Trovas para os aposentados

 

Ouvindo a voz do Senhor

eu fiquei tão alarmada,

que senti tristeza e dor

ao seguir minha jornada.

 

A tua misericórdia

que é eterna, ó Deus Pai,

nos traga amor e concórdia,

neste século que se esvai.

 

E no novo, que aí vem,

torna demais conhecida

a todos homens de bem

Tua Palavra de Vida.

 

Grande é tua indignação

contra os pecados da terra:

violência, corrupção,

imoralidade e guerra.

 

Pelas nossas más ações

vais esmagar com teus pés,

completamente, as nações,

pelo Deus justo que és.

 

Mas teu povo salvarás,

por amor do Teu Ungido,

e nos arrebatarás

para um local escolhido.

 

A terra está poluída

dos ares até  o chão.

Já não temos garantida

a nossa alimentação.

 

As flores, frutos e grãos,

o peixe, a carne e o leite

vão sumir de nossas mãos,

também o vinho e o azeite.

 

E mesmo que os governantes,

fumando em seus gabinetes,

cada vez mais arrogantes,

nos atirem mil confetes,

 

Só vão tirar mais e mais

de quem já tanto trabalha,

não resistindo, jamais,

à ganância que atrapalha.

 

E os pobres aposentados,

que a vida inteira suaram,

serão sempre rebaixados

naquilo que conquistaram.

 

Todavia eu me contento

no meu Deus de salvação,

pois Ele me traz alento

nos dias da provação.

 

Meus pés caminham depressa

nesta Cidade Florida.

Que eu de Ti jamais me esqueça

E ande de cabeça erguida!

 

 Mary Schultze, 2000.

 

Rio - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vetará o Projeto de Lei 58/2003, que atualiza
aposentadorias e pensões pelos mesmos valores em salários mínimos que tinham
à época da concessão, com a correção prevista para cinco anos.
"Irresponsabilidade tem limite", disparou o ministro, referindo-se a Paulo
Paim (PT-RS), autor da medida que Bernardo classificou como "corrosiva".

Hoje, o ministro da Previdência, José Pimentel, vai tentar, mais uma vez,
impedir que o projeto de Paim chegue à Câmara e, assim, evitar o desgaste do
veto de Lula. Pimentel terá encontro com o presidente do Senado, Garibaldi
Alves Filho (PMDB-RN), com o presidente da Comissão Mista do Orçamento,
Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS) e com o relator da proposta orçamentária,
Delcídio Amaral (PT-MS). Nas reuniões anteriores para discutir o impacto da
aprovação do projeto, Delcídio e Ribeiro Filho nunca estavam presentes
juntos.

Estima-se que a aprovação aumente em R$ 76,6 bilhões por ano os gastos do
INSS. Pimentel articula, nos bastidores, obter assinatura de pelo menos nove
senadores para apresentar requerimento e exigir a aprovação da medida em
plenário.

SENADORES EM VIGÍLIA

Se conseguir isso até quarta-feira, cinco sessões após a aprovação, o
ministro terá sucesso. Isso porque o projeto foi aprovado em caráter
terminativo, por comissão, na semana passada. Manobra de governistas já
havia estendido a votação do projeto do dia 5 para o dia 12 de novembro, sob
a justificativa de que senadores que não participavam das comissões
apresentassem requerimento. Nenhum deles apresentou, e o projeto foi
aprovado.

Contrariados, os senadores da Frente Parlamentar em Defesa dos Aposentados
prometem obstruir a pauta e impedir a votação de projetos de interesse do
governo, como as medidas provisórias anticrise. Pelo menos 15 deles
decidiram fazer uma vigília, das 16h30 de hoje até as 8h de amanhã,
revezando-se em discursos sobre o projeto de lei 58 na tribuna.

SENADORES QUESTIONAM 'ROMBO'

Paulo Paim chamou de "terrorismo" a afirmação de que há risco de quebrar a
Previdência Social. "Vamos ser francos: ao longo da história, e não só nesse
governo, quando se fala em bilhões para bancos, para montadoras, para
construção civil e para ruralistas, buscamos saída. Quando se trata dos
idosos, dos velhinhos, parece que se cria um mundo irreal", protestou.

Para ele, o que garantirá a aprovação dos projetos será a pressão popular.
Mário Couto (PMDB-PA) se disse decepcionado com o presidente do Senado,
Garibaldi Alves Filho, que disse não ser o momento oportuno para o reajuste
das aposentadorias. Couto vai apresentar a lista dos grandes devedores do
INSS, segundo ele, "empresas milionárias" que devem bilhões.

 

É isso aí, gente. Para ajudar as montadoras, os bancos, as ONGs fraudulentas, etc.,  o Governo tem dinheiro de sobra. Mas para os velhinhos, que deram suas vidas pelo progresso do país, trabalhando até 43 anos corridos como eu, por exemplo,  o governo não tem dinheiro. Anos atrás, eu recebia 4 salários da pensão do marido e 6 de minha aposentadoria. Hoje recebo menos de 7 e, brevemente,  chegarei a receber apenas HUM salário mínimo. Mas o dia do Juízo Final vai chegar e essa gente corrupta da governança nacional vai chorar lágrimas de fogo, diante do Pai dos órfãos e Juiz das viúvas.

 

Mary Schultze