem barulho, sem evangelho espúrio, sem ganância por dinheiro.

Gosto de me vestir elegantemente para ir à igreja. Quando compro novas roupas e sapatos, sempre os inauguro na igreja; não por achar que eles fiquem abençoados por causa disso, mas porque estou me apresentando bonita para o meu grande Deus e Salvador Jesus Cristo, não apenas no interior, mas também exteriormente.

Tenho um amigo - teólogo bíblico e pesquisador de religião -  que me rotulou muito bem: ‘Você tem duas personalidades: Mary Bíblica e Mary Fútil”. Pior é que além dele ter razão, a Mary Fútil  tem predominado.

Tenho uma coleção de 20 colares (de cristal e pedras semi-preciosas, em várias cores); a mesma quantidade em pares de brincos e anéis, todos incrustados em prata de lei. Não são jóias valiosas, mas são lindas. Gosto de combinar as cores das roupas com as cores das jóias e ainda uso bolsa e sapatos combinando com a cor das roupas. Gosto da combinação nas cores. Como fabriquei, durante alguns anos, anilinas para sabões e cosméticos, tornei-me perita em cores e gosto de combinar tudo, fazendo do meu guarda-roupa um verdadeiro arco-íris.

Antigamente, minha filha alemã (Veterinária e desligada na maneira de vestir-se) me achava excessivamente vaidosa, mas hoje ela vem ao Brasil e compra suas roupas nas mesmas lojas onde as compro e não já me considera tão fútil. Isso porque, ao chegar à União Européia, as roupas compradas em Terê fazem o maior sucesso, pois as brasileiras  são muito mais chiques do que as mulheres do primeiro mundo.

A “filhona” me deu um apelido, pelo qual fiquei conhecida no colégio onde ela ensina Português - “formiguinha atômica”.  Um aluno seu (paraplégico) veio conhecer o Brasil e foi até a fazendinha dela, para visitar a professora teuto-brasileira, que estava aqui em fevereiro, desejando também conhecer a “formiguinha atômica”.  Gosto deste apelido, mas gosto mais ainda do que um dos meus filhos (paulista) me deu - Joana Batista - cujo significado os pentecapastors devem entender perfeitamente.

Que o Senhor me permita ser uma “formiguinha atômica” e também uma “Joana Batista” na pregação do evangelho do Seu Filho amado e, assim, estarei cumprindo a missão que Ele nos confiou, conforme Marcos 16:15-16: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”.

 

Mary Schultze, 12/03/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm