Provai e Vede...
(Taste and See)
Já discutimos antes o letal materialismo religioso conhecido como sacramentalismo: a crença de que coisas algumas materiais e rituais possam canalizar a graça de Deus e qualquer poder espiritual aos homens. Esse é o grave erro da “transubstanciação”, a idéia de que o clero católico romano pode transformar hóstias e vinho no corpo e sangue de Cristo, tornando efetivo o “sacrifício da missa”.
A ICR condena ao inferno todos os que rejeitam esse dogma: “Se alguém disser que pelos sacramentos da graça da Nova Lei não é conferido ex opere operato (pelo próprio ato), mas que somente a fé na promessa divina é suficiente para obter graça, que seja anátema” (eternamente condenado). Esta Nova Lei engloba 1.739 regras em mais de 1.000 páginas do Código de Lei Canônica do Vaticano [Jesus resumiu os Dez Mandamentos e as 613 Leis judaicas em apenas dois mandamentos. A ICR criou tantos dogmas que os católicos ignoram 99% dos mesmos e vivem mergulhados na ignorância dos mandamentos de sua própria igreja - MS].
A verdade é que a Bíblia ensina que a graça de Deus, quer na salvação, santificação ou provisão para se viver para a sua glória, vem através da fé (Efésios 2:8) “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”. (Habacuque 2:4; Hebreus 10:38): “Mas o justo viverá da fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele”. (2 Coríntios 5:7): “Andamos por fé e não pelo que vemos”. As coisas físicas deste mundo podem ilustrar, mas não substituir ou ter parte nas realidades espirituais de Deus e de Sua graça, as quais somente podem ser recebidas por fé.
Esse é também o erro da regeneração batismal: a crença de que o batismo tem poder eficaz e é essencial à salvação. Não apenas os católicos, mas geralmente os luteranos, os calvinistas e outros, compartilham em variados graus desta heresia, através do batismo infantil. Citamos o Breve Catecismo de Lutero (seguido por todo luterano hoje em dia, inclusive pelo Sínodo de Missouri): “O santo batismo é o único meio pelo qual as crianças... podem comumente ser regeneradas ... Ele opera o perdão de pecados ... livra da morte e do diabo[e] provê salvação eterna”. Calvino disse: “Deus no batismo promete remissão de pecados.. regenerando-nos... torna-nos seus por adoção... portanto, abracemo-lo em fé.” [Como ex-sacerdotes católicos, Lutero e Calvino mantiveram muito do ranço católico em sua teologia - MS].
A verdade é que não existe qualquer poder espiritual na água (ou em qualquer coisa física), nem no uso sacramental. O homem não é apenas corpo, mas alma e espírito eternos - e mesmo assim este mundo dá ao corpo morto toda atenção. Infelizmente, isso também acontece entre os cristãos professos. Esse materialismo religioso rouba dos seus seguidores a verdade e a fé.
Carecemos de vida espiritual, mas as coisas físicas, bem como as cerimônias a elas relacionadas, não são um meio para se chegar a esse fim! Seria o caso de confiar na “boa sorte” de um pé de coelho, do mesmo como confiar no benefício espiritual de um escapulário, medalha, crucifixo ou na relíquia de algum suposto “santo” católico. E quanta adoração tem sido criada em torno de imponentes vestes pastorais e outros apetrechos, até mesmo nas igrejas evangélicas? Como disse Cristo: “Deus é Espírito e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24).
Sim, houve um tabernáculo físico (que se tornou o Templo de Salomão) contendo objetos especiais usados pelos sacerdotes na adoração e no culto a Deus. Mas esses eram especificamente designados por Deus aos judeus: “De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” (Hebreus 9:23-24). Longe de haver qualquer valor espiritual nesses objetos e sacramentos, eles eram “... uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço; consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção” (Hebreus 9:9-10). [Conheci um ex-padre católico que me contou ser terminantemente proibida aos seminaristas católicos a leitura de Romanos e Hebreus - MS]. Esse tempo chegou há 2.000 anos com o cumprimento desses tipos da morte, sepultamento, ressurreição e ascensão de Cristo. Todos eles descreviam vários aspectos do futuro sacrifício de Cristo, somente através do qual o perdão de pecados, a salvação e a reconciliação com Deus poderiam vir. Essas “ordenanças carnais” foram canceladas depois que Cristo as cumpriu, conforme lemos em Hebreus 9:11-28. Então, “o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (Mateus 27:51), no momento em que o sacrifício de Cristo na cruz foi consumado.
O capítulo 10 de Hebreus declara que o fato de os sacrifícios do Velho Testamento terem de ser repetidos, dia após dia, era uma prova de que eles jamais poderiam pagar a penalidade dos pecados dos homens. O escritor comenta: “PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado”. (Hebreus 10:1-2). Do mesmo modo, o “sacrifico da missa” romana não pode pagar pelos pecados, como prova a sua interminável repetição.
Essas representações do Velho Testamento estão, portanto, em contraste com o verdadeiro sacrifício de Cristo, conforme Hebreus 10:12-18. O brado de nosso Senhor : “Está consumado!” foi a triunfante declaração de que Ele havia pago toda a penalidade do pecado do mundo. Então, ou alguém aceita o pagamento e o perdão de Cristo e habita no céu, que Ele nos comprou com o Seu sangue, o qual é oferecido a todos os que desejam recebê-Lo, ou então o rejeita, e passa a eternidade no lago de fogo, suportando pessoalmente o infinito castigo de Deus.
Para aceitar o pagamento de Cristo deve-se crer Nele. Atos 16:31: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo”. Efésios 2:8: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”.
Crer em que? No “evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” (Romanos 1:16). 1 Coríntios 15:1-4: “TAMBÉM vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” Também lemos isso em Romanos 1:16.
Essas verdades simples e familiares são esquecidas, comprometidas, pervertidas e corrompidas, até mesmo entre muitos que declaram ser Evangélicos “nascidos de novo”. Elas têm sido até desprezadas hoje em dia como maçantes demais para atrair a juventude. [O evangelicalismo tem se aproximado cada vez mais do Velho Testamento, usando e abusando de suas passagens, a fim de impor pesadas cargas aos seus seguidores - MS]. Contudo a “sã doutrina” (1 Timóteo 1:10; 2 Timóteo 3:16; 4:2-5; Tito 2:1) é essencial à vida e à piedade (2 Pedro 1:3). Por ela devemos “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Ela é a nossa vida! Mas, como está a “sã doutrina” relacionada à simplicidade do evangelho?
Para Cristo cumprir as centenas de profecias do Velho Testamento, como prova de que Ele era o Messias prometido, e pagar a infinita penalidade do pecado por toda a humanidade, Ele teria de qualificar-se de maneira muito especial e vital. Ele deveria ser eternamente Deus, sem princípio e sem fim, Aquele que foi e será, para sempre, através do nascimento virginal, um verdadeiro homem de carne e sangue, o Deus “manifestado na carne” (1 Timóteo 3:16).
Jesus declarou claramente a necessidade de crer que Ele é tanto Deus como homem de carne e sangue: “Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” (João 6:53). Comer a Sua carne e beber o seu sangue? Podemos aceitar isso literalmente? De fato, “comer” e “beber” para se ir a Cristo é crer Nele (João 6:35, 40, 47-51). Somente esta poderia ser a significação dada por Ele, conforme João 6:57: “Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim”.
Católicos, luteranos e muitos calvinistas tomam essa declaração como significando que o corpo físico e o sangue de Cristo devem ser levados ao estômago. Isso é supostamente possível aos católicos, através da “transubstanciação”, aos luteranos, da “consubstanciação”, enquanto Calvino ensinou que o pão e o vinho ingeridos relacionam o Seu corpo e sangue físicos com os crentes.
Esse erro, embora fatal, é simplesmente o fracasso de verificar que Cristo, como sempre acontecia quando falava às multidões (Mateus 13:34), estava ensinando verdades espirituais através de ilustrações físicas. Quando ele disse: “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12), ou “Eu sou a porta” (João 10:7), ou “Eu sou o bom pastor”, ou “Eu sou a videira verdadeira” (João 15:1), será que alguém que o escutava, ou alguém que o escutasse hoje, iria pensar que Ele estava falando literalmente? Pois, para Cristo ser literalmente uma luz, uma porta, um pastor, uma videira, um pedaço de pão, etc., não seria simplesmente absurdo e de nenhum valor espiritual e eterno para qualquer pessoa?
Então, quando Ele diz: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede”! (João 6:35), os católicos romanos e os calvinistas nunca admitem que Ele quis dizer que era o pão físico. Como também não admitem que Ele estivesse falando de fome e sede físicas. Obviamente, então, quando Ele falou em João 6:50: “Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra”, Ele jamais quis dizer pão físico, morte física ou alimento físico. Ele estava comunicando uma verdade espiritual.
O mesmo aconteceu quando Ele disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” (João 6:51). “Pão vivo” é claramente uma metáfora, visto como esse “pão vivo” é a Sua carne. Está meridianamente claro que “comer” simboliza “crer”, pois Jesus Cristo veio, de uma vez por todas, em carne (1 João 4:2-3). Ele é tanto Deus como homem, em legítima carne humana. Isso deveria ficar claro.
Mesmo assim, quando Cristo prossegue, de um fôlego, dizendo: “Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim” (João 6:57), Roma insiste em que Ele fala literalmente de comer e beber o seu corpo e sangue físicos. Contudo, todo o Seu sangue foi derramado na cruz pelos pecados, não restando sangue algum para ser bebido, e o corpo ressurreto e glorificado em que Ele habita, está à destra do Pai. Imaginar-se em trazê-lo de volta ao corpo físico pré-ressurreto, a fim de que Ele possa ser fisicamente “ingerido”, é embarcar em fantasia e blasfêmia. Além disso, levar o Seu corpo físico ao estômago de alguém, não iria trazer mais vida espiritual do que ingerir qualquer outro alimento físico.
Mesmo assim, Roma declara que, mesmo estando Cristo à desta do Pai, seus sacerdotes podem trazer de volta aos altares católicos, o Seu corpo pré-crucificado, a fim de ser “imolado” (sofrer o mesmo sacrifício da cruz), sempre e sempre, pelo pecado [Esses sacerdotes precisam muito da leitura de Hebreus! MS]. Esse erro fatal rouba todos aqueles que crêem na verdade espiritual da eterna salvação que Cristo oferece - dando-lhes, em vez desta, apenas pão e vinho para alimentar os seus estômagos.
Esse mesmo mal-entendido levou os judeus a se escandalizarem em João 6:52: “Como nos pode dar este a sua carne a comer?”. Roma imagina resolver o dilema através da “transubstanciação”, afirmando que o corpo e o sangue são ingeridos, embora na aparência de pão e vinho [Imaginem se a água transformada em vinho nas bodas de Caná tivesse continuado com o mesmo aspecto da água... teriam os convidados aceitado esse vinho? Não, eles seriam bem mais inteligentes do que os católicos de todos os tempos! MS]. João 6:63: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida”. Como vemos, as palavras e idéias expressas por Cristo não são físicas, mas espirituais.
Satanás conduz o homem ao que é físico e o torna cego ao que é espiritual. Deus explicou aos judeus que Ele os fizera sentir sede no deserto, a fim de levá-los “... a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” (Deuteronômio 8:3). Israel fracassou no teste e ficou tão completamente absorvido no desejo físico que deixou inteiramente de lado a realidade espiritual que Deus desejava que o Seu povo usufruísse. “Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas” (Jeremias 2:13).
Ao contrário do fracasso de Israel, Cristo, em Sua tentação no deserto, não capitulou diante das promessas de Satanás das possessões dos reinos terrenos e de poder. Ele citou a verdade libertadora de que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus” (Lucas 4:4). Esta é a Palavra sobre a qual devemos “meditar de dia e de noite” (Salmo 1:2), pela qual nascemos de novo... e nos foi evangelizada (1 Pedro 1:23-25). Cristo declarou ser a Palavra viva e que toda Palavra de Deus falava Dele. Não é de admirar que Jeremias tenha dito: “Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR Deus dos Exércitos” (Jeremias 15:16). Precisamos, a todo instante, escutar o salmista: “Provai, e vede que o SENHOR é bom!” (Salmo 34:8). Também devemos declarar: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Salmo 42:2). Trocar isso por alguma “água benta” que Ele oferece? Não! Mas por um mais profundo conhecimento Dele próprio!
Que seja nossa a mesma paixão de Paulo: “... Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte” (Filipenses 3:10).
Pretendemos voltar a este assunto, no próximo mês. Entrementes, meditemos dia e noite sobre Cristo, o Pai e Sua Palavra. Nesse processo, descobriremos que estamos “nos banqueteando no pão vivo” (e) “bebendo da fonte original”, conforme diz o antigo hino.
“The Berean Call News Letter”, Agosto, 2004 - Dave Hunt