Pastores abúlicos
O mundo evangélico engloba dois tipos de pastores:
1.- Os bons pastores, que pregam a Palavra de Deus por uma questão de fé no sacrifício vicário de Cristo e de amor às almas perdidas. Estes são a minoria.
2. - Os maus pastores, que pregam o falso evangelho em troca de fama, riqueza e poder e neste caso está englobada a maioria dos pregadores “avivados”, os mestres da fé e da prosperidade. A estes se aplicam os versos da 2 Timóteo 6:9-10: “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.
Maus pastores são também os que usam a psicologia em suas pregações, não atacando a verdade, não pregando apenas a mentira, mas sempre fugindo de assuntos como a cruz e o pecado. Esses são os pastores indecisos, que ficam em cima do muro, enganando cristãos, pois nunca se decidem entre a verdade e o erro. Eles nunca pregam a verdade para neutralizar o erro, nem pregam ostensivamente o erro, temendo ser criticados pelas ovelhas conhecedoras da verdade... Aguardando uma palavra sincera dos seus lábios estão milhares de almas perdidas, oscilando entre as alegrias do céu e as amarguras do inferno. Mas o pastor indeciso continua em cima do muro, temendo ofender os ouvintes, ancorado nas muletas de sua própria covardia.
Deus o chamou para pregar a verdade, denunciar o erro e explicar a Palavra de Deus; porém ele teme falar a verdade porque esta pode chocar algumas pessoas. Ele não quer perder o emprego fácil, bela sinecura, com um salário mensal garantido e o respeito que imagina ter entre os membros de sua igreja. Se ele pregar ostensivamente o erro, a verdade logo aparecerá e ele poderá perder o lugar no púlpito. A verdade anda de mansinho, mas sempre aparece quando o erro deixa suas pegadas sujas e infectas. Ele teme que algumas pessoas possam detectar o erro e a sinecura estará perdida...
O pastor indeciso vai pulando “amarelinha”, esperando que ninguém descubra sua covardia, pois a verdade e a mentira jamais andam de mãos dadas, embora a covardia ande sempre de braços dados com o erro. Às vezes ele acha que seja mais fácil pregar um pouco de erro, até chegar a uma decisão definitiva. Contudo, ele não consegue progredir na profissão e então descobre que não pode continuar parado, porque os ouvintes estão começando a cansar de sua abulia e isso pode causar-lhe problemas. Talvez seja tempo de criar coragem e pregar ostensivamente o erro! Sim, porque pregar a verdade é muito perigoso!
Ele já esgotou as baboseiras freudianas, com as quais vinha ganhando tempo... Acha que ele mesmo está precisando de um bom tratamento psicológico, pois já não consegue dormir bem, sente-se inseguro e sua frio, quando chega ao local de pregação. Ele se agarra ao púlpito, como se fosse aquele lugar sagrado de refúgio do Antigo Testamento, ao qual se agarravam os que estavam sendo perseguidos. Ele imagina estar se agarrando ao que simbolicamente seriam os chifres do altar. Ele sempre gostou de esquadrinhar as histórias do Velho Testamento, tentando espiritualizar a mensagem, oscilando entre o erro e a verdade. Apenas ele tem medo de explicar os erros dos personagens de Israel, para não se dar ao trabalho de fazer uma analogia com os erros gentílicos. Não convém falar sobre isso porque as pessoas podem não entender... As pessoas precisam de amor... Claro, as pessoas precisam de muito amor! “O amor cobre multidão de pecados”. Mas ele esquece uma coisa: “Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR fraudulosamente” (Jeremias 48:10).
Pastor infeliz... Pastor indeciso... Pastor abúlico... Ele não comanda a sua própria casa, não conhece o saldo bancário (o gerente cuida disso), não pesquisa os preços dos alimentos (a esposa cuida disso). Ele se comporta como a avestruz que enterra cabeça na areia (ele a enterra no jornal diário), com medo de enfrentar os perigos da vida. O Brasil é campeão em matéria de pastor abúlico, pasto indeciso, pastor que fica em cima do muro...
Senhor, salva a Tua igreja dos maus pastores - os gananciosos e os abúlicos! Eles são tantos que daqui a pouco teremos a mesma porcentagem de deuses do Hinduísmo para os hinduístas, ou seja: 330 milhões de maus pastores para 1 bilhão de ovelhas morrendo de inanição!
Mary Schultze, 07/08/07.
Inspirado no poema “A Preacher on the Fence”, de autor desconhecido.