POEMA EM LATIM

 

Quando escrevo e envio um texto (em prosa ou verso)  aos meus amados e amadas, via Internet, costumo receber (dos que realmente os lêem) uma crítica positiva ou negativa. Quando a crítica é negativa, observo que há uma tremenda sinceridade na pessoa que me escreve, certa de que esta me respeita e deseja que eu melhore no desempenho de cronista paleontológica... E quando é positiva, como as críticas do PP, PAC, Mil, Tônio,  Dudinho, Magno, Canto, Sátiro, Ezequiel, Ricardo e tantos outros, eu me sinto rejuvenescida, porque vejo que fui valorizada em minhas reivindicações de compreensão e dignidade. É triste chegar aos 80 anos, mesmo quando se tem uma saúde invejável, uma cultura regular e alguns amigos e irmãos na fé.

Quando completei 40 anos, meu marido deu uma festa para os amigos mais íntimos, pois eu me sentia velha demais. Lá pelas tantas, um deles pediu: “Mary, já que você é repentista, faça umas trovas sobre o seu aniversário!”

Na mesma hora fiz estas:

 

Mulher de gênio azougado, / que o marido mal aguenta,

chego de corpo cansado, /nesta esquina dos 40.

Quando eu tiver 50, / ah, meus amigos diletos,

serei avó “corujenta” / de um casalzinho de netos.

Todo mundo convidado, / quando eu fizer 60;

o bolo vai ser dobrado, / na festa dos meus 80.

E quando eu meu centenário, / vierem me visitar,

terei, em meu relicário, / mil coisas pra recordar!

 

Quando fiz 50 anos, embora convertida a Cristo (na época da ditadura militar), estava meio deprimida e fiz estas, na hora de cortar o bolo, o qual fora feito pela “Casa do Alemão”, no estranho formato de um túmulo:

 

Um minuto de silêncio / eu peço aos meus comensais,

Porque, dentro deste túmulo, / mortas em doridos ais,

enterrei as alegrias / e as ilusões conjugais.

Hoje em meu cinquentenário, / só rugas e nada mais!

Mas eu ganhei uma filha, / que tanta emoção me traz.

Também ganhei uma neta / e isto foi bom demais!

Vou chegar ao centenário, / (quem comigo aposta faz?)

porque na Cruz do Calvário / encontrei a doce paz!

Desta vez, faltando pouco mais de seis meses os meus 80 anos (08/12/09), além de uma porção de e-mails de consolo (por causa do meu artigo “FUI”), recebi alguns do PAC, os quais me confortaram o coração. Leiam:

“Fico imaginando se não fosse esse veio poético e gracioso que você traz em si... Aí você seria triste.

Mas essa sua natureza de fazer galhofa e de se manifestar de maneira poética e sentimental, lhe dá a condição de extraordinária comunicação e vida.

Quem dera que as pessoas idosas, como nós, tivessem esse jeito comunicativo de compartilhar sua vida pessoal e seus sentimentos.

É por isso que alguns, senão muitos de nós, a amamos”.

PAC, não é sem motivo que considero você meu “namorado platônico” especial! Até me lembrei da sonhadora solteirona, recepcionista numa novela da TV Globo, que sempre diz esta frase, quando o charmoso patrão passa por ela: “Me abana, Jesus!”

Sinceramente, amo você através do amor de Jesus, nosso grande Deus e Salvador. Para mim você é uma pessoa culta, carinhosa, galanteadora, enfim, maravilhosa! Se eu ainda me lembrasse do Latim (que aprendi no tempo do curso ginasial), iria escrever para você um poema em Latim. Sim, porque em Português ou Inglês não teria muita graça, pois são línguas vivas e nós “já morremos com Cristo”. Mesmo assim, aqui vai um poeminha em Inglês, já que você domina este idioma:

Not for just a year, but always, / I will love you, dear, / for all the days.

And will see you in my dreams, / every night,

as you are my friend, / my sweet brother,  / my heart’s delight!

 

Mary Schultze, 26/05/2009 – www.cpr.org.br/mary.htm