UMA SERVA INÚTIL

 

         Domingo (19/02) o pastor da PIBT convidou para orar um missionário brasileiro que trabalha na África, ou melhor, “em África” como eles costumam falar. Gostei da oração e embora estivesse ainda marcada pela recente cirurgia de pálpebras, quando ele passou perto do banco onde eu estava sentada, fiz um sinal para lhe falar depois do culto. Só que ele estaria tão rodeado de irmãos abraçando-o que achei melhor vir para casa e deixei um recado (desculpando-me por não esperá-lo) e um CD com uma boa parte do meu material.

         No dia seguinte (ontem), ele me telefonou dizendo que tinha lido alguns trabalhos do CD e havia gostado tanto que ficaria feliz se eu lhe permitisse usar o conteúdo do CD no Instituto Bíblico, em Welkome [África do Sul],  onde ele e a esposa ensinam a Palavra de Deus, formando obreiros africanos para pregar o Evangelho no país. Respondi que tudo que eu traduzo e escrevo é para a glória do Senhor e para a edificação dos irmãos; portanto, ele poderia usar o que achasse interessante.

         De repente, ele perguntou se eu não me lembrava dele, pois me conhecia há mais de 20 anos, quando era seminarista no Seminário do Sul e membro da Igreja Batista, da qual o Pr. Fernando Batista era o pastor, em Jardim Primavera, numa avenida, bem atrás da minha empresa de cosméticos. Respondi que não me lembrava. Ele começou a relembrar coisas daquele tempo (quando eu ainda era presbiteriana, estudava num seminário batista e algumas vezes ia à igreja onde ele congregava, por ser grande amiga do Pr. Fernando). A conversa foi tão agradável e ele sabia tanto a meu respeito (havia até lido meus livros editados daquele tempo) que o convidei (junto com a esposa Vanusa) para um almoço hoje no Oswaldo.

         Ficamos juntos de meio dia até as 4 horas e tivemos uma tarde bem agradável, pois PP veio lanchar conosco, tendo aproveitado para revisar a tradução do artigo “Conhecendo Deus”, para ser enviado aos amigos.

         Durante o almoço, o missionário, que é um jovem inteligente, formado em Advocacia e Teologia, me fez uma proposta inusitada: ir para a África do Sul com ele e a família (em abril) para ficar um ano pregando e lecionando Teologia no instituo bíblico (bilíngüe) em Welkome, cidade onde eles trabalham. Minha reação foi rir da proposta, que ele fez com uma cara muito séria. Falei que estou idosa demais para esse tipo de aventura; que sou uma simples missionária do teclado; não gosto de pregar, nem de lecionar e muito menos gostaria de morar na África, um país muito quente. Ele depressa me corrigiu dizendo que a temperatura média anual naquela cidade (colonizada por holandeses) é bem mais baixa do que a de Teresópolis e quando chega o inverno a temperatura cai até 4 graus negativos.

         Imaginem eu, já esperando ser bisavó (quando a neta Lu ganhar o primeiro filho), viajando para trabalhar como missionária “em África”! Seria uma loucura tão grande que até poderia dar uma reportagem no “Fantástico”.

         Vou ficando por aqui... Malhando o Catolicismo Romano, os pastores das igrejas malaquianas, fazendo traduções de Inglês e escrevendo meus livros e artigos, que tanto incomodam os pastores modernos, ávidos de fama, riqueza e poder. (Hoje eu soube que um desses malaquianos astros da TV, o mesmo que adquiriu há pouco tempo um carrão de 300 mil Reais,  comprou alguns diplomas de doutorado em Teologia e outras disciplinas ao tal “vendedor” de diplomas, cujo e-mail é “apostolomartins7@yahoo.com.br“. (Vocês já imaginaram o Apóstolo Paulo vendendo títulos eclesiásticos aos cristãos primitivos, por algumas centenas de denários?)

         De qualquer forma, esse convite me elevou a auto-estima (exatamente como naquele dia, na Alemanha, quando um “boche” comentou, jocosamente,  que eu estava falando Alemão com sotaque húngaro). Ora, mesmo vivendo escondidinha aqui em Terê, num modesto apê de 50 metros quadrados, num prédio de classe média baixa (quase em frente à Prefeitura da cidade), trabalhando como tradutora voluntária do CPR, continuo arranjando amigos e filhos espirituais, exatamente como no tempo em que meu marido era presidente do Rotary Club, eu recebia os visitantes saudando-os com versos repentistas e eles me achavam “fora de série”. E quando iam até o Schultze, me cobrindo de elogios, ele sempre respondia, fleumaticamente: “Sim, sim, meu múlher é melhor do que nada!”

         Quando conto esse tipo de aventura à minha filha alemã, ela comenta: “Mãinha, você nasceu para ser uma estrela!”

         Ora, não quero ser estrela, coisa nenhuma! Quero apenas viver tranqüilamente em meu cantinho, sentindo-me totalmente realizada em ser uma serva inútil do meu grande Deus e Salvador Jesus Cristo!

 

Mary Schultze, 21/02/2007.

http://www.cpr.org.br/Mary.htm