A bonita Salomita
Hoje o culto ao Senhor, em nossa PIBT, foi abençoado com a presença de uma senhora de pele cor de chocolate, muito carismática no sorriso, inteligente e bonita, cujo nome faz jus à sabedoria com a qual foi dotada por Deus para o ministério de missões. Trata-se da pernambucana Salomita, cujo e-mail é miss_silinha@hotmail.com.
Antes do início do culto, sabendo que ela é pernambucana e tendo eu morado alguns anos no Recife (nos anos 1950), fui cumprimentá-la e logo ficamos amigas. Dei-lhe de presente o CD, que sempre levo para presentear os irmãos que encontro na Igreja, ou algum visitante com quem simpatize de cara.
Salomita é realmente um portento de sabedoria, de animação e de senso de humor. Ela é fantástica! Quando terminou sua palestra, comecei a bater palmas (coisa que raramente acontece em nossa discreta PIBT) e toda a Igreja me acompanhou no aplauso.
Salomita trabalha como missionária numa pequena cidade do interior de Pernambuco, a 120 km do Recife. A cidade é um exemplo da decadência moral, a qual predomina no interior do Brasil, onde as pessoas aprendem cedo a fumar e a beber, por falta de conhecimento bíblico, de opção de vida... Enfim, cidades onde o Catolicismo Romano predominou e deixou as pessoas mortas em seus delitos e pecados e na vida familiar e social, por ser uma religião que nada tem a oferecer em matéria de esperança no futuro. Nessas cidades (muitas delas dirigidas por políticos corruptos) vegetam pessoas infelizes, privadas de qualquer melhoria de vida possível, no contexto atual da civilização. A cidade, (cujo esdrúxulo nome esqueci) é uma grande produtora de bananas, daí por que as pessoas não morrem mais cedo... Pois, gastando o pouco dinheiro que recebe com a cachaça, muitas ficam sem alimento e precisam comer bananas para não desmaiarem de fome.
Quando ali chegou, Salomita precisou de uma casa para morar e começou a procurar uma que lhe servisse. A primeira ficava perto do cemitério; a segunda, do matadouro; e a terceira, do depósito de lixo, tão baixa que não poderia ser habitada por qualquer pessoa que tivesse mais de 1,40 de altura. Impossível se mudar para uma residência desse tipo. Finalmente, Deus se compadeceu da missionária e ela conseguiu uma casa razoável para se instalar. Foi quando descobriu que a maioria das mulheres (além dos homens e adolescentes) era constituída de bêbados contumazes. Em geral ver pessoas caídas na rua havia se tornado um fato tão corriqueiro que ninguém mais se admirava daquilo.
A missionária encontrou uma igreja entregue às baratas, com apenas seis membros, e quando começaram a aparecer algumas mulheres curiosas para assistir às suas pregações, estas vinham sempre embriagadas, obrigando a missionária a recebê-las, pacificamente, com um sorriso nos lábios e muito amor no coração.
Sabendo da falta de opção na cidade, onde quem mais lucrava era o dono do mercado vendedor de pinga, Salomita organizou cursos de crochê, bordado e pintura, a fim de ocupar aquelas mulheres, todas elas sedentas de alguma coisa que as tirasse do vício e lhes desse alguma dignidade. Às vezes elas chegavam tão embriagadas para o curso de pintura, que pintavam umas às outras, quando se desentendiam.
Salomita cuidou também dos adolescentes (muitos deles filhos de alcoólatras e já viciados no álcool e nas drogas), dando-lhes uma razão de viver, através de cursos de informática, da volta à escola e da criação de empregos (através das pessoas que tinham alguma influência na cidade) para esses jovens, antes sem qualquer perspectiva de vida.
Salomita conseguiu ainda tratamento psicológico e de desintoxicação para muitas mulheres alcoólatras, em um hospital do Recife, e as levava semanalmente de carro, cujo combustível (depois de muita oração e súplica) passou a ser doado pela prefeitura da cidade. Isso depois que o prefeito viu o resultado da atuação da missionária no contexto municipal, onde, segundo ele, até os próprios vereadores eram alcoólatras.
Hoje em dia, Salomita tem muitas famílias recuperadas na antiga cidade fantasma, freqüentando a Igreja (agora com mais de 70 pessoas indo aos cultos) e continua em sua luta pela recuperação de tantas almas que ainda não conheceram o poder do Evangelho e continuam militando no infernal exército dos vícios.
Salomita é uma perfeita praticante do Evangelho de Cristo. A verdade é que ela ama ao Senhor nosso Deus sobre todas as coisas e ama ao próximo como a si mesma. Ela cumpre cabalmente o que Paulo Apóstolo nos ensina em Gálatas 5:14: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
Quando encontro uma pessoa como Salomita, comparo-me com ela e vejo que não consigo chegar ao dedo mínimo do seu pé esquerdo. Que Mary Fútil possa meditar no valor missionário de pessoas como Salomita e fazer mais em prol de missões nacionais, pois nossos patrícios estão morrendo nos vícios, por falta de auxílio evangelístico e social. Se esses patrícios nossos persistirem até a morte, sem a salvação em Cristo, irão penar eternamente no inferno. Precisamos obedecer ao mandamento de Judas, o irmão carnal do Senhor Jesus Cristo, que diz:
“E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo...” (Judas 1:23).Que os irmãos na fé que lerem este artigo possam ajudar Salomita em sua luta por melhores condições de vida para aquelas pessoas, fazendo alguma doação financeira, para que ela compre linhas, agulhas, tinta, pincel e todo tipo de material necessário para que suas aulas continuem a retirar os viciados do caminho sem volta...
Mary Schultze, 30/09/2007.