Harry Potter & Cia.
O escritor americano T. A. McMahon escreve na "Berean Call Letter" de março 2002 um artigo instrutivo e edificante sobre a tolerância à bruxaria da parte dos pastores americanos [e eu diria, também, brasileiros] da atualidade. Traduzimos o artigo para os nossos amigos que não falam Inglês.
O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, diz que devemos ter a mente de Cristo. Quando ele diz que devemos, também quer dizer que podemos.
Obviamente isso não significa que possamos desenvolver uma mente com a mesma capacidade do Senhor, o qual é não apenas um homem perfeito e sem pecado algum, mas é também o Deus Infinito, Criador e Sustentador do universo, conforme Hebreus 1:3.
Até mesmo em seus melhores dias não é esse o estofo dos seres humanos finitos, pecadores, decaídos e perdidos. Contudo, podemos nos esforçar para desenvolver a mesma espécie de atitude em relação às coisas que Jesus fez. Filipenses 2:6-8 deixa bem claro que a mente do verso 5 se refere às Suas atitudes de humildade. Além disso, o vocábulo grego para "mente" no verso 5 (phroneo) é usado em outras partes com a significação de observar, de salvar e de pensar. Em Colossenses 3:2 o vocábulo "phroneo" é traduzido como afeição, quando somos instruídos a "pensar nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra". A implicação aqui é que nossas mentes precisam ter uma predisposição na direção e, até mesmo, uma paixão pelas coisas de Deus.
Cada vez mais, nos dias de hoje, após ter lido sobre este assunto, temos ouvido falar e observado cristãos altamente respeitáveis comprometendo a sua fé em relação às falsas religiões e às práticas ocultistas e nos quedamos passivos, em vez de gritar bem alto: "Onde estão as vossas mentes?"
Observo que existem publicações que não são tão simples como gostaríamos que fossem e as verdades centradas em Cristo nem sempre têm a mesma opinião com referência a determinados pontos da doutrina bíblica. Por outro lado, estamos vendo hoje um tremendo e chocante desrespeito aos ensinos simples e fundamentais da Bíblia por aqueles que se autodenominam cristãos bíblicos.
A reação anti-bíblica e impensada de certos pastores que se apressam em favor dos líderes islâmicos, supostamente moderados, desde o dia 11/09/2001, tem sido comum demais para que neles possamos confiar. Sob a alegação de "manter o respeito pela religião dos outros", muitas igrejas evangélicas têm permitidos que os clérigos muçulmanos falem em seus púlpitos e que os muçulmanos possam ter comunhão e compartilhem a sua fé nos cultos das igrejas, até mesmo nos almoços comunitários. Será que isso significa um forte discernimento bíblico? Dificilmente! Será que existe um só resquício de respeito por outra religião, nos 66 livros da Bíblia? Nenhum! Será que a Bíblia nos comanda a amar os muçulmanos desse modo? Claro que não! Pois amá-los biblicamente significa tratá-los pessoalmente como aqueles a quem Cristo ama e por quem Ele deu a vida.
Precisamos refletir o amor de Cristo em todas as nossas instruções para eles. Pois é a antítese do amor levar-lhes explícita ou implicitamente, a falsa mensagem de que a sua religião possa fazer qualquer outra coisa que não seja conduzi-los ao inferno, por toda a eternidade.
O Islã rejeita o Jesus da Bíblia. Rejeita a Sua divindade, a Sua morte, sepultamento e ressurreição como sendo o resgate total dos pecados da humanidade, anulando, desse modo, a afirmação de Jesus, conforme João 14:6: "Eu sou o caminho e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim". O [Islã chama Jesus de mentiroso]. Chegar à conclusão de que o Islã rejeita o único caminho oferecido por Deus Pai não requer grau algum de Ph.D em Teologia. Então, onde estão as mentes de tantos líderes evangélicos [que têm agido como os muçulmanos pudessem ser salvos sem Cristo?]
Será que Bill Hybels, pastor da Igreja Comunitária de Willow Creek [a maior da América], o qual é considerado um gênio por trás do crescente movimento do "cultivo da amizade" não passou uma borracha nos fundamentos bíblicos da fé? Um mês após a tragédia de 11/09/2001, o clérigo muçulmano Fissal Hammoud compartilhou com Hybels o púlpito de sua igreja, numa discussão sobre o islã. O imã e o pastor discutiram sobre os fortes laços existentes entre os cristãos, o Cristianismo e o Islamismo, o que deixou a congregação bastante impressionada. Ali os membros aprenderam com o charmoso Hammoud que a "jihad" é quase sempre uma "guerra santa" individual, no sentido de sobrepujar a fraqueza pessoal, como se fosse uma suave mordida. É serio? Hybels estava preocupado no sentido de que "existem alguns cristãos espalhando rumores e meias verdades de que o Corão encoraja a violência". Pode ser que o Pr. Hybels jamais tenha lido muitos versos do Corão apoiando a violência armada (especialmente como meio de recompensa temporal e eterna) e, por isso, esteja tão mal informado. Contudo, quando ele declarou que os muçulmanos crêem em Jesus, mais do que os próprios cristãos, ele caiu em desagrado. Só que ele não teve a coragem de dizer que o "Jesus" do Islã é um personagem inventado por Maomé e não pode dar salvação alguma a quem quer que seja.
A carência de informação da parte desse pastor teve sérias conseqüências. Quantos, dentre os milhares que assistiram aquele culto do "cultivo da amizade", dali saíram com o mesmo sentimento entusiástico notado num dos membros da igreja: "Pois não é que eles crêem em Jesus e eu não sabia disso?" (Chicago Tribune, 10/12/01). E o que dizer de tantos que ali foram em busca da verdade?
O mentor do ministério de Hybels é nada menos que o Pr. Robert Schuller, cujo comprometimento com o Islã é por demais conhecido. Desde pregar pessoalmente numa mesquita do Grand Mufti em Damasco, até permitir que o filho desse líder muçulmano use o seu púlpito, Robert Schuller não deixa dúvida alguma sobre a sua simpatia pela religião de Maomé a todos os que patrocinam a "paz entre cristãos e muçulmanos", em sua Catedral de Cristal. [abençoada pelo Papa JP2].
Gostaríamos de saber onde estão as mentes desses pastores pró-Islã. Exatamente pode-se deduzir, por uma declaração feita oficialmente na Sociedade Muçulmana Americana, onde Schuller declarou que se pudesse regressar cem anos e encontrar no passado alguns ascendentes muçulmanos, isso não o aborreceria (Newsday, 31/08/1997). Quem sabe Schuller tem sido influenciado pelo seu grande amigo Billy Graham, que afirmou: "Acho também que o Islã tem sido mal compreendido e que Maomé tem grande respeito por Jesus...E ainda acho que estamos mais perto do islã do que imaginamos..." (Talking with David Frost, 30/05/1997).
Conquanto pastores famosos como Hybels e Schuller sejam raros entre os que têm comprometido os princípios básicos da fé cristã, certamente a sua influência entre os evangélicos não pode ser questionada. [A tradutora foi muito influenciada por Schuller, nos primeiros anos de sua conversão, quando lia os seus livrinhos de pensamento positivo ocultista. Mas a leitura sistemática da Palavra de Deus libertou-a dessa influência.
Como já dissemos, a Igreja Comunitária de Willow Creek é a maior da América. A "Hora do Poder" de Schuller, que Billy Graham ajudou a iniciar e à qual ele continua, entusiasticamente, dando apoio é o programa evangélico No. 1 da TV mundial. Aqui se levanta outra questão problemática. Como estão as mentes das ovelhas desses pastores e dos milhares de pastores que freqüentam as suas conferências? Na melhor das hipóteses devem estar todas elas(mentes) confusas a respeito do simples evangelho bíblico do Senhor Jesus Cristo.
Outro indicador das mentes cristãs evangélicas tem sido a sua reação favorável à série de livros e ao filme Harry Potter. Segundo a nossa transmissão ao vivo do programa "Search the Scripture Daily" (Examinem Diariamente as Escrituras), no qual a autora de Harry Potter, R.K. Rowling, era o assunto principal, uma jovem desgostosa telefonou para dizer que a maioria dos seus professores e amigos na escola eram fãs do Harry Potter. Onde estão as mentes dessa gente? Provavelmente no mesmo lugar onde estão as dos líderes evangélicos altamente influenciáveis, como Chuck Colson e James Dobson .
Colson elogiou os atributos morais dos livros, tais como: "coragem, lealdade e disposição de sacrificar-se pelos outros, não como as lições de um mundo autocentrado". Numa admirável combinação de ignorância e racionalização, ele declarou ainda que Harry Potter é "puramente mecânico e até se opõe ao ocultismo." Isso quer dizer que Harry Potter e seus amigos lançam maldições e bolas vermelhas de cristal, se voltam para os animais e, contudo, isso não significa qualquer contato com as forças sobrenaturais (Peoria Journal Star, 17/11/01).
Algum tempo depois, num comentário do "Breakpoint" entre companheiros de prisão (onde havia alguns a favor do Harry Potter), Colson modificou a sua posição, dizendo: "Eu, pessoalmente, não recomendo os livros nem o filme Harry Potter..." Será que ele teve um lampejo subsequente de convicção moral? Talvez... Porém continuou essa declaração recomendando que eles lessem o livro de Connie Neal - "What Has a Christian Today to Do With Harry Potter?" como um auxílio ao discernimento, conforme o Breakpoint, 11/11/01. Um entrevistador descreveu-a como uma "cristã nascida de novo" e a mais conhecida proponente de R.K. Rowling. Conquanto ela imagine estar no topo da lista, tem muita companhia. Um editorial do Christianity Today explicou: "A autora Rowling criou um mundo com o bem e o mal reais e Harry está, definitivamente, do lado da luz , lutando contra os poderes das trevas" (The News & Observer, Raleigh, NC, 31/12/01).
Então, vamos dizer um cordial "Amém" à bruxaria branca. Um professor do Wheaton College, Allan Jacobs, parece estar dizendo exatamente o mesmo, com a seguinte declaração: "A questão sobre como agir com os poderes mágicos da série Harry Potter é explorada de maneira apropriada e moralmente séria." Incrível! A escola de Jacobs é descrita no mesmo artigo secular como a '"Harvard Evangélica".
Deixando de lado a ironia, como poderíamos entender a palavra inspirada pelo Espírito Santo ao profeta Samuel, que diz: "Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria? (1 Samuel 15:23). O contexto da censura de Samuel contra o Rei Saul tem a ver com a obediência. Deus havia dado a Saul instruções específicas contra o que ele se rebelou, isto é, desobedeceu. Leiam as desculpas de Saul, quando confrontado pelo profeta em 1 Samuel 15:15: "... De Abimeleque as trouxeram; porque o povo poupou ao melhor das ovelhas, e das vacas, para oferecer ao Senhor teu Deus; o resto, porém, temos destruído totalmente". Esse líder do povo se acomodava e racionalizava e com o mesmo povo iria usar o que Deus lhe havia dito, que era "destruir absolutamente", como um meio de glorificá-lo.
O Focus de James Dobson sobre o Ministério da Família tem agradado a fonte mais popular da direção entre os evangélicos, no que se relaciona a uma posição sobre Harry Potter. O mais compreensível é "O Que vamos fazer com Harry Potter?" , citado no Peonia Journal Star, de 17/11/01, o qual apresenta uma forte semelhança com a racionalização de Saul. Isso, é claro, agrada ao povo. Aí são apresentadas razões convincentes, tanto para apreciar como para depreciar Harry Potter, Colson jogando ao mesmo tempo dos dois lados.
Muito significativamente o artigo exorta os leitores a usar os livros e o filme como um meio de "casar a cultura com uma inteireza de pensamento cristão"., quando diz: "Temos adotado uma visão simplista demais sobre como deve ser a nossa reação aos problemáticos elementos de Harry Potter". (Este é o suporte mental fundamental do Focus sobre a defesa da Psicoterapia familiar cristã). O artigo que é, no mínimo, confuso, é por demais subversivo em relação à Bíblia, quando reconhece que Deus odeia a prática da feitiçaria (Deuteronômio 18:10|). Mesmo assim, ele evita o simples, embora crítico item da obediência à Palavra de Deus. Como pode alguém contrabalançar a obediência?. Por isso, mais uma vez, indagamos: Onde estão as mentes desses líderes evangélicos?
Muito freqüentemente, o desdenhar das simples respostas tem levado esses críticos da supremacia das Escrituras a fugir de "tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude" (2 Pedro 1:3).
A tendência mais popular de ajudar as pessoas é o fato de que o programa dos Doze Passos está sendo usado em muitas igrejas evangélicas, programa esse originário da fundação dos Alcoólicos Anônimos. Certamente é bíblico que os cristãos ajudem as pessoas. Contudo, os cristãos, conforme a implicação deste nome, devem ajudar as pessoas usando o Manuel de Ensino Cristão, a Palavra de Deus. Isso engloba a obediência irrestrita ao Deus que nos fala. E também envolve uma rejeição ao que Ele rejeita.
A biografia oficial dos Alcoólicos Anônimos nos conta que Billy Wilson recebeu esses Doze Passos por intermédio de um espírito. A Escritura condena terminantemente qualquer comunicação com espíritos familiares. O segundo e o terceiro passos ensinam que nos voltemos para um Poder Maior, para Deus, conforme o entendemos. Qualquer Poder Maior? Sim. Uma idéia de Deus? Sim. Isso quer dizer uma idéia hinduísta, budista, muçulmana, animista, satanista [Será esse o Deus da Bíblia?] Claro que não. Que tal falarmos de Jesus Cristo como um Poder Maior? Ótimo. Contudo, somente se a pessoa que o fizer respeite também os demais "poderes maiores".
Será que alguém pode discernir o problema da idolatria aqui incluso?
E o que dizer dos evangélicos que estão usando a metodologia dos espíritos familiares ensinada por Bill Wilson? Muito simples. Deus condena a procedência e esse contato é contrário ao que Ele deseja para a transformação de nossas vidas. Além disso, por que voltar a esse sistema espiritualmente tóxico? Onde estão as mentes desses pastores?
Busquemos as coisas lá do alto. Como é possível que os crentes nos quais habita o Espírito Santo possam estar tão cegos aos simples e claros ensinos das Escrituras? Vamos a um exemplo contundente. Como pôde um homem como Salomão, o mais sábio da terra, depois de Jesus, (1 Reis 3:12), o qual foi usado pelo Espírito Santo para escrever três livros da Bíblia, se tornar tão cego diante do pecado e da gravidade da idolatria, tendo mais tarde arcado com as piores conseqüências? A resposta é que até mesmo a sua sagrada sabedoria não pôde guardar o coração dele em retidão diante do Senhor. Em Jó 28:28 lemos: "...Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência". Salomão era incrivelmente seletivo em relação a certas coisas de sua vida, no que se referia a dobrar-se diante do Senhor. Ele não tinha a mente de Cristo [daí ter-se tornado um tipo de Anticristo] em relação a todas as coisas, isto é, atitudes, afeições, etc. Ele não era totalmente devotado ao Senhor, colocando em primeiro lugar a obediência a Ele.
A sabedoria e o conhecimento são tremendamente importantes. Contudo, o desvio de alguém que deseja fazer a vontade de Deus faz com que distorcemos as coisas no sentido de satisfazer a nossa concupiscência.
Oremos pelos pastores da atualidade, os quais estão sucumbindo a tudo em matéria de soberba da vida e de concupiscência da carne (1 João 2:16), especialmente com as suas ovelhas, para que eles (bem como todos nós) possam ter a mente de Cristo, o essencial para um coração poder conhecer e obedecer a verdade [que nos liberta da feitiçaria, que chega disfarçada de um garoto com aparência inofensiva chamado Harry Potter e começa a mudar a nossa mente em direção oposta à mente de Cristo].
T. A. McMahon/Mary Schultze
"Berean Call Letter", março 2002