Nós o veremos... 

(1 João 3:2)

 

         Existem muitas provas, que não podem ser refutadas, de que a Bíblia é a Palavra de Deus, o Criador da humanidade e do imensurável universo, no qual vivemos. Embora centenas de infalíveis profecias bíblicas sejam a prova mais forte, uma das mais admiráveis é a óbvia consistência encontrada na Escritura, de Gênesis até Apocalipse. Convém lembrar que a maioria dos profetas através dos quais ela foi escrita viveu em tempos diferentes da história, em culturas diferentes, jamais tendo se encontrado. A única explicação racional para tal consistência é o que cada um deles declarou a uma só voz: que foi inspirado pelo único Deus verdadeiro. Tais declarações não foram ocultas nem declaradas com hesitação, mas foram ousada e constantemente afirmadas.

         Por exemplo, somente no Pentateuco é feita literalmente centenas de vezes a declaração de que Moisés estava registrando o que Deus lhe havia falado diretamente, face a face (Êxodo 33:11; Números 14:14; Deuteronômio 5:2-5; 34:10). Os profetas bíblicos não foram indiretamente inspirados através de um anjo (Conforme Maomé e Joseph Smith afirmam ter sido), mas declararam ter recebido sua inspiração pessoalmente do próprio Deus. Do mesmo modo que Moisés, outros profetas de Israel, de Isaías até Malaquias, fizeram centenas de vezes essa mesma afirmação. Mais de 60 vezes Ezequiel declara: “Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel”, com a ordem de transmiti-la à humanidade. Isso mesmo aconteceu com os outros profetas bíblicos.

         Acredita-se que o Livro de Jó é o mais antigo da Bíblia. Mesmo assim, os temas principais da Redenção, Ressurreição e Segunda Vinda são nele claramente expressos.  Isso é feito em perfeita harmonia com tudo que seria declarado pelos profetas de Deus, nas páginas seguintes da Escritura, durante mais de 1.600 anos. Considerem esta poderosa e contundente declaração de Jó, no capítulo 19, versos 25-27:

         “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros o contemplarão; e por isso os meus rins se consomem no meu interior”. [N.T. - Uma certeza eu já tive, / quando Jesus encontrei: / sei que o meu Redentor vive /  e eu também viverei!].

         Aqui, Jó declara que o seu corpo físico será ressuscitado, mesmo após ter sido devorado pelos vermes, no túmulo. Ele também sabe que o Redentor, Que vai tornar isso possível, é o Ser eterno, Que um dia virá à Terra e que ele (Jó), em seu corpo ressuscitado, verá o próprio Deus infinito. O mesmo deve acontecer conosco. Esta é uma perspectiva assombrosa e até mesmo aterrorizante, a qual, se fosse mais real para nós, poderia transformar nossas vidas. 

         Poderia o Redentor, também chamado Salvador, ao Qual Jó se refere, ser realmente Deus? Ele não o diz diretamente, mas a implicação aqui se encontra, como os profetas posteriores. Isaías deixa isso muito claro, conforme Isaías 43:11 e 45:22:

         “Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há Salvador... Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro”.

         Então, Deus, o Criador de todas as coisas, é o Salvador que se tornou homem através do nascimento virginal e morreu na cruz pelos nossos pecados. Será possível?

         Os profetas que viveram depois de Jó, quando escreveram a Escritura adicional, acrescentaram detalhes sobre detalhes, porém jamais contradisseram o que antes fora dito ou o que seria dito mais tarde. Em muitos casos eles contribuíram com Escrituras adicionais, mesmo sem ter visto o que antes havia sido declarado, e sem jamais terem entrado em contradição alguma. Pelo contrário, não existem quaisquer profecias no Alcorão, no Vedas Hindu e no Bhagavad-Gita falando de Buda, Confúcio, ou nas demais escrituras de outras religiões; todas elas repletas de contradições internas. A profecia é uma exclusividade da Bíblia, sendo uma prova importante, a qual tem sido desprezada, hoje em dia,  pela maioria dos pregadores e apologistas “cristãos”.

         Vamos focalizar a perfeita consistência interna da Bíblia. A primeira menção do nascimento virginal do Redentor/Messias/Salvador (chamado semente da mulher) vindo à Terra é encontrada no pronunciamento divino contra a serpente que havia enganado Eva: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). A rebelião trouxe a morte não somente a Adão e Eva, mas a todos os seus descendentes, separando a humanidade do seu Criador. A reconciliação temporária com Deus era concedida através da morte de animais sacrificados; os primeiros a ser sacrificados foram para Deus conseguir peles com as quais Ele iria cobrir a nudez de Adão e Eva, quando os expulsou do Jardim e deles retirou Sua presença (Gênesis 3:21-24); mais tarde, no cordeiro que Abel, e talvez Adão e Eva, ofereceram em sacrifício para cobrir os seus pecados, até que viesse o Messias, a fim de pagar totalmente a penalidade do pecado (Gênesis 4:4 versus Gálatas 4:4).

         Mais tarde, o mistério do Redentor é revelado em Isaías 9:6:

         “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

            O Filho e o Pai são um, conforme disse Jesus em João 10:30. Este único Ser eterno, o Qual dura de eternidade a eternidade, seria aclamado Messias (Zacarias 9:9), exatamente 483 anos (Daniel 9:24-26) após ter sido dada a ordem para Jerusalém ser restaurada de sua destruição por Nabucodonosor. Esse édito pelo imperador mundial Artaxerxes Longímanus foi proclamado no primeiro dia de Nisan, 445 anos a.C. (Neemias 2:1-10). O cumprimento desta profecia, portanto, teria de acontecer no dia 06/04/0032 d.C. Esse exato dia é celebrado como o Domingo de Ramos - dia em que Jesus entrou em Jerusalém.

         O tema do Cordeiro, que se inicia em Gênesis com a promessa da vinda do Messias, o Qual pagaria a penalidade dos pecados da humanidade, é progressivo e consistentemente desenvolvido pelos profetas e apóstolos, através de toda a Bíblia, no Velho e no Novo Testamentos. A libertação de Israel do cativeiro no Egito foi feita através do sangue do Cordeiro de Páscoa. A promessa da Redenção através de Alguém, que viria para morrer pelos nossos pecados, prosseguiu através dos sacrifícios levíticos.  Seu cumprimento no Messias começou a tomar forma com a declaração de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29) e irá culminar com o céu focalizando o assassinato do Cordeiro pelos pecados do mundo (Apocalipse 5 e 6) e com o eterno trono de Deus finalmente revelado para ser o “Trono de Deus e do Cordeiro”. (Apocalipse 22:1).

         Apesar da profetizada recepção entusiástica dada a Jesus de Nazaré, no primeiro Domingo de Ramos, os profetas haviam predito que o Messias seria logo traído e vendido por 30 moedas de prata (Zacarias 11:12-13), rejeitado pelo Seu próprio povo e crucificado (Salmos 22:14-16). Esta profecia fora entregue 500 anos antes de ser conhecido o uso da crucificação. Os profetas também declararam que três dias após Sua morte, o Messias iria ressuscitar dos mortos e apresentar-se-ia aos discípulos durante 40 dias, para depois subir ao céu.

         Ninguém poderia qualificar-se como o Redentor prometido sem cumprir todas estas e muitas outras profecias. Não existem rivais que ofereçam tais credenciais messiânicas. Estas profecias e muitas outras entregues na Bíblia, para identificar o Messias, foram todas cumpridas, além de qualquer argumento, por um único Homem. As muitas irrefutáveis profecias e o seu cumprimento comprovam que Jesus Cristo, e somente ele, é o Messias. Contudo, muitos judeus até hoje se recusam a aceitar o que os seus próprios profetas predisseram e continuam na incredulidade, como também acontece com a maioria dos gentios.

         Ao pregar o evangelho para os seus contemporâneos judeus, após a Ressurreição de Cristo, os apóstolos recitaram estas e inúmeras outras detalhadas profecias, entregues com antecedência, a fim de que o Messias fosse reconhecido corretamente quando viesse.  Elas apontavam para o que todos em Jerusalém sabiam: que essas profecias dadas séculos e até milênios antes, para identificar o Messias, haviam todas elas sido cumpridas na vida, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré. Durante dois milênios estes fatos têm sido o sólido fundamento da fé cristã - que Jesus de Nazaré é o Messias de Israel, o Salvador do mundo, o Qual foi crucificado pelos nossos pecados, ressuscitado gloriosamente e agora está assentado à destra do Pai, no céu. E que um dia Ele voltará para arrebatar os Seus, para com Ele ficarem, eternamente, na casa do Pai. Ele também virá julgar e castigar os que não se arrependeram e não confiaram nEle, uma parte do evangelho que tem sido ultimamente tão desconsiderada!

         Apresentar essas provas foi o modus operandi dos apóstolos, quando pregavam o evangelho (Atos 17:2-3) e esta continua sendo a maneira, embora negligenciada, pela qual devemos pregar o evangelho ainda hoje. Inacreditavelmente, o fundamento profético do evangelho tem sido escassamente exposto pelos pregadores, pastores e evangelistas. Em vez do mesmo, têm sido apresentados às almas perdidas os testemunhos de celebridades e atletas, com o convite de que se aceite o “diálogo” [inter-religioso], como se a imutável Verdade pudesse ser revisada, a fim de tornar-se aceitável a uma suposta geração pós-moderna. A única “Escritura” que tem sido entregue à maior parte das inseguras almas de hoje encontra-se nas corrompidas e parafraseadas edições da Bíblia, a qual tem sido reescrita, a fim de eliminar a convicção de pecado, fomentando a rebelião daqueles que insistem em ter o evangelho modificado, a fim de adaptá-lo à sua descrença [na exclusividade de Cristo]. Contudo, Deus não compactua com a rebelião!

         A respeito destes homens, diz a Escritura Sagrada: “Não há temor de Deus perante os seus olhos (Salmos 36:1 e Romanos 3:18). Esta condenação se aplica também aos tele-evangelistas, bem como aos seus seguidores, cujos ouvidos eles agradam. Se eles, de fato, acreditassem no Deus único e verdadeiro, não agiriam em seus ministérios e em suas vidas com uma falsa crença, como o fazem Benny Hinn, Oral Roberts, Kenneth e Gloria Copeland, Pat Roberts, os dois Robert Schuller (pai e filho), os Crouches, e tantos outros, os quais, iguais a eles, se enaltecem uns aos outros, zombando da eterna Verdade de Deus, comprovando que eles realmente não crêem em Deus, nem esperam que Jesus volte um dia, para lhes pedir contas dos seus atos. Enfrentar Deus e Cristo no julgamento não deve ser uma perspectiva real para esses homens e mulheres, pois, nesse caso, suas vidas e suas pregações refletiriam um santo temor divino, o qual está absolutamente ausente de suas pregações.

         Na verdade, não apenas muitos descrentes, mas muitos professos cristãos deixam de viver como se realmente esperassem, como Jó, pelo menos tão depressa, comparecer diante de Deus, como o seu Santo e reto Juiz. Ser arrebatado ao céu, um dia, o que deveria ser a nossa “bendita esperança” (Tito 2:13), ansiosamente aguardada por todo cristão verdadeiro, é cada vez mais negada por muitos líderes evangélicos e pelos seus seguidores [N.T. – Sua teologia é a do Reconstrucionismo, ou “Reino Agora”, no qual eles vão governar o mundo, deixando o Messias bem “quietinho”, lá em cima!].

         Quase todos os presbiterianos, muitos outros, e até mesmo os chamados “cães de guarda” do evangelho (como Hank Hanegraaff, por exemplo), os quais afirmam preservar a igreja do erro, opõem-se firmemente a um iminente Arrebatamento, insistindo que a Igreja substituiu Israel.

         Existem, certamente, muitos evangélicos que pregam a sã doutrina; contudo, negam suas pregações pelas vidas que levam.  A perspectiva de enfrentar Jesus, brevemente, cujos “olhos são como chama de fogo” e a cujos pés João, “o discípulo que Jesus amava”,  caiu como morto (João 13:2,23; 20:2; 21:7,20 e Apocalipse 1:17),  deveria aumentar o temor de Deus em nossos corações. Penso nisto constantemente, e tremo! Por um lado, existe a perspectiva de nos encontrarmos repentinamente na glória com Cristo - o Único que tanto nos ama, a ponto de ter por nós sofrido em extrema agonia, por causa dos nossos pecados - a qual nos emociona e nos enche de excitação e alegria. Mas, ao mesmo tempo, deveria nos encher de espanto e temor, em direção a uma mudança de vida. Mesmo assim, quão freqüentemente, a maioria de nós deixa de alimentar, mesmo de leve, esse pensamento?  Vergonhoso!

         A irreverente e ignorante atitude de muitos pastores e dos seus seguidores é traída em sua confiante e casual conversa sobre “manter Jesus no céu”, como se Ele fosse simplesmente um dos seus camaradas, em vez de ser o Criador do universo. Ele conhece cada pensamento nosso, cada palavra, cada ato e cada motivação. Finalmente, quando comparecermos diante do Senhor e do Seu Tribunal, veremos revelada, à luz de Sua perfeita santidade, a negritude do nosso desesperado e enganoso coração (Jeremias 17:9-10). Iremos derramar lágrimas de vergonha e remorso, como jamais o fizemos, antes de sermos envolvidos no Seu infinito e eterno Amor!

         A espantosa realidade de chegar ao céu, inclinando a face diante de Cristo e do Pai em Seu trono, não nos aflige como deveria afligir. Tudo nos parece distante e irreal, por causa de nossa boa saúde, da perspectiva das alegrias terrenas e pela ilusão de ter um tempo ilimitado para vivê-las.

         A esperança de sermos retirados deste mundo, a qualquer momento, se fosse realmente crida, deveria causar um efeito purificador em nossas vidas. A maior parte do que nos parece tão importante, mantendo-nos tão ocupados, tornar-se-ia excessivamente embaraçosa em sua penosa trivialidade, se a luz da eternidade caísse sobre a mesma. Tome a sua mais alta ambição, a mais irresistível luxúria, o maior prazer, a mais cara paixão, e depressa adicione aos mesmos a realidade da morte; então tudo isso vai se transformar em nada. Quão lastimável é que a morte nos esbofeteie, antes que recebamos essa sabedoria!

         No tribunal de Cristo, onde “todos devemos comparecer... para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2 Coríntios 5:10), o assunto não será a salvação nem o inferno, mas o galardão ou a perda do mesmo. Ali, à Noiva de Cristo (nós) serão entregues alvas vestimentas de justiça para as Bodas do Cordeiro.

         Apesar de Romanos 3:23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, a maravilha das maravilhas é que: “Ele mesmo nos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá” (1 Pedro 5:10). O objetivo do Pai celestial não é somente o de manter-nos no céu, mas o de nos transformar na gloriosa imagem do Seu Filho amado. A glória que Adão perdeu é insignificante, comparada à glória que os remidos irão refletir por toda a eternidade!

         Essa transformação já estaria se processando em cada um de nós. Na verdade, estamos sendo transformados à Sua imagem, “de glória em glória”. Nosso progresso é vergonhosamente lento; “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido” (1 Coríntios 13:12).  Mesmo assim, quando O contemplamos por fé, “somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”. (2 Coríntios 3:18).

         O maior desejo de Davi era “contemplar a beleza do Senhor” (Salmos 27:4). Seria essa a sua e a minha paixão dominante do coração? Deveria sê-lo! [N.T.- Aqui a tradutora foi inspirada a escrever o poema “Rendo-me a Ti, Senhor”, por causa do poema encontrado na Bíblia de Darby, após sua morte].

         Quando contemplarmos o “Senhor da Glória” (1 Coríntios 2:8), “assim como ele é, o veremos” (1 João 3:2). Então, o nosso fracasso em ver Cristo como Ele é, enquanto estamos aqui em baixo, é o que nos impede de sermos transformados à Sua imagem. Vivemos ofuscados pelas coisas deste mundo! Porém, dentro em breve, quer seja pela morte física ou pelo Arrebatamento, o véu será removido. Então, estaremos com Ele e “assim como ele é, o veremos”.

 

“When We See Him”, Dave Hunt, 31/10/2007.

Traduzido por Mary Schultze, em 17/11/2007.

http://www.cpr.org.br/Mary.htm

 

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)