Sem lugar para a verdade

 

         A futilidade da vida moderna não provém da banalidade, mas da perda dos seus conceitos morais... Cristo parece oferecer muito pouco em matéria de satisfação a um mundo cada vez mais exigente. Este quer sempre mais novidades, tentando dar cada dia um passo à frente, na jornada do espírito humano.

        Onde fica a santidade de Deus, sem a qual a cruz de Cristo se torna incompreensível, santidade que provê a luz que expõe as trevas da modernidade pelo seu áureo significado em matéria de perdão?

        Os cristãos deixaram de olhar para Jesus, autor e consumador de nossa fé (Hebreus 12:2). Eles deixaram de focalizar a transcendência de Deus, para se fixar na Sua imanência (permeando toda a criação) e, em seguida, passando a interpretar essa imanência como um sinal de camaradagem e conseqüente modernidade.

        A perda da tradicional visão de Deus como um Ser por demais Santo é a chave para se entender a razão pela qual o pecado e a graça tornaram-se termos vazios de significação, totalmente divorciados da santidade divina.

1. - O pecado tornou-se um comportamento derrotista ou um desvio na etiqueta.

2. - A Graça é apenas uma retórica vazia de significação, uma piedosa janela conduzindo à visão de uma técnica moderna, pela qual os pecadores conseguem operar a própria salvação, visto como a Psicologia tem substituído os ensinos da Palavra de Deus.

3. - O evangelho se tornou indistinto de qualquer uma das variadas doutrinas de auto-ajuda.

         Não se deve esquecer que a santidade de Deus é a pedra fundamental da fé cristã, pois sem ela não teria havido a morte nem a ressurreição de Cristo para a nossa justificação.

        O nosso Deus - Majestoso e Santo em todo o Seu SER - tem desaparecido na igreja evangélica moderna. Ele foi substituído por um Deus disposto a satisfazer os cristãos e a Sua Palavra tornou-se um mero joguete com o qual se brinca nos cultos, sem a menor intenção de obediência. Ela é o moinho individual, no qual os cristãos podem moer suas necessidades religiosas e fazer bons negócios. Os pastores e suas raquíticas ovelhas se alimentam de palha seca, buscando a felicidade pessoal em vez da santificação de suas almas.

        Entre as inúmeras novidades que nos afastam da cruz temos os movimentos modernos de construção do “Reino Agora”, cuja base não é a santificação de vidas, mas o crescimento da igreja. Usando e abusando das curas milagrosas, da glossolalia, das visões e profecias, enfim dos sinais e maravilhas, a igreja tem inchado, atraindo multidões. As igreja modernas têm se transformado em casas de show, tornando-se verdadeiros clubes religiosos, dentro dos quais se exibem dons especiais, roupas elegantes e são feitos negócios lucrativos.

O chicote de Cristo virou peça de museu e agora os vendilhões do templo usam e abusam da interpretação da Palavra. Eles usam o Velho Testamento, a fim de encontrar meios de espiritualizar as pregações, obrigando os cristãos a cumprir alguns dos obsoletos mandamentos judaicos, aqueles que não custam além de um gesto de abrir a bolsa ou a carteira, na hora de entregar os dízimos e as ofertas.

O crente vai à igreja toda semana, exibindo suas roupas domingueiras; entrega dos seus dízimos e ofertas; então, sente-se feliz e realizado nos cultos, pois o Deus humanista é um Deus de Amor e Alegria!

O Deus da modernidade está corrompido na visão dos aquecedores de bancos. Eles ali estão em busca de pregações que lhes causem bem estar emocional. Ali estão em busca de satisfação pessoal, de melhoria de vida, um hábito semanal cumprido sem relutância, uma oportunidade de cantar corinhos antropocêntricos, de saber as novidades da semana. Ninguém mais vai à igreja simplesmente para adorar a Deus em espírito e em verdade. É bom estar ali,  para escutar música moderna embalando letras recheadas de puro humanismo, letras arrogantes em que são exigidos os direitos de “cidadão celestial”: “Quero todas as bênçãos... que Deus prometeu a Israel... Mas nenhum dos castigos... pela sua desobediência!... Deus é um Deus de Amor e imanência... Ele é um Deus de paciência, que só me dá leite e mel”... É isso aí!

        Talvez esteja na hora de Deus dar um basta em tanta modernidade; de Jesus voltar ao mundo para arrebatar os seus adoradores fiéis... E quando o Espírito Santo for retirado, Ele dará a este mundo a lição mais grave de toda a sua história!

 

Mary Schultze, 09/11/2007.

Artigo inspirado em trechos do livro “No Place for Truth”, de David F. Wells, Eeardmans, 1993).