Satírico por natureza

 

         Adoro receber e-mails dos “filhos” que pensam como eu, pois assim me sinto menos solitária neste mundo de utilitarismo e hipocrisia, que a igreja dita evangélica está atravessando.

Ultimamente, tenho usado muitas fábulas de Esopo para criticar certos segmentos neopentecostais (os carismáticos, que apelidei de “pentecas”) e também  pessoas que demonstram falta de caráter. Escrevi um artigo diferente - A Gata Surda - e mandei para alguns filhos virtuais, tendo recebido muitos comentários interessantes. Um deles foi de um satírico por natureza, o qual me contou as agruras pelas quais tem passado, em seu apê em São Paulo. Vamos citar suas palavras:

 

“Mamie:

Eu já ouvi e vi muita coisa estranha... Gato aleijado, cego, mudo... mas surdo, foi a primeira vez! Eu ainda acho que a senhora é descendente de Jó, porque suportar os berros da gata, a qual acha que ninguém os ouve, Deus me livre!

Eu já vi que se é para ser paciente para se ganhar o céu, estou frito e mal pago! Tenho uma vizinha aqui no terceiro andar (moro no segundo), que não sei onde acha tanto móvel para puxar!  E ela tem hora para isso. Só resolve puxar a cama, o sofá, e outros tantos móveis, exatamente às 08h45 da manhã, a hora que eu estou chegando da ‘Mondial’ e deito em minha caminha para tirar o mais perfeito cochilo de um bom trabalhador noturno.

Nas minhas folga (eu acho que ela conhece a minha escala de revezamento), ela muda o horário, mudando os seus móveis de lugar, às 07h30, a hora que estou no mais gostoso sono da noite! Ela arrasta, puxa, derruba tudo, e eu um louco do lado de cá, batendo no teto para ela ouvir e parar com isso. Um dia, cheguei até a portaria de pijama, a qual fica a 03 quadras do meu bloco (moro no 14 e esta fica no 1), reclamar desta senhora que não tem mais o que fazer. Ontem mesmo, liguei para a casa do Síndico e o acordei para me queixar do rapaz do 1º andar, que toca, pessimamente, o seu saxofone, não me deixando dormir... 

Bom, acho que a senhora tem muita paciência e tem razão, pois qualquer dia desses eu vou entrar em choque, também,  com a vizinha do andar de baixo, que tem tantos cachorros, que também devem ser surdos, porque eles latem em medidas desproporcionais para cachorros normais...”

 

Para minha alegria, fora a gata surda, não tenho problema algum neste prédio onde moro. No terceiro andar, onde moro (tendo preferido este, pois gosto de subir escadas), não tenho vizinho algum (imediato) do lado direito, nem do esquerdo. Depois desses dois apartamentos vazios, do lado esquerdo, moram duas senhoras, muito discretas e educadas. Do lado direito, ninguém. Em frente, mora uma família de gente educada e ao lado do apartamento desta, dois senhores (irmãos da PIBT) também muito discretos. Na cobertura, mora a zeladora, uma afro-descendente gentil e educada, que mantém o prédio, sempre limpo e perfumado... Como Terê é uma cidade serrana (com uma temperatura média anual de 18 graus), apropriada para época de veraneio, muitos apartamentos são usados somente nas férias, ou no verão do RJ.

O síndico é um grande amigo e, além do mais, meu dentista. Não freqüento a casa de vizinho algum, porém mantenho uma excelente relação de amizade com todos eles, alguns até vindo ao meu apê em busca de oração...

Louvo e glorifico o nosso Deus maravilhoso, porque tenho paz e segurança neste imóvel de apenas 50 metros quadrados, igual ao outro, no mesmo prédio, ambos comprados com o fruto de 36 anos de trabalho. Aqui resido no amor e na paz de Cristo, que excedem todo o entendimento. Acima de tudo isso, e até mesmo de minhas duas amadas filhas e cinco netos, coloco o meu grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Paulo tem razão: “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:19). “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4:7).

 

Mary Schultze, 19//03/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm