Registro do Diálogo Com a ABM
(Mons. John A. Radano - Concílio Pontifício Para a Unidade Cristã)
Para os contatos internacionais com os batistas, o Concílio Pontifício Para a Unidade Cristão (PCPCU) com a Aliança Batista Mundial (ABM). O quartel general está localizado na Falls Church, Virginia, USA, próximo a Washington D.C.
Sua denominação inclui 40 milhões de crentes batizados. Os batistas não dão o batismo a crianças, mas somente aos que são capazes de fazer conscientemente uma to de fé. Desse modo, incluindo as crianças nas famílias dos crentes batizados, esse número sobe para 100 milhões.
Tem havido uma fase de conversações internacionais entre a ABM e a ICR, de 1984 a 1988 e isso foi publicado num registro intitulado “Summons to Witness to Christ in Today´s World” (Convocação para Testemunhar de Cristo no Mundo de Hoje) (1990). O PCPCU gostaria de prosseguir com a segunda fase desse diálogo internacional e está aguardando que a ABM aprove a segunda fase.
Entrementes, prosseguem os contatos cordiais. Por exemplo, a ABM convida o representante da ICR (junto com representantes de várias comunhões cristãs mundiais) para assistir ao Congresso Batista Mundial, o qual é realizado cada cinco anos. A ICR, através do PCPCU, convida a ABM a enviar um representante a vários eventos, mais recentemente, por exemplo,aos eventos ecumênicos do Ano do Jubileu e mais recentemente ainda, para comparecer ao Dia de Oração Pela Paz, em Assis, no dia 24/01/2002.
Encontro em Roma - 3-4 Dezembro 2000 - Em dezembro 2000, a delegação internacional da ABM, com cerca de 15 pessoas, foi a Roma para um dia e meio de discussão, no PCPCU, como passo inicial à preparação de uma segunda fase do diálogo. Uma parte dessa discussão incluiu o Professor batista James Leo Garett dos assuntos que precisavam ser tratados na segunda fase. Nestes se incluía o Ministério Petrino; o Dogma de Maria e Espiritualidade, Sacramentos ‘ex opera operato’; Autoridade; Escritura; Tradição e Magistério.
Mas, visto como a ABM ainda não estava pronta para iniciar essa segunda fase do diálogo, no sentido de garantir o prosseguimento dos contatos, s ABM propôs como passo seguinte um encontro semelhante aos de 2001, no qual ambos os lados pudessem continuar a discussão, ou então as conversações oficiais. Buenos Aires foi sugerida como o local desse encontro.
Encontro em Buenos Aires - 6-7 Dezembro 2001 – Concordou-se com o encontro em Buenos Aires, de 6-7 dezembro 2001, no Seminário Teológico Batista Internacional, para focalizar as relações entre católicos e batistas na América Latina.
Três líderes batistas e nove líderes católicos tomaram parte nessa discussão. Os batistas incluíam dois líderes da ABM nos USA e outros participantes da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia e Venezuela. A delegação católica incluía o Card. Walter Kasper, Presidente do PCPCU e outros líderes do PCPCU, incluindo o Bispo Marc Ouellet - Secretário; Mons. John A. Radano e Frei Juan Usma Gómez, bem como outros participantes da Argentina, Brasil, Equador e Chile.
As reuniões foram co-presididas por Denton Lotz, Secretário geral da ABM e pelo card. Kasper. O primeiro dia, 6/12, foi dedicado aos “assuntos teológicos entre batistas e católicos na América Latina”. Foram feitas apresentações, no lado batista, pelo Dr. Tomás Mackey (Argentina), Dr. Fausto Vasconcelos (Brasil) e Josué Fonseca (Chile). Do lado católico, pelo Bispo Julio Teran Dutari (Equador), Ver. Jorge Sampaio OP (Argentina) e Gabrielle Cipriani (Brasil). Essas apresentações deram uma idéia do pano de fundo histórico às atuais relações entre os dois lados, especialmente às colisões entre ambos, bem como às perspectivas existentes entre ambos os lados, hoje em dia. Eles também mencionaram alguns dos assuntos trazidos à tona pelo Prof. Garrett, como aqueles em que os batistas e católicos precisam discutir em diálogo. Eles trouxeram ainda outros itens à superfície. Uma preocupação expressa pelo lado católico foi a de que alguns batistas na América Latina não reconhecem a identidade cristã dos católicos romanos. Uma preocupação dos batistas foi a de que os católicos algumas vezes os chamam de “seita”. Conquanto algumas mudanças para melhor tenham acontecido, ainda existem divergências e suspeitas de ambos os lados e existe a necessidade de um diálogo para informar os dois lados sobre as posições teológicas de cada um.
No segundo dia, a discussão foi focalizada sobre um documento entregue pelo Card. Kasper sobre o tema “O Conceito de ‘Comunhão’ como parâmetro, no qual discutirem-se os itens de preocupação”, tais como: Ministério Petrino, Dogma Mariano, etc. O Card. Kasper explorou a significação ecumênica da teologia da “comunhão”. Nesse contexto ele trouxe também alguns pontos iniciais que devem ser levados em consideração para a discussão de alguns itens sobre os quais os católicos e os batistas discordam. Contudo, ele não afirmou que iria dar um completo tratamento a essas questões, tendo isso ficado para um futuro diálogo. Uma resposta oficial do lado batista a esse documento da cardeal foi dada pelo Ver. Harold Segura Carmona, da Colômbia Teve lugar, então uma discussão aberta.
Na noite de 06/12, um culto de oração e da Palavra, aberto ao público, foi organizado na capela do Seminário Batista. Pessoas de várias tradições cristãs o assistiram, inclusive o Rev. Melida Ritchie, um pastor metodista da Argentina, ex-Vice Moderador do CMI, e o Dr. Norberto Padilha, Secretário para os Cultos do Governo na Argentina.
Algumas Observações - De um certo modo, esses dois dias de encontro foram exclusivos. Embora organizado pela ABM e pelo PCPCU, tendo reunido pela primeira vez alguns batistas e católicos de diferentes países da América Latina, ele não foi em estrito sentido um encontro regional da América Latina. A atmosfera foi cordial. Espera-se que alguns batistas e católicos vindos do mesmo país continuem em contato nos seus respectivos países e até encontrem um meio de se encontrarem em bases regulares. Isso ainda poderá ser visto.
No final do encontro, um dos batistas, Dr. Raul Scialabba, propor a idéia de algum tipo de “fórum” na América Latina, o qual poderá fortalecer esses contatos. Alguns se interessaram neste sentido. Contudo, não sabemos se isso vai acontecer.
Houve alguns momentos agitados nesse encontro. Em dado momento, membros de cada lado expressaram sua desaprovação pessoal diante de atitudes negativas geralmente expressas por membros de cada uma dessas comunidades cristãs.
Finalmente, esse foi um encontro proveitoso e importante sob vários aspectos. Por outro lado, foi um passo interino dado no sentido de se manter o contato entre a ABM e o PCPCU, nesse período de possibilidade de uma segunda fase do diálogo internacional. Esse encontro pôde colocar os batistas e os católicos em contato e se prossegue esse contato, ele ainda poderá ser mais frutífero. Contudo, um diálogo internacional será capaz de produzir um registro cuidadosamente e mutuamente feito (como aconteceu em 1990, na primeira fase), no qual os dois lados puderam declarar, por escrito, os aspectos da fé cristã por eles compartilhados e aqueles em que divergem. O tipo de registro que geralmente conduz a uma intensa reflexão, aceita por uma fase internacional do diálogo, a qual perdurará por alguns anos, não pode ser produzido por um rápido encontro de apenas dois dias. O registro de um diálogo seria uma fonte importante para se assistir a reconciliação entre essas duas comunidades cristãs, separadas por 400 anos. Ele proveria a racionalização teológica de que necessitam para que sejam dados passos para a reconciliação.
Felizmente, o encontro em Buenos Aires vai se tornar um passo para que seja criada a necessária confiança para esse tipo de diálogo internacional. (08/01/2002).
Tradução de Mary Schultze, junho 2005