Quem Tem Toda Autoridade?

 

         Fred Price afirma: “Jesus disse, toda Autoridade... Toda ela.” Quanto dessa Autoridade faltou no texto? Nada. É um termo inclusivo. Ele não deixa coisa alguma de fora. Ele disse ‘toda Autoridade no céu e na terra está em minhas mãos. Ela Me foi dada’. E qual vocês acham ter sido o propósito de Deus Todo Poderoso em relação ao Filho, quando Lhe deu toda Autoridade na Terra, se Ele não se encontra aqui para usá-la? É porque Ele deu essa Autoridade à Igreja. Em essência, Ele estava dizendo: ‘Estou voltando ao céu. Vou exercer Autoridade no reino celestial, mas deixo a vocês, que são o Meu Corpo... Estou lhes dando, por delegação minha, autoridade no reino terreno. Vão em frente e o conquistem’. A maneira pela qual Deus designou o sistema foi no sentido de que o controlemos para nós”  (Fred Price, Ever Increasing Faith, LeSea, em áudio).

         Tendo em vista que o governo de Cristo é invisível, as pessoas sempre têm tentado transferir para si mesmas e para a Igreja mais autoridade que aquela que realmente lhes foi dada. Esta doutrina se estende desde o direito de alguém à saúde divina e à prosperidade, até ao governo do mundo, conforme esposado pelo movimento Reino Agora. Não existe diferença alguma entre os dois campos da Teologia da Fé e do Latter Rain (Chuva Serôdia).

         Muitos agem e ensinam como se nós tivéssemos toda esta autoridade. Robin Harfouche [o nome Robin é feminino mesmo?] (que está de acordo com o seu marido, Dr. Christian Harfouche) explicou numa entrevista da TV com Sid Roth, em 1998, sua ida ao céu, onde conversou com Jesus: “Ele disse que nos deu todo poder e autoridade sobre as obras das trevas e que se repreendermos qualquer espírito, isto é, o espírito da dor em o nome de Jesus, ele é obrigada a nos deixar em paz.”  (on Harfouche).

         Se isso fosse verdade, por que o mundo e até mesmo os cristãos sofrem? Será que não existe repreensão bastante sendo processada, a fim de nos deixar sem dor? Será que todo mundo precisa se voltar para a TV cristã, a fim de ouvir falar sobre todas as doenças controladas, para poder ser curado?  Onde a Bíblia diz que temos toda autoridade que foi dada a Jesus? Foi a Jesus que a autoridade foi devolvida por ter Ele abdicado da mesma, quando deixou o Céu para se tornar um servo (humano) na Terra: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:5-8). Ele jamais deu esse tipo de autoridade à Igreja. Será que não existe diferença alguma entre Ele e nós? Claro que temos uma certa porção de poder e autoridade sob o Seu senhorio, mas não toda autoridade como Ele tem (mesmo porque Ele é Deus e nós não somos). Então, por que isso não está de fato funcionando, exceto na percepção dessas pessoas?

            Earl Paulk vai mais longe com esta premissa e muda as promessas da Bíblia, cuja fonte é Jesus, atribuindo-as à Igreja: Conquanto nenhum homem saiba o dia e a hora, posso dizer com autoridade de Deus que Cristo não pode e nem quer voltar, até que tenhamos pregado o Evangelho do Reino a todas nações da Terra. Essa tarefa exige uma Igreja madura, a qual vai se tornar uma alternativa aos reinos do mundo. É isso que a Igreja deve fazer para a volta de Jesus Cristo ao mundo, uma tarefa  que depende de nós”. (Earl Paulk, The Great Escape Teory, p. 14).

            A Bíblia não diz para pregarmos o Reino de Deus às pessoas das nações (Mateus 28:18)? Mas não demonstrando um governo alternativo, a fim de que Jesus possa voltar.  Será que isso significa que a volta de Cristo está nas mãos da Igreja? Será por isso que Ele ainda não voltou? Primeiro nós preparamos as pessoas com o novo nascimento, a fim de que elas entrem no Reino de Deus. Isso é feito com o Evangelho sendo ensinado para que as pessoas recebam o Reino espiritual de Deus dentro de si mesmas. Não é instalando um governo de homens decaídos (mesmo redimidos) sobre as nações.

            Segundo essa nova reforma, uma Igreja madura só pode ser preparada se ficar sob a liderança dos apóstolos e profetas. É impossível que ela amadureça sem essa unidade e liderança. Foi siso que o Latter Rain tentou fazer nos anos 1950 e fracassou.

            Um dos profetas atuais, Bill Hamon, explica: “A restauração da Companhia Elias de profetas é tão cara ao coração de Jesus por ser essa companhia de profetas dos últimos dias que vai preparar o caminho para a Sua Segunda Vinda... Os profetas também vão ajudar a restaurar e convocar os apóstolos do poder e restauração para a unidade e perfeição da Igreja...”  Essa tal “Companhia de Elias”  é exatamente o pseudônimo de um dos muitos movimentos que não acreditam no “arrebatamento” da Igreja. Em vez disso, existem planos para estabelecer primeiro o Reino aqui na Terra e, depois que eles tiverem conseguido esse intento, convidarão Jesus para regressar e se assentar no trono que já estará preparado. Ora, se a Igreja vai poder realizar isso, antes que Ele venha, então quem vai precisar de Sua volta?

            Paulk declara, referindo-se ao nosso domínio: “Quando começamos a observar que a Igreja estava... (por causa da tolice) permanecendo contemplativa dos céus, aguardando algum escape dramático desta Terra, logo alguns começaram os murmúrios: ‘heresia’!... A Palavra comprova que a Terra é do Senhor e que o domínio da mesma é a primeira tarefa que a Igreja deve realizar...”

            Jesus disse que toda autoridade no céu e na Terra Lhe foi dada, conforme Mateus 28:18-19. Isso se encontra também em Daniel 7:13-14: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído”.  Alguns acham que esse domínio foi transferido à Igreja, com o que a Escritura não concorda.      

Referindo-se ao Senhor, diz o Salmo 145:13: “O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações”. E o Salmo 22:28 diz: “Porque o reino é do SENHOR, e ele domina entre as nações”. Como podemos ver, a Igreja não governa as nações, mas Jesus [governa]. Podemos governar e reinar junto com Ele, mas certamente isto não acontecerá antes que Ele esteja presente.

Como isso poderá ser realizado, está em Daniel 7:21-23: “Eu olhava, e eis que este chifre fazia guerra contra os santos, e prevaleceu contra eles. Até que veio o Ancião de Dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino. Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços”.

            Esse quarto reino será diferente de todos os demais e vai governar através do pequeno chifre. Ele faz com que o Ancião de Dias venha para os santos, a fim de possuir o reino. Os santos precisaram ser resgatados e não estavam governando.  Claro que não existe governo algum como esse da Igreja [organizada] atual e nem haverá no futuro (pelo menos não na Igreja de Jesus). O que estou apresentando encaixa-se perfeitamente  no cenário do Reino Agora promovido pela nova onda. Como se pode ver, eles desejam estabelecer um reino para governar as nações sem a presença de Cristo. Será que eles serão o quarto reino? Observem que não será antes que Jesus venha que nós iremos possuir o reino. Essa passagem não se refere à Sua primeira vinda, mas à segunda, conforme será resumidamente explicado. O cenário do Reino Agora terá estabelecido o reino em o nome de Cristo. Jesus nos diz em Mateus 24 que surgirão muitos falsos profetas fazendo sinais e maravilhas enquanto os eleitos ainda estiverem aqui. O propósito deles é enganar os eleitos. Jesus diz  em Mateus 7:21-23: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”. Não é pelo fato de alguém dizer “Senhor, Senhor” que isso represente a verdade. Simplesmente  porque alguém invoca o nome de Jesus, ou Jesus isso não o torna um filho de Deus. Não é por atribuir uma cura a Jesus que isso acontecerá. Lembrem-se que Jesus diz: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”.  É pelo seu fruto (doutrina) que nós os conheceremos. Submeto isso à consideração de qualquer um que exija posições e poder, promovendo essas doutrinas.

            “E o quarto reino será forte como ferro; pois, como o ferro, esmiúça e quebra tudo; como o ferro que quebra todas as coisas, assim ele esmiuçará e fará em pedaços. E, quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois viste o ferro misturado com barro de lodo. E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro. Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro; o grande Deus fez saber ao rei o que há de ser depois disto. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação”.  (Daniel 2:40-45).

            Sabemos pela Escritura que o barro representa o homem (Deus é o oleiro, nós somos o barro); contudo Daniel declara que eles não se misturam. Daniel está falando do quarto reino, com os reis que governarão a Terra como jamais o fizeram antes. Considerando-se a agenda do Movimento Nova Era, bem como a dos promotores do Reino Agora, da terceira onda, não é de se estranhar que eles possam usar esse meio de governar como Igreja na Terra, sem Cristo.

            O Salmo 2:1-3 diz: “Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas”.  Temos aqui a perspectiva de Deus sobre um povo unido sem o Messias estar presente. Ele é chamado coisa vã, vazia. Isso mesmo acontece com a Igreja do Dominionismo sem o Messias presente. Pois Deus diz no Salmo 2:6-9: “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro”. O herdeiro das nações é Cristo, não a Igreja. Mesmo assim, estamos sempre ouvindo as pessoas orando para que Deus lhes (Igreja) dê a herança. Mesmo que a Igreja governe e reine no Milênio, ela fará isso sob a liderança de Cristo com Ele presente.

            Enquanto o quarto reino era feito de ferro e barro, Cristo reina com vara de ferro (significando um governo inquebrantável em absolutos, quando a desobediência exigirá rápidas repercussões). Em Apocalipse 2:27 lemos: “E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai”. Observem que aqueles que governam o reino, quando Ele vier, serão quebrados como vasos de oleiro. Por que? Porque não se trata do Seu reino, mas do reino deles. Então, isso não significa que a Igreja esteja governando quando Cristo voltar, pois Ele voltará para destruir o reino que estará governando nesse tempo (Daniel 2:44).

Apocalipse 12:5 diz: “E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono”.  Primeiro, Jesus teve de subir para depois vir governar as nações. Ele deve voltar antes que isso aconteça: “E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso”.

            O Reino de Deus chegou com a encarnação de Jesus. Ele disse em Lucas 17:21 “o reino de Deus está entre vós”, significando Sua presença entre eles. A morte e a ressurreição de Jesus abriram o caminho para que as pessoas entrassem no Seu reino, sem que este precise ser melhorado antes do Seu regresso. Conforme lemos em Daniel 7:22: “Até que veio o ancião de dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino”.

                Quando o Seu reino chegar, Cristo estará preparado e nós é que iremos servi-Lo, não os apóstolos e  profetas. Daniel 7:27 diz: “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão”.

                Os que estiverem ocupando posições de liderança no quarto reino estarão enganosamente a serviço do Diabo: “E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta. Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta” (Apocalipse 17:12-13). “Porque Deus tem posto em seus corações, que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma idéia, e que dêem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus” (verso 17). Por que o quarto reino será diferente dos demais? Porque ele vai mesclar a espiritualidade com o poder político como jamais aconteceu com outro governo na história.

            Os dez reis darão sua lealdade à besta, a qual será adorada. Daniel diz ainda que esse reino será o Império Romano reavivado. Em Roma, eles tinham um único homem que afrontava a Deus - César - afirmando ser Deus entre os deuses. Ele permitiria que os cristãos adorassem o seu Deus, contanto que lhe oferecessem sacrifícios e afirmassem que ele também era Deus. Desse modo, vai ser possível as religiões diferentes coexistirem numa unidade, se tiverem o mesmo objetivo [a paz mundial] e colocarem suas diferenças à parte.

            Jesus disse aos Seus seguidores que, enquanto estivessem no mundo, eles teriam aflições, pois o mundo inteiro jaz no maligno. Podemos salvar as pessoas desse contexto [quando se convertem através da nossa pregação do Evangelho verdadeiro], porém não podemos governá-las.  Por que iria alguém possuir e governar uma Terra decadente, a qual está sob julgamento? Por essa razão aguardamos a volta de Cristo, para que Ele estabeleça o Seu reino e renove a Terra.

         Apocalipse 14:12-13 diz: “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem”. Os santos não estarão governando; eles estarão sendo mortos porque a marca da besta foi instituída e a mulher, que é uma imitação da Igreja verdadeira (a noiva de Cristo), assassina os santos verdadeiros. Quando João vê essa mulher,  ele se maravilha com grande admiração, conforme sua declaração em Apocalipse 17:6 - “E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.”

            Rick Joyner descreve suas visões de um “sangrenta guerra civil”, que deve estar dentro da Igreja.  (Latter Rain Revival, 1996). Submeto à sua consideração que os “blues” (as pessoas espirituais) e os “grays” (as pessoas intelectuais) podem ter uma significação exatamente diferente daquela que ele lhes atribui. Considerem que o Livro de Apocalipse declara que os santos são mortos por outras pessoas que imaginam estar prestando um serviço a Deus. Somente é preciso que se veja que aqueles que, como muitos, não irão adorar a imagem da besta serão mortos (Apocalipse 13:7-15).  Os que adoram a besta, em sua falsa unidade e religião, vão sobreviver e tomar parte no governo do seu reino, que vai durar pouco tempo.

            Israel foi chamada “esposa de Deus”, no Velho Testamento; ela se tornou uma esposa adúltera, pois foi após outros deuses; mas um dia, no futuro, ela será reconciliada. Paulo diz na 2 Coríntios 11:2: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo”. Observamos que essa mulher para a qual João olhou tão admirado será contra os santos, mesmo dizendo-se de Deus.

            Efésios 1:3 nos diz que “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo... nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”. Colossenses 3:1-3 nos diz: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Isso nos faz voltar a Jesus dizendo para não ajuntarmos tesouros na terra, mas no céu. Nós conduzimos as pessoas ao Seu reino espiritual e Ele trará o reino à Terra quando voltar. Jesus deixou claro que o Seu reino não é deste mundo (João 18:36). Então, é obvio que esse quarto reino que vai governar a Terra, até Cristo regressar, vai fazê-lo através da tribulação e colocará os santos em aflição. O “cristo” do Reino Agora deve chegar, não para conduzir a Igreja ao céu, mas para governar um reino terreno, que os “vencedores” terão preparado para ele.

            Um “cristo” na Terra que venha reinar no reino que eles terão estabelecido em seu nome não é o Cristo da Escritura. Eles estão, por ignorância, preparando a Terra para o Anticristo, o qual vai governar primeiro, antes que Cristo venha estabelecer o Seu Reino [Milenar] na Terra. Seguir esse ensino enganoso é ficar sem qualquer proteção contra o engodo que varrerá a Terra e cativará os seus habitantes [Como diz Paulo na 2 Tessalonicenses 2:8-11: “Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda;  a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira”.]

            Vinson Synan, um dos líderes da A.D. 2000, disse: “Em todas as revoluções existem tempos barulhentos e perigosos, quando a ORDEM ANTIGA é substituída pela nova ... Depois a poeira baixa. PODEMOS PROSSEGUIR NA CONSTRUÇÃO do belo reino que o Senhor tem proposto desde a fundação do mundo”  (Vinson Synan, Fullness, jan/fev 1990, p. 24).

         Nós construímos o reino! Não penso deste modo. Esta é a essência do Reino Agora, o qual vai dominar pela força (ou pela política, se possível). Jesus nos ensinou a orar pela vinda do Seu reino, não a tomá-lo para Ele, longe de Sua presença física. Se edificarmos esse reino, quem reinará nele? Nós? Não é um pensamento muito confortável. O reino existirá totalmente dentro da Igreja, sem a presença de Cristo. Que maravilha! Jesus ficará em Sua casa [Céu] e quando precisarmos de Sua ajuda, então vamos chamá-Lo!

                Isaías 9:6 diz: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

                Os promotores atuais da teologia do Domínio do Reino têm desenvolvido a mais primitiva forma de Reconstrucionismo a ser sistematicamente adaptada ao modelo e objetivos carismáticos. A Igreja dominionista se encaixa perfeitamente na Igreja Global, a qual tem estado em latente formação durante o século, para conseguir uma unidade espiritual com toda a humanidade e todas as religiões.  O Ecumenismo é a resposta estratégica, visando transformar este mundo em um lugar melhor para se viver, sem a literal presença de Cristo. Dizem-nos que já conseguimos o poder e o “know how” para isso.  Podemos fazê-lo perfeitamente em o nome de Jesus (ou no nome de “deus”, quem quer que seja ele).

 

Um Reino Terrestre Para a Igreja

 

         A visão dominionista é que agora vamos conquistar  o mundo inteiro para Cristo, antes que Ele volte. Os dominionistas estão estabelecendo uma Superigreja em o nome de Cristo. Jesus está ensinando a igreja a batalhar. Ele aparece como um guerreiro feroz. Devemos marchar à frente sob a Sua liderança, em direção “à terra que eu dou aos filhos de Israel” (Josué 1:2). Precisamos entrar, a fim de conquistar a “terra da promessa”, pois “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés(verso 3). [N.T - O grande mal desses visionários dominionistas é que eles pensam que são judeus e abocanham todas as promessas do Velho Testamento, que nada têm a ver com a Igreja - MS].

            Isso é realizado de várias maneiras: “falando nas coisas celestiais” e “nas coisas que não são” e trazendo-as para o reino. Controlando os homens fortes, nos países e cidades. A música é um instrumento essencial nesse modelo de guerra espiritual, pois ela se torna uma ênfase, substituindo o evangelismo [que deveria ser feito] pela pregação da Palavra. Somos informados que o Reino Agora está avançando violentamente, conforme Mateus 11:12: E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele”. Esta é uma das Escrituras que recebem várias interpretações. Então, como devemos entendê-la? Quando João entrou em cena, vemos que os líderes religiosos se opuseram à sua mensagem, fazendo o mesmo com Jesus. O reino dos céus sofreu a violência dos que desejavam encontrar o caminho de acesso ao mesmo.  Jesus disse que alguém deveria tornar-se como menino, pois os simples e os humildes é que entrariam no reino. Eles deveriam segui-Lo e não tomar a liderança. Não posso garantir que seja esta a legítima significação da passagem, visto como existem vários modos de considerá-la; contudo, posso garantir que ela não significa o que os dominionistas desejam que signifique. Foram esses mesmos líderes religiosos que se voltaram contra Jesus, quando perceberam que Ele não era o Messias que eles esperavam, o qual viria sacudir o jugo de Roma e incrementar o reino. Será que o movimento do Reino Agora não está repetindo o mesmo erro?

         Se observarmos em todos os lugares onde eles têm feito essa guerra espiritual, o crime, o ódio, a violência, o assassinato, o divórcio e o aborto cresceram. É o reino de Satanás que avança violentamente, promovendo a violência. Basta que olhemos as notícias. Alguém já viu uma nação que tenha se tornado cristã? Existem nações inteiras que são 99% muçulmanas e estão sob um governo islâmico. Então, onde estão os resultados? Mesmo assim eles ficam profetizando que muitos muçulmanos hão de vir para o reino, é claro!

            A verdade é que o Dominionismo não vê qualquer propósito profético para Israel, pois acredita que a volta de Cristo depende da Igreja. Devemos conquistar  o mundo inteiro e estabelecer um governo teocrático, antes que Ele volte.

      Parece também haver uma veia anti-semita percorrendo o campo dominionista.  Rick Godwin, preletor na mídia cristã, já removeu o Israel da Antiga Aliança, substituindo-o pela Igreja: “Eles (o Israel nacional) não são povo escolhido, mas amaldiçoado... [repete] não são o povo escolhido, mas amaldiçoado... Sim, e escutem Jerry Falwell e todo mundo dizendo que a razão da América ser grande é porque ela tem abençoado Israel. Tem, sim. Mas qual Israel? A Israel ... Igreja... a Israel de Deus, não a que está sobre o Mar Mediterrâneo”  (Rick Godwin, Metro Church; Edmund, Oklahoma, 11/04/1988, fita de áudio, citado por Dave Hunt em “What Happened to Heaven). Quem sabe, ele deveria ler as admoestações de Paulo em Romanos 11. Paulo nunca misturou os dois grupos, nem disse que um deles seria substituído. Isso faz lembrar o que os mórmons dizem a respeito dos negros terem sido amaldiçoados porque desobedeceram a Deus. Paulo escreve que Israel foi quebrado por causa da sua incredulidade, mas que será reconciliado, pois: “Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Romanos 11:28-29). [Os judeus] são inimigos temporários, porém não amaldiçoados.

         Deus promete em Jeremias 31:35-37: “Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim disse o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR”. Quem poderia arcar com a gigantesca tarefa de remover os astros e medir os céus, antes que Israel, como nação (da qual Deus está falando) possa deixar de existir? Eles mudam a geração de Israel para uma geração espiritual e aplicam-na à Igreja, o que é errado!

            Earl Paulk, um dos líderes promotores do ensino do Reino Agora, escreve: “Algumas das mais fortes igrejas fundamentalistas ainda pregam que Cristo vai voltar para reunir Israel a Si mesmo, mas eu digo que isso é um engano, para evitar que o Reino de Deus venha predominar. Em quase toda livraria cristã, cerca de 99% dos livros dizem que “o relógio do tempo de Deus é Israel”  e que “a aliança de Deus ainda permanece com Israel”... (mas eu digo que) as profecias de Israel como nação (são) agora transferidas para o Israel espiritual, o qual é povo de Deus (isto é, a Igreja)...” (Earl Paulk, The Handwriting On The Wall, pp 17, 19-20).

            Apesar da rejeição de Paulk ao Israel nacional, o registro de Lucas, em Atos 1:6-8, diz: “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Nesse tempo Israel era uma nação, e de modo algum o Senhor iria mudar isso. Se os apóstolos não tomaram parte alguma na restauração do reino literal na Terra, por que a Escritura iria permitir que os novos apóstolos a tivessem?

         Foi alguns dias antes da Transfiguração que Jesus disse que os discípulos iriam ver o reino vindo em poder. O que eles viram ali não foi o “próprio” reino, mas uma visão antecipada do que ele viria a ser. O que foi visto no Monte da Transfiguração demonstrou que os santos do Velho Testamento estariam presentes, bem como a glória de Deus através de Jesus.

         Após a volta de Cristo, quando Ele tiver resgatado a nação de Israel, e  o Armagedom tiver acontecido, então Ele vai separar as ovelhas dos cabritos, conforme Mateus 25:33-34: “E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. Então Jesus é quem vai estabelecer pessoalmente o reino; nós não o tomaremos para Ele. É um engano total pensar de outro modo. O reino vai partir de Israel para as nações, pois Cristo vai reinar em Sua terra natal. Na 2 Timóteo 4:1, lemos: “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino” ... Como podemos ver na Escritura, o Seu reino e aparecimento são eventos simultâneos e virão como julgamento, bem como bênçãos.

 

Artigo: Who Has All Authority?

http://www.letusreason.org/Latrain13.htm

Traduzido por Mary Schultze, em 08-09/10/2007

http://www.cpr.org.br/Mary.htm