Muçulmano ou espírito maligno?

Vou falar de uma senhora de 77 anos, que tem chapinhado no Espiritismo Kardecista por mais de 50 anos  e que, nos últimos anos, começou a ter estranhas visões.

Ela vive repetindo (a mim e ao Pr. Paulo, um pastor batista especialista em seitas) uma história dizendo que tem sido constantemente perseguida por um ser estranho, um muçulmano, que entra em sua casa (mesmo fechada), revira a papelada, suja a cozinha de pó de café e outro tipo de lixo, desfaz a cama, senta perto dela nos ônibus, sempre que ela viaja do RJ para Teresópolis, e costuma entrar nos dois apartamentos (do RJ e de Terê), quando ela não está em casa. Diz que ele muda de aparência conforme o local onde a persegue, mas garante que se trata de um muçulmano. Ela já se queixou várias vezes à polícia, mas os policiais não a levam a sério, provavelmente achando que ela esteja esclerosada.

Não sou pentecostal, portanto não tenho fixação por demônios, mas o caso desta senhora me deixa meio desconfiada, pois, a não ser que ela esteja realmente perturbada, deve estar sendo visitada por um espírito maligno.

Ela vem sempre aqui em casa e, muitas vezes, pergunta tudo sobre Judaísmo, o que é bom, pois aproveito para ler os profetas menores e mostrar como Israel vai governar o mundo através do seu Messias, Jesus Cristo. Só que, quando menciono o Nome de Jesus, o Criador e Supremo Regente do universo, ela fica transtornada e até agressiva. Fala horrores contra o Senhor, zomba do nascimento virginal e nega ostensivamente a Sua Divindade.

Quando ela vem a Terê e toca o interfone, eu já fico me sentindo insegura, pois sei que ali vem bomba. Duas vezes ela já recebeu o “santo” em meu apartamento, grunhiu e gritou coisas horrendas contra mim, a ponto de me deixar envergonhada com uma visita (a do Paulo Cristiano do CACP) e com a vizinhança, com as coisas tenebrosas ditas contra a minha moral.

O que me deixa perplexa é que, quanto mais ela me injuria, mais calma eu fico, sentindo uma piedade enorme do seu estado. Acho que nesses momentos o Espírito de Deus me assiste na fraqueza e até me leva a orar por ela, sem o menor ressentimento (Romanos 8:26).

Alguns irmãos já me aconselharam a não mais recebê-la aqui em casa, mas não posso. Ela foi criada por uma avó analfabeta, (numa cidade chamada Vicência, interior de Pernambuco) teve dois irmãos mais velhos que nunca a apoiaram (um deles é presbiteriano e mora em Salvador e o outro já faleceu). Juntou-se (por alguns meses) com um americano com idade de ser seu pai, com quem teve uma filha, a qual jamais lhe deu apoio, segundo ela se queixa.

Foi durante muitos anos funcionária do INCRA e aposentou-se com uma pensão que lhe permite viver confortavelmente e até comprou dois apartamentos (ambos de quarto e sala) com as economias que faz. Como não gosta de roupas finas, calçados  e jóias (como a Mary Fútil), o dinheiro guardado na poupança dá para comprar imóveis, que ficarão para a filha ingrata.

Ela é  uma das pessoas mais corretas que encontrei em toda a minha vida em matéria de dinheiro. É incapaz de explorar uma pessoa sequer num centavo. Tem uma boa cultura geral, é ótima no vernáculo, porém é difícil dialogar com ela, por ser meio surda e dificilmente aceitar o que se fala... Repete uma história várias vezes e quando tentamos argumentar, ela fica amuada e grosseira.

Amados irmãos em Cristo, por favor, orem pela conversão desta senhora, por quem tenho orado desde que me converti, há quase 29 anos. Ela precisa muito de orações e eu gostaria de vê-la no céu, pois, mesmo sofrendo agressões verbais da parte dela durante muitos anos, eu continuo amando-a com amor ágape, do tipo que  “não é invejoso... não trata com leviandade, não se ensoberbece...

não busca os seus interesses ... não se irrita, não suspeita mal... Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade...Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13:4-7).  O apelido dela é Solly.

Mary Schultze, janeiro 2007.

http://www.cpr.org.br/Mary.htm