Mary Schultze- Poesias
última - 09/04/08
Senhor, eu quero...
Senhor, eu quero ser melhor
do que tenho sido, até agora.
Quero amar realmente o meu vizinho,
conforme o Teu Filho nos mandou.
Quero enxugar as lágrimas de todos,
que estão chorando e não Te conhecem.
Quero ter afinidade e dar amor
a meus irmãos na fé.
Quero ser menos agressiva,
achando que sou dona da verdade.
Quero compartilhar a Tua Graça
com os que não lêem a Palavra Santa.
Quero cuidar dos enfermos, das crianças
que estão sofrendo em muitos hospitais,
nos asilos e nas ruas da cidade.
Quero mostrar Tuas misericórdias,
que de manhã se renovam em nossas vidas.
Quero ensinar que somente a Tua Graça
é capaz de salvar, de dar alento
ao mais triste coração.
Quero falar do Teu Filho moribundo,
pendurado numa cruz, entre ladrões,
para cumprir Sua GRANDE MISSÃO.
Quero falar do Cristo ressurreto,
que nos deu a eterna garantia
da mais perfeita e grande salvação.
Quero mostrar que é simples ir ao céu,
bastando para isso acreditar
que o Teu Filho Jesus - o Salvador -
é Exclusivo, Santo... E que Ele tem
toda a glória e poder no universo.
Dizer ainda que Ele está no céu
por todos nós olhando e intercedendo,
nos conservando na Tua memória.
Quero, afinal, que todo mundo saiba
que foste Tu, Senhor, que me fizeste
escrever neste poema, cada verso,
e tudo seja para a Tua glória!
Mary Schultze, 09/04/2008
Amor é de Deus e Deus é Amor
O Amor é de Deus e Deus é Amor!
Ele criou o universo e também o homem;
tudo que Ele fez tem grande valor.
Adão e Eva foram colocados
no Jardim do Éden: felizes e amados,
num lugar com flores repletas de cor
(onde todas cheiravam sob a luz do sol)
e também de frutos com muito sabor.
Deus com eles andava em plena comunhão,
sem nada exigir a não ser obediência
a um mandamento, naquele crisol:
- não comer do fruto do bem e do mal,
a fim de preservarem a sua inocência.
Porém o casal inquieto e rebelde
preferiu escutar da serpente o sermão
e caiu no pecado da desobediência
perdendo com Deus toda a comunhão.
Os seus descendentes nasceram manchados
por esse pecado, e em muita carência
espiritual foram afogados,
ficando do Diabo em tal dependência,
que logo se tornaram em reféns da morte.
Porém nosso Deus, que é um Pai amoroso,
mandou o Seu Filho encarnar-se na terra,
a fim de pregar o Seu evangelho,
dedicando ao Pai toda a obediência
de morrer na cruz em lugar dos culpados.
Depois de três dias guardado na tumba,
Ele ressuscitou, dando garantia
de plena salvação para a humanidade.
E todo o que aceita o Seu sacrifício
em filho de Deus logo se transforma
vivendo feliz, pois Nele confia,
tornando-se livre, através da Verdade.
E quando expirar, com toda certeza,
(livre do pecado e de toda a dor),
vai morar num céu de eterna beleza
e junto com os anjos estará louvando
o Cordeiro Santo, com grande fervor!
Mary Schultze, 16/02/2008
www.cpr.org.br/Mary.htm
Meu quantum de saudades
“Ó, que saudades que eu tenho”
da minha infância, no Crato,
onde tudo era barato,
principalmente o pequi,
e nem se usava dinheiro
para comprar buriti.
Meu pai era tão bonito,
minha mãe tão carinhosa,
que dava gosto viver!
Ó, que saudades do Crato!
Quanto amor em nosso lar,
quanta comida gostosa
e papai sempre a chamar
minha mãe de “Dona Rosa”!
Ali não havia mar,
nem também uma lagoa;
e banhos, pra se tomar,
só mesmo sob o chuveiro,
pois as águas da “Nascente”
só em domingo festeiro!
Nós tínhamos laranjais,
também frondosa mangueira,
uma fonte cristalina,
muita água na torneira.
Nos dias da meninice,
eu me deitava tranqüila,
debaixo dos laranjais,
para encher minha mochila
com laranjas da Bahia,
pois a safra era demais!
Dormia em rede macia
e tinha sonhos ousados,
que meus versos, algum dia,
iriam ser premiados!
Eu sonhava o tempo inteiro
em ficar logo crescida,
e fugir, pra namorar
na esquina, bem escondida!
Naquele tempo eu ainda
rezava a “Ave-Maria”,
sem jamais imaginar
que protestante eu seria!
Só mais tarde abandonei
toda aquela idolatria,
porém antes Cristo achei
e do céu a garantia.
Hoje, com rugas no rosto,
louvo a Deus e sempre insisto
em guardar num relicário
“vinho novo”, em vez de mosto;
porque na cruz do Calvário
de salvação me revisto
e de ler a minha Bíblia,
todo dia, eu não desisto!
Mary Schultze, 15/01/2007.
Eu me rendo a Ti, Senhor!
Neste dia eu me rendo a Ti, Senhor,
porque ao pé da cruz é o meu lugar.
Ali aprendo divinais lições
e minha alma se enche de fervor,
me anulando da vida as ilusões.
Tua Palavra livre vem tornar
meu dia a dia das vis tentações.
Nela eu sou livre, pelo teu Amor,
dos engodos do mundo, das paixões,
de tudo, enfim, que ao erro me conduz.
Quando ao pecado eu quero me entregar,
movida de desejos e ambições,
ninguém, além de Ti, meu Salvador,
pode me libertar da impiedade...
Eu Te agradeço, meu Senhor Jesus!
Teu Amor me constrange, me renova,
Tua santa Palavra é minha luz.
Desejando eu partir, com ansiedade!
para junto de ti, Cristo Jesus,
com Teu poder me ampara, em cada prova,
(porque só Tu tens toda autoridade).
Que eu jamais seja inútil alcatruz,
até que vire cinza ou desça à cova!
Mary Schultze, 18/11/2007
Esperança
Tenho por fé, me enchendo o coração,
que um Deus de amor por mim morreu na cruz.
Eu sei que meus pecados longe estão,
todos eles sanados por Jesus.
Agora que eu estou justificada
e vivendo feliz nesta de certeza,
me sentindo bem mais que realizada,
numa vida repleta de justeza,
posso esquecer tristezas do passado,
tendo minha alma plena de alegria,
e num anseio mais do que elevado,
confio em que Jesus verei, um dia!
Mary Schultze, 07/11/2007
Digerindo Drummond de Andrade
Gastei bem mais de uma hora, em frente ao computador,
parafraseando versos de Drummond, com muito amor.
O tempo passou e agora, sentindo meu peito arder,
eu os trago, bem fresquinhos, não os querendo perder.
E eu lhe peço, por favor, para estes versinhos ler.
Eles estavam guardados, sem querer mostrar a cara;
quais meninos malcriados, fugindo da minha vara...
Nenhum desejo eu arquivo, nenhum problema também,
meu coração está vivo, na graça de Deus, amém!
A mão que escreve um versinho quase não pode escrever,
mas o teclado fofinho, e bonito de se ver,
deste meu computador, liga-me sempre ao trabalho,
em geral metendo o malho,
sobre o teclado de letras, até o dia de morrer...
E quando isso acontecer, vão falar: foi-se a MARIA!
Mas Deus nunca me abandona, pois sabe que não sou Deus;
a fraqueza vem à tona, em todos momentos meus.
Como o meu nome é MARIA, termo que lembra oração,
boa rima eu lhe daria, tentando uma solução.
O pecado me circunda, às vezes com ousadia!
Se eu me chamasse Raimunda, em vez do nome MARIA,
teria rima fecunda, mas não uma solução!
Carlos Drummond de Andrade
Parafraseado por Mary Schultze
06/11/2007
SONETO XII
DO MEU GRANDE PECADO ME ACHO
CERTA,
QUE EM VIVO ARDOR TREMENDO ESTOU DE FRIO;
POR CAUSA DO PECADO EU CHORO E RIO,
QUE A VIDA AQUI NA TERRA É SEMPRE INCERTA.
PORÉM NUNCA ME SINTO EM
DESCONCERTO:
MESMO TENDO EM MINH’ALMA UM DESAFIO;
EU SEMPRE ESPERO, E NUNCA DESCONFIO,
POIS CRISTO FAZ FLORIR O MEU DESERTO.
ESTANDO EM TERRA, CHEGO AO
CÉU VOANDO;
NUM'HORA ACHO MIL ANOS, E É DE JEITO
QUE EM MIL ANOS NÃO POSSO ACHAR UM'HORA.
EM QUE A CRISTO NÃO
FICASSE ORANDO;
POIS SEU AMOR EU GUARDO NO MEU PEITO
E A ELE QUERO IR, SEM MAIS DEMORA.
Mary Schultze, 06/11/2007
CANTIGAS DE NORDESTINOS
Cantigas de nordestinos
são como barcos no mar -
badalam mais do que sinos
- com riscos de naufragar.
O moinho de café
mói grãos e faz deles pó.
muita gente perde a fé:
não segue o exemplo de Jó.
As roupas que Deus me deu,
Não são as mesmas do incréu.
São as que Ele prometeu:
de puro linho, no céu.
Tenho um segredo a contar,
que não mais posso esconder:
só Jesus pode ofertar
salvação em teu viver ...
Dona Rosa, Dona Rosa,
minha mãe, já está no céu
ficou muito mais formosa
depois de passar o véu.
A terra é sem vida, e nada
vive mais que o coração
tu desceste à terra fria,
mas minha saudade, não!
Se eu te pudesse dizer
quase tudo que hoje sei,
não irias entender
por isso não to direi.
Vem cá dizer-me que sim.
Ou vem dizer-me que não.
Bom é que venhas pra mim
pois é teu meu coração.
Dona Rosa, Dona Rosa,
minha mãe, me lembro dela!
Era elegante e cheirosa
de todas mães a mais bela.
Tinha muito amor no
peito.
e jamais saiu dos trilhos.
em tudo ela dava um jeito,
sempre em favor dos seus filhos.
Adaptação das Quadras ao Gosto Popular de Fernando Pessoa
http://www.insite.com.br/art/pessoa/quadras/index.html
Mary Schultze, 06/11/2007.
Reinventando Cecília Meireles
Eu canto porque a Paca (que terrível pensamento)
qualquer dia vai chegar... Sem escutar argumento.
Pensando na minha ida, não sinto gozo ou tormento;
continuo em minha lida, qual folha levada ao vento!
Se atrapalho ou se edifico, as almas dos meus irmãos,
não sei, não sei. E nem fico relembrando esforços vãos.
Sei que canto e desencanto, quer eles queiram, quer não.
Mas um dia estarei muda, deitada em lindo caixão.
E então estarei privada dessa comunicação.
Se a vida só é possível quando é reinventada,
não mais criarei meus versos, mesmo que seja forçada,
porque estarei dormindo e meus anseios dispersos.
Lá no céu, lugar de santo, eu estarei renovada,
pois em Cristo minha vida já está justificada.
Fiquei velha, mas agora me sinto revigorada,
no meio de todo um povo, que encontro mundo a fora.
Sei que já nasci de novo e que fui reinventada,
pois Jesus já retirou as algemas do meu braço,
quando o sangue derramou, naquele madeiro crasso.
E fez lugar pra minh’alma, no celestial espaço.
Não quero ter, nesta vida, um momento de descanso.
Que ela é sempre enganosa, e da morte tem um ranço,
que nunca cheira a lavanda. E desta vida malvada
mui pouco ou nada se leva, pois ela anda e desanda...
Eu desejo ser cremada... E podem tocar a banda,
porque das cinzas, um dia, hei de ser ressuscitada!
Mary Schultze, 08/11/2007.
Parafraseando “Motivo” e “Reinvenção” de Cecília Meireles.