REFLEXÕES DE PRIMAVERA
No primeiro dia deste mês eu teria completado 51 anos de casamento e no dia 02, 53 anos de chegada ao Rio de Janeiro. Cheguei com 8 Mil Réis na bolsa, falando Inglês, com uma boa cultura geral, fluente redação na língua pátria e a cabeça cheia de sonhos.
Fui educada num lar católico, onde a moral e os bons costumes eram relevantes; uma jovem era ensinada a se guardar para o marido; a mentira aos pais era altamente condenada e a decência no traje, uma necessidade.
Saí da casa de meus pais para cursar o segundo grau na capital do Ceará (Fortaleza) e, quando terminei o curso de três anos, comecei a trabalhar, a fim de que meu pai pudesse pagar os estudos de meus irmãos mais novos. Havia desistido de um vestibular de Medicina, quando vi um cadáver boiando no formol e tive uma crise de vômito. Com meus conhecimentos de Inglês, logo consegui um bom emprego na Panair do Brasil e nunca mais precisei pedir um centavo a meu pai.
Cansei do Ceará, fui morar no Recife (PE), onde fiquei três anos, trabalhando em duas multinacionais - Singer e The East Asiatic Co. Cansei do Recife e vim morar no Rio de Janeiro, onde consegui um bom emprego numa firma inglesa, e dois anos depois me casei com um alemão de Berlim. Fui muito feliz no casamento.
Todo dia agradeço a Deus o fato dEle ter-me protegido desde o ventre materno. Não consigo encontrar pessoa alguma que seja mais abençoada do que eu (e não sou dizimista, hem?). Nunca fiquei doente na infância (nenhuma doença infantil), na juventude, nem na idade adulta. É como se Deus tivesse me vacinado contra todo tipo de doença e dito: “Essa peste e promotora de sedições vai servir o meu Filho, em sua saudável velhice”. Louvado seja o Seu Santo Nome!
Há 12 anos, desde que vendi minha microempresa (na Baixada Fluminense) e me aposentei definitivamente, tenho trabalhado no que mais gosto de fazer: traduzir assuntos bíblicos de bons autores americanos e ingleses e escrever poesia e prosa. Sou tão feliz que em minhas orações sempre agradeço a Deus tanta alegria de viver e peço que Ele me leve, quando quiser, com toda a minha saúde.
A Bíblia é minha única regra de fé e prática de vida. Não confio em homem algum (Jeremias 17:5), por isso não me guio pela pregação do pastor nem pelos autores que leio. Só me firmo na Bíblia e disso faço questão...
Recebo alguns e-mails criticando-me acerbamente, mas muito maior é o número dos irmãos que me amam, escrevem palavras gentis e alentadoras, a fim de que eu continue o ofício apologético que Deus me confiou. Tenho alguns inimigos e muitos amigos. Hoje recebi o e-mail de um “neto” virtual culto, inteligente e bíblico, com estes dizeres:
“Cara Oma Mary!
Se os cristãos brasileiros tivessem a metade, ou melhor, 10% do seu senso crítico e conhecimento bíblico-teológico, a realidade da Igreja no Brasil seria muito diferente.
Abraços,
MMG” (Nota: Oma é Vovó em Alemão)
Claro que ele exagerou, mas uma prova de amor assim, me dá alento para desconsiderar os e-mails injuriosos que recebo, mesmo porque se os inimigos continuam a me fustigar com os mesmos, costumo confiar em Romanos 8:28.
Outro amado (este é um “filho” assembleiano) gosta de me enviar e-mails satíricos e bem humorados, que eu adoro ler. O de hoje, comentando o artigo “A Bíblia ou Boff” foi:
“Oxe, se gostei... estarei no aguardo. Ah, estou distribuindo [seus] artigos esclarecedores para alguns amigos presbíteros e [para] o novo pastor de minha igreja, um homem muito amoroso e fervoroso pregador da Palavra, que ontem pregou sobre os caminhos perfeitos aos olhos dos homens, mas que conduzem à morte eterna, alertando a igreja que muitas escolhas podem não ter mais volta...”
A alegria de saber que ele tem um pastor sério e biblicamente embasado me deixou feliz!
Outro muito amado, meu competente revisor, escreveu:
"Mamie, você é que é a própria eficiência, competência e produtividade em pessoa.
Com relação ao último parágrafo desse "descarado apóstata" [Erwin McNamus], aproveito para sugerir que você ponha tudo entre aspas e corrija o verbo em vermelho.
Beijos
Zero"
Uma Ministra (não sei de que...) resolveu usar minha foto, autografou a dita imitando minha letra e transformou-a num quadro de exposição, com duas pessoas na frente, como se eu fosse uma personalidade famosa. Não quero ser rica, nem famosa, nem importante, mas apenas continuar em meu papel de “serva inútil” do Senhor, como tenho sido até hoje. Sei que vou levar muitos puxões de orelha no Tribunal de Cristo, passando de raspão pelo fogo, no qual, provavelmente, minhas obras vão virar cinza... Mas serei salva pela imensa graça e misericórdia de Cristo Jesus, meu grande Deus e Salvador! (1 Coríntios 3:15).
Como disse o santo escritor Stanley Jones: “Se o Espírito Santo puder tomar conta de nossa consciência, com o nosso consentimento e cooperação [pelo estudo da Bíblia e oração], então teremos o poder do Todo Poderoso agindo como a base de nossas vidas e, desse modo, podemos fazer tudo que desejaríamos fazer, ir aonde gostaríamos de ir e ser tudo o que gostaríamos de ser”.
Mary Schultze, 04/09/2007.