As peruas do casamento
Ontem (16/07/05) aconteceu o casamento do Mário Sérgio (32) com a Mariane (21). Mário é formado em Comunicação, foi locutor da Rádio Teresópolis e da Rádio Aleluia (RJ), por muitos anos, é um jornalista conceituado na cidade, é bonito, inteligente, culto (fala 4 idiomas e é erudito em Bíblia); portanto, a cidade inteira o conhece e admira e todos os Vips teresopolitanos compareceram ao culto. Mariane é jovem, pertence a uma família de empresários no ramo de hortigranjeiros, uma garota muito preciosa pela sua capacidade de trabalho e pela meiguice. Mário e Mariane formam um casal encantador e a família lhes proporcionou um casamento cinematográfico.
Havia muitos pares de padrinhos para cada noivo e fui uma das “vítimas”. A igreja estava toda enfeitada e até as cadeiras foram vestidas de branco, muitas flores na decoração e uma passadeira vermelha, o que iria agradar até o Luciano Pavarotti, o qual sempre exige passadeiras vermelhas, quando desembarca do avião, em qualquer cidade...
A noiva usava um modelo branco bordado com “pérolas” e “diamantes” e as damas estavam à mesma altura, com vestidos de cetim cravejados de pedrarias.
Agora vamos falar das peruas. A mãe da noiva usava um modelo roxo batata, cravejado de pedrarias, mas poucas jóias. A mãe do noivo estava discretamente vestida de azul turquesa e os homens (pais é padrinhos) usavam terno preto, gravata e lenço prateados.
As peruas-madrinhas esnobavam modelitos (alguns deles espalhafatosos) e houve uma que estava vestida com um modelo rosa choque, cravejado de pedrarias brancas e vermelhas e... pasmem - uma estola branca, a qual, se não me engano, era uma legítima raposa. As peruas eram tantas e o brilho era tanto que fiquei com os olhos mais ressecados do que eles ficam após 6 horas seguidas diante do computador... E dor de cabeça, incômodo raro em mim!
As peruas mais discretas foram: Silvana (esposa do Pr. Paulo), que usava um modelo marrom claro, com algumas aplicações de pedras da mesma cor, um colar dourado bem discreto, e maquilagem do dia a dia. Mesmo assim, era a mais bela da festa. A segunda mais discreta era Marina, com um modelo de veludo vinho, poucas jóias e muita insegurança, rivalizando comigo nesse ponto. Finalmente eu, com uma saia longa de crepe preto, uma blusa de malha de lã cinza escuro, com golas e punhos de pêlos sintéticos, em cinza e preto, combinando com a saia (um modelito alemão usado na ópera de Chemnitz), sapatos e bolsa de cetim. Esnobei mesmo foi nas jóias: 3 fios de pérolas de Mayorca (comprados em Madri), brincos de pérolas legítimas em ouro branco, 3 anéis e uma meia aliança de ouro branco e brilhantes... nada mais! (Não alugados, como certas peruas fizeram).
Detesto me aprontar para ser vista e estive deprimida por vários dias, em razão desse casamento. Combinei com o meu par (um jovem com idade de ser meu neto) para sermos os últimos da fila, vindo logo depois do Pr. Paulo e da Silvânia, achando que iríamos ficar ao fundo do palco e ninguém iria nos enxergar, principalmente o câmera, que estava filmando tudo. Ledo engano, pois acabamos ficando na primeira fila, bem à vista da curiosa platéia, a qual examinava os noivos e os padrinhos, com olhos ávidos de comentários para o dia seguinte.
A cerimônia foi linda! Havia três pastores oficializando-a, inclusive o Pr. Paulo. O sermão (do pastor da PIBT) foi muito comovente, apenas com um senão: foi lido, coisa que ele não costuma fazer.
Depois da cerimônia, uma lauta ceia, por conta do tio da noiva (empresário no ramo de alimentos), foi oferecida no Clube Ingá ... Só que preferi vir para casa, pois não gosto de festas, principalmente quando há muita comida. Entrei em casa, tirei as roupas de festa, tomei uma caneca de chocolate quente, ouvi minha hora de Bíblia na voz do Cid Moreira e dormi como um anjo, agora sem a preocupação de me apresentar engalanada para ser vista por tanta gente, que lotava a igreja e as dependências externas da mesma.
Que os noivos sejam muitos felizes, por longos anos, e que eu nunca mais seja convidada para ser madrinha de casamento algum, pois fiquei realmente exausta! Quem vai adorar esta fofoca é Margarete, a filha alemã, que foi ao casamento de minha neta Lu (esta usando um autêntico modelo parisiense), no Fórum de Chemnitz, usando uma calça jeans e tendo até me aconselhado a fazer o mesmo, aqui em Terê.
Mary Schultze.julho 2005