UMA CRUZ E UM TÚMULO VAZIOS

 

        Deus Pai e o Senhor Jesus Cristo podem ver o que está em nosso espírito, mas o mundo, a família e a igreja só podem ver o que se manifesta através do nosso corpo. Por isso o apóstolo Paulo proclamou: “...Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.” (Filipenses 1:20). O templo humano é propriedade exclusiva do verdadeiro santo de Deus. Em Cristo já não vemos o corpo como um instrumento de prazer, para satisfazer aos desejos carnais que antes se manifestavam em nós, quando vivíamos no pecado.

          Agora somos novas criaturas, pois o homem velho já está morto. Nada é mais miraculoso do que pecadores transformados em santos. A igreja primitiva transformou o mundo porque os cristãos se tornaram o templo vivo e palpitante de Cristo. Um templo bíblico - a Ele pertencendo em cada faceta da vida - é sempre o local onde Jesus Cristo é revelado. Sua excelente glória desceu visivelmente do Alto para o majestoso Templo de Salomão. Essa glória foi um tipo do Espírito Santo, o Qual iria encher a Igreja, no Pentecoste, glória que deverá se manifestar, pela segunda vez, somente na Grande Tribulação.

Tudo que foi escrito no Velho Testamento já foi quase cabalmente cumprido no Novo Testamento. Jesus Cristo veio para encerrar a Antiga Aliança [onde imperavam os mandamentos da Lei de Moisés (Lucas 16:16)]: “Porque, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça. Porque também o que foi glorificado nesta parte não foi glorificado, por causa desta excelente glória. Porque, se o que era transitório foi para glória, muito mais é em glória o que permanece” (2 Coríntios 3:9-11).

Se a nossa vida for apenas uma cópia do mundo maligno, não temos  o direito de dizer que somos novas criaturas. O triunfo da Cruz está na vida dos santos de Cristo. O apóstolo Paulo falou pelo Espírito Santo, conforme Gálatas 6:14: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. A Cruz não deve ser um ornamento para os santuários, nem um pendente para ser usado no pescoço. Ela é o instrumento no qual devemos crucificar a nossa carne. Observando o que os homens fizeram no Calvário, achamos que foi um assassinato; contudo, meditando no que Deus estava ali realizando, a Cruz se transforma em Glória. A Ressurreição de Cristo transformou a Cruz em celestial triunfo, onde a morte se transformou em poderosa vida eterna [para os que sob a mesma se colocam]. Morremos para depois podermos ressuscitar...

Cada santo de Deus precisa ter momentos especiais para retornar ao pé da Cruz. Pois, exatamente nesta semana, eu me arrependi de minha fraqueza, quando deixei de “me gloriar na cruz de Cristo”. Fiquei tão ocupada: escrevendo, estudando, testemunhando e amando os santos e os pecadores - que negligenciei o meu lugar ao pé da Cruz de Cristo. Contudo, senti uma paz celestial em meu coração, quando me renovei [através do estudo da Palavra Santa], purificando-me (João 15:3) e me santificando no poder do Calvário. Nossa justiça não se resume a uma vida limpa, nem ao serviço fiel, mas ao constante suprimento da Graça de Cristo [sem a qual podemos sucumbir].

A justiça proveniente da guarda das leis e dos mandamentos jamais nos trará uma glória excelente, a qual será refletida em nossa face. Tenho conhecido uma multidão de pessoas que guardam a Lei, mas têm um coração de pedra, mesmo levando uma vida de excelente procedimento. Fico abismada, quando escuto seus testemunhos de vida repleta de servidão. Guardar as leis e os mandamentos não vai fazer com que os seus rostos brilhem [Essas pessoas ignoram as Epístolas do Apóstolo Paulo e continuam escravizadas às leis do Velho Testamento]. Elas esquecem que  “... A lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3:24). Vejamos o que o apóstolo Paulo diz em Romanos 7:7-8: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado”. [Quando vejo um cristão guardando a Lei e os mandamentos e censurando os cristãos livres, logo penso: “Esse coitado não está conseguindo suportar o jugo de servidão que lhe tem sido imposto pelos seus pastores judaizantes ou pelo desconhecimento do legítimo evangelho de Paulo; por isso fica atirando para todos os lados, a fim de acertar em alguém que deseje compartilhar o seu desnecessário fardo”).

Nossa grande vitória em Cristo é correr para longe da idéia de obedecer regras de justiça. Com muito esforço até poderemos obedecer a essas regras, mas é a Sua Glória que vai nos conduzir a uma comunhão maior com Ele, através da justiça que nos foi imputada e implantada, através do Espírito Santo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador”  (Tito 3:5-6). Guardar os mandamentos não é tão importante como ficar plenos de Sua verdadeira natureza, através de Sua Graça abundante. Ele é quem opera isso em nós (Filipenses 2:13). A santificação, pela abstenção de tudo que nos rodeia, neste mundo maligno, mesmo de certas coisas que nos são lícitas, porém não nos convêm, torna-se em nós motivo de constante alegria. Morrer para o mundo é deitar num colchão de espumas, na maior tranqüilidade espiritual...

Jesus Cristo é magnificado em nosso corpo. Não pode existir justiça no espírito humano, se a mesma não existir em nosso corpo mortal. Quando dizemos que Cristo habita em nós pela fé, mas continuamos vivendo na prática do pecado, estamos contrariando os ensinos da Escritura. Milagres fluirão na vida do cristão que se gloria, frequentemente, na Cruz de Cristo.

A partir de hoje, quero me gloriar somente na Cruz de Cristo. Uma negra solidão acontece na vida do cristão que desconhece o valor do sacrifício de Cristo na Cruz. Quando vemos prostitutas paradas nas esquinas das ruas, esperando ganhar a vida, à custa do pecado do corpo, devemos pensar que ali jamais estaremos, exclusivamente pela imensa Graça de Deus, a qual nos foi outorgada na Cruz de Cristo. Quando consideramos a cultura do Haiti embasada no vodooismo, devemos dar graças a Deus porque vivemos num país onde há liberdade religiosa e o Seu evangelho é pregado para a salvação das almas. Vamos consagrar nossas vidas ao triunfo da Cruz de Cristo, lembrando-nos que uma cruz e um túmulo vazios nos conduziram para o andar de cima!

 

Mary Schultze, 08/08/2008. - Artigo embasado no sermão de Joseph Chambers - Jesus Christ: Magnified in Our Bodies - (jrc@pawcreek.org)

www.cpr.org.br/Mary.htm