Os gatos e os ratos da nossa igreja
Um rato morador no campo era amigo de outro, que morava na cidade. O rato campestre convidou o rato urbano para ir comer junto com ele, no paiol onde se escondia. Como só pôde oferecer ao amigo: trigo e ervas, o rato da cidade lhe disse:
- Colega, estás vivendo como uma formiga! Enquanto isso, eu possuo bens em abundância. Vem comigo e terás uma vida bem mais farta, na cidade...
De comum acordo, partiram ambos para a cidade. Ali chegando, o rato urbano ofereceu ao amigo: trigo, legumes, figos secos, queijo, frutas e mel. Maravilhado com tantas iguarias, o rato campesino elogiou o amigo, de todo o coração, queixando-se de sua má sorte no campo. Aconteceu que, enquanto se divertiam, um homem abriu a porta e entrou na adega de sua cantina. Espantados pelo ruído, os dois ratos se lançaram temerosos para dentro de um buraco. Passado o susto, voltaram a buscar figos secos, porém outra pessoa entrou no lugar e, ao vê-la, os dois ratos se esconderam atrás de uma trave, tentando escapar da morte. Foi então que o rato campestre, tendo perdido o apetite, falou calmamente ao rato urbano:
- Adeus, meu amigo. Estou indo embora para a roça. Vejo que, aqui na cidade, comes essas iguarias, ficando sempre de estômago cheio. Contudo, isso é conseguido a um preço muito alto, pois encaras mil perigos, vivendo aos sobressaltos. Quanto a mim, não passo de um rato pobre, que vive mordiscando a cevada e o trigo, mas sem precisar fugir, pois o dono do paiol nunca aparece por lá.
Moral da história: Uma vida de luxo e vantagens [no contexto urbano atual, com tanta violência] pode acarretar perigos e sustos [além de uma bala perdida], que sempre aparecem, quando se deseja manter o status. Por outro lado, viver com um pouco de austeridade pode significar uma vida mais tranqüila e feliz...
Essa historia me foi entregue – há anos - em Inglês, como sendo uma fábula de Esopo. Realmente, aqui há uma grande lição, que tentei aprender e praticar:
Meu marido faleceu, em agosto de 1982. Depois de concluído o inventário, dividi o valor de tudo com as duas filhas. Continuei lutando por mais 12 anos (até julho de 1994), quando vendi a micro-empresa, que havia recebido por conta da minha metade [por 1/10 do valor real]. Doei uma boa parte do valor recebido a alguns empregados antigos, os quais haviam me ajudado a ganhar aquele dinheiro. Com o restante, comprei dois apartamentos pequenos (50 metros quadrados cada um) e vim morar nesta pequena cidade serrana. Hoje vivo de um aluguel e das pensões que recebo; e guardo um pouco para o futuro de minhas filhas e netos... Vivo com simplicidade, ao contrário do tempo em que, sendo empresária, com escritório na Avenida Copacabana, eu precisava andar em carro do ano e me vestir em lojas de grife. Hoje compro minhas blusinhas nas “butiques” da Rodoviária de Terê, quando gosto dos modelos (e ainda mais dos preços excelentes), em vez de comprá-las nas lojas chiques de Copacabana. Dedico meus dias ao serviço do Senhor Jesus Cristo e sou muito mais feliz agora do que no tempo em que freqüentava congressos internacionais, como assinante de uma linha de cosméticos. A simplicidade de minha vida atual é uma fonte de riqueza espiritual e mental, pois não preciso aparentar uma elegância obrigatória e, portanto, posso ser eu mesma.
Hoje na PIBT a pregação do pastor (embasada em Hebreus 12:1-2) foi excelente! No final do culto, ele contou, com voz tristonha, que estão sumindo alguns objetos da igreja, inclusive o mouse do seu computador (provavelmente nacional e de ótima qualidade), o qual foi trocado por um inferior (tipo Made in China). Tive vontade de gritar, na mesma hora: “Pastor, deve ter sido um gato que roubou o seu rato!”. Mas me contive, por dois motivos: primeiro, porque o nosso pastor é um “gato”, no bom sentido. Segundo, porque eu estava na igreja, onde mantenho sempre a maior discrição, ocupando o mesmo lugar há 12 anos, sem jamais ficar de conversa durante o culto... Posso ser uma “peste e promotora de sedições”, a “megera do teclado”, a “serpente do Éden”, conforme alguns papistas e pentecas me classificam, mas na Igreja eu me comporto como uma LADY. Pelo visto, temos um gato, que anda roubando os ratos na PIBT; nesse caso, precisamos, imediatamente, usar uma boa quantidade de hexaclorofeno espiritual, a fim de neutralizar esse tipo de pecado.
Nota: - Para quem não sabe, o hexaclorofeno, de nome científico 2,2-metileno bis-(3,4,6-triclorofenol), é um composto orgânico bactericida de fórmula molecular C13H6O2Cl6). Há 20 anos, adicionei uma pequena quantidade deste produto ao leite (numa espécie de eutanásia) e dei à minha cachorrinha Baker, a qual estava agonizando por causa de uma doença desconhecida. Mesmo chorando, resolvi apressar a sua partida para o “céu dos animais”, conforme dizem os novaerenses.
Mary Schultze, 17/02/2008.
Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados,
e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João
1:7)