Essa
tal de unção apostólica
Renato Vargens
Fico impressionado com alguns devaneios por parte do povo evangélico.
Infelizmente, sou obrigado a confessar que alguns de nossos irmãos, no quesito
criatividade têm conseguido se superar. Se não bastasse os diversos tipos de
unção espalhados por toda esta terra varonil, nesses últimos anos de modo
alarmante, tem-se multiplicado neste país tupiniquim essa tal de unção
apostólica.
Inúmeras vezes fiquei a me perguntar, o que seria isso, ou, o que representava
possuir essa unção, ou até mesmo, o que ela tem de especial?
Após detalhada observância do discurso por parte dos profetas modernos,
entendi que para estes, possuir a unção apostólica representa ter recebido da
parte de Deus um poder especial o qual capacita o crente a viver a vida acima
da média. Já ouvi o relato de pessoas afirmarem que o crente que não possui a
tal unção pode ser considerado crente de “segunda categoria”. E para piorar as
coisas, tais pessoas afirmam que nos dias atuais não basta ter o Espírito
Santo somente, é necessário possuir a tal unção, até porque somente assim
pode-se conquistar o melhor de Deus.
Ora, essa tal de unção apostólica não passa de mais uma mercadoria apresentada
nos balcões da fé. Aliás, por acaso você já percebeu que a moda agora é ser
apostólico? O culto é apostólico, o louvor é apostólico, as ofertas são
apostólicas, tudo absolutamente tudo é apostólico.
Prezado leitor, com dor no coração sou obrigado a confessar essa gente não têm
pregado o evangelho do reino. Antes pelo contrário, o evangelho o qual estes
têm pregado é humanista, megalomaníaco e patológico.
Tenho a impressão de que o fato de enfatizar em suas mensagens um conteúdo
“apostólico” é nada mais, nada menos do que uma sutil tentativa de diferenciar
o produto deles daquilo que é oferecido por outras igrejas. Na verdade, é
extremamente comum observar em tais movimentos, uma ênfase exagerada na
tal unção.
Ah, meu amigo, como inúmeras vezes tenho falado não agüento mais a
efervescência da graça barata, o mercantilismo gospel, a banalização da fé.
Não agüento mais, as loucuras e os atos proféticos feitos em nome de Deus.
Chega! Basta! Quero viver e pregar o evangelho, quero ver uma igreja, santa,
ética, justa e profética, quero ver uma igreja, que não se corrompe diante
loucuras dessa era, quero ver uma igreja reformada e reformando, quero ver uma
igreja PROTESTANTE!
Soli Deo Gloria
Renato Vargens
Sexta-feira, Novembro 03, 2006