Testemunho de Silvana Mara Rodrigues

 

Durante 19 anos freqüentei a Igreja do Evangelho Quadrangular e posso falar com conhecimento de causa sobre toda essa bobagem de cair no
poder que eles pregam e incentivam lá dentro. Tudo começou com um grupo de intercessão. Tínhamos reuniões especiais todo sábado à noite para orar pela igreja. Até aí tudo bem.

Uma noite recebemos um pastor que tinha ido visitar aquela igreja de Toronto e ele nos explicou tudo que estava acontecendo por lá, de como Deus estava agindo, mobilizando pessoas que o buscam de todo o coração e colocando uma unção especial sobre essas pessoas "especiais". O pastor da minha igreja ficou tão empolgado com tudo que ele contou que resolveu convidá-lo para uma campanha de três dias em nossa igreja.

 Durante a campanha foi muito pregado o Velho Testamento, principalmente  o Livro de Joel. Nunca as cartas de Paulo. No final de cada culto, o tal pastor "ministrou o poder" sobre todos os verdadeiros "buscadores" de Deus. E as pessoas caíam no chão tremendo e chorando incontrolavelmente, urrando, tendo dores de parto. Enquanto isso, outros riam descontroladamente. Isso tudo era chamado de poder. Diziam os pastores que Deus estava tratando os seus filhos para que se tornassem cada vez mais especiais. Claro que nunca disseram em que parte da Bíblia isso estava, mas as pessoas nessa igreja não se preocupam muito em ler a Bíblia. Para elas o que basta é a palavra do pastor, porque afinal, ele é o profeta da igreja. Eu mesma várias vezes "caí no poder".

 Em nosso grupo de intercessão tudo mudou. Já não orávamos mais pela igreja. Apenas nos reuníamos e pedíamos poder. Então durante uma hora ou mais os pastores ministravam o poder sobre nós. E era sempre a mesma coisa. Urros, choro, riso, dores de parto. Agora eu vou explicar o que se passa de verdade nessas reuniões de "poder".

As pessoas vão a essas reuniões cheias de expectativas. Todas são pessoas comuns, com problemas e dificuldades. Pessoas carentes da verdade bíblica, analfabetos bíblicos que não são encorajados a estudar sozinha a Palavra. Elas querem ser especiais, diferentes. Então o pastor começa a falar do quanto essas pessoas são especiais para Deus, de como Deus as ama, que Ele irá tirar dos seus olhos toda lágrima, que elas serão cheias de poder e farão diferença , onde quer que andem. Que esse "poder" irá transformar totalmente suas vidas. É uma tremenda lavagem cerebral. Tudo falado num tom de choro, e até mesmo meloso. Na verdade não se fala em Jesus. Fala-se muito no Espírito Santo e no Pai. Dizem que as pessoas devem tentar alcançar a face do Pai, sentar no Colo do Pai. Então colocam uma música bem lenta, de preferência do tipo Diante do Trono. As pessoas ficam de pé, com os braços soltos ao longo do corpo e com os olhos fechados. E os ministradores de poder começam a orar, individualmente, pelas pessoas.  E então as pessoas começam a cair no chão. Se elas não caem sozinhas, são empurradas. Só que isso tudo nada tem de espiritual. É tudo emocional e psicológico. As pessoas estão tão emocionadas com as palavras do pregador e com a música tocada, se sentindo tão "especiais", que começam a chorar. E quanto mais elas choram, mais o ministrador diz que é o Espírito Santo tocando na pessoa. E então ela chora cada vez mais. E grita, claro, a alma dela está muito sensível. É uma espécie de hipnose coletiva. Posso falar desse modo porque participei de centenas dessas reuniões. Do choro para os urros, é apenas um passo. E depois o riso, os pulos, os gritos. Tem gente que dança, tem gente que parece estar voando. É um frenesi geral. E quando tudo acaba está todos muito felizes, porque se sentem amados pelo Pai, fazem parte de um grupo especial. Elas nem querem ir para casa. Querem ficar nos "braços do Pai". Vejam, essas pessoas não são más, nem endemoninhadas como pensam alguns. São pessoas que querem agradar a Deus, mas que são mal orientadas, e que não estudam a Bíblia. Elas se deixam enganar por pastores que mais parecem pais de santo, cheios de superstições e gana de poder. Na verdade o que estes pastores querem, é reinar sobre as ovelhas de Deus como pequenos deuses.

Um dia, depois de muitas reuniões de "poder", eu comecei a desconfiar de tudo isso. E fui estudar a Palavra. Então Deus abriu os meus olhos para a verdade. Resolvi fazer um teste. Fingi cair no poder, com choro e riso e as tais dores de parto. Ninguém descobriu que eu estava fingindo. E a pastora que ficou comigo durante o fingimento, me disse que sentiu uma atmosfera de poder de Deus muito grande sobre mim. Tive pena dela. E vontade de bater nela, também.
      Aí eu tive certeza de que tudo isso não passa de embuste psicológico e emocional. Saí dessa igreja, não sem antes tentar mostrar que todo esse "poder" não passa de engodo. Mas só consegui alguns desafetos. Porque ninguém quer aceitar que esta prática é de fato antibíblica. Enfim, agora sou uma sem-igreja procurando agradar a Deus e estudando a Palavra em casa com meu esposo. E com a ajuda da Mary, que me enviou o seu CD de estudos. Dou graças a Deus todos os dias por ter-me livrado dessas neo-bobagens. E continuo procurando uma igreja para freqüentar, que seja fundamentada na palavra da verdade.


Silvana Mara Rodrigues.