VADE RETRO!

 

        Quem tem Internet à disposição pode conseguir coisas maravilhosas, como: intercâmbio cultural e bíblico com os irmãos na fé; artigos e livros de autores estrangeiros, que podem ser  traduzidos, dando-nos uma visão mais ampla do Evangelho, muitos deles contendo excelentes textos teológicos; troca de informações com os amigos e parentes; enfim, uma gama de interessantes oportunidades de melhorar nossa cultura secular e teológica.

Mas a Internet é uma faca de dois gumes. Também recebemos e-mails horripilantes. Fora os e-mails de crítica negativa (que não me atingem), tenho recebido muita propaganda em favor da Igreja do papa, de católicos papistas “hostiólatras”, querendo me converter. E mais: tenho recebido até mesmo e-mails, oferecendo sexo em grupo e outras aberrações.

Antigamente, eu simplesmente deletava esses e-mails e pronto. Mas parece que, simplesmente deixar de respondê-los, dá margem a que os remetentes pensem que os lemos e continuam enviando-os. Agora tive uma idéia, que já coloquei em prática. Devolvo-os, com duas palavras em letra maiúscula, tamanho 24: VADE RETRO. Em seguida, agradeço a Deus por ser uma ovelha do Senhor Jesus Cristo e peço que Ele tenha misericórdia do remetente, pois  “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”.  (2 Coríntios 4:4).

 

Mudando totalmente de assunto, o neto Mário (da BBN, nos States) lê minhas aventuras  do passado e fica pedindo mais. Hoje vou contar como era minha relação de amizade com dois grandes intelectuais dos anos 1950, conforme as pp. 35/36 do livro“Cubos de Gelo”.

 

José Lins do Rego - (03/06/1901-12/09/1957) - Eu havia lido “Fogo Morto”, no Recife [onde residi de 1951 até 1954] e, tempos depois, já morando no Rio de Janeiro, peguei aquela gripe chamada “coreana”. Fiquei de molho e aproveitei para ler “Pedra Bonita” e“Cangaceiros”, de Lins do Rego. Em seguida, mandei uma crônica de apreciação para o“Jornal do Comércio” (Recife) e, quando chegaram os recortes, mandei entregar um deles ao escritor, o qual fazia ponto na Livraria José Olímpio, em frente ao meu local de trabalho, aMappin & Webb, Rua do Ouvidor, 101.

        Meia hora depois, Lins do Rego me telefonou, marcando um encontro e fomos tomar café no bar mais próximo, começando ali uma bela amizade entre nós. No dia seguinte, almoçamos juntos num restaurante da Rua do Ouvidor, esquina com a Rua Sete de Setembro. Lins do Rego me levou um exemplar autografado do livro  “Pedra Bonita”  e contou que estava escrevendo suas memórias, pois a morte  poderia chegar a qualquer momento e ele queria estar pronto. Contou que sofria horrores do fígado e não podia comer gordura, nem beber; mas pediu um churrasco à campanha e uma batida de limão. Crivou-me de perguntas sobre o padre Cícero, de quem sabia muito mais do que eu. Elogiou o livro “Cariri”, de Irineu Pinheiro e disse que “o escritor já nasce feito e precisa apenas ser burilado, para produzir boas obras... Você, menina, pode escrever um artigo na revista ‘Cruzeiro’, ao lado da Rachel, que não faz vergonha!”

        Era muita bondade dele e quando eu disse que da Rachel eu só conhecia as obras, ele prometeu que me levaria à casa dela, de quem era grande amigo e admirador. Não chegou a  cumprir a promessa... [Quando ele faleceu, eu estava esperando (6º. mês) minha filha Margarete]. Ele era um grande torcedor do Flamengo, tendo acompanhado o time à Inglaterra e contou que admirava muito os ingleses. Nesse tempo, ele tinha uma coluna no jornal “O Globo” e era o escritor mais lido do Brasil. Sabendo que eu fazia trovas, ele pediu:

        “Faça umas trovas sintetizando tudo que você pensa de mim!”

Pedi lápis e papel e ali mesmo no restaurante, fiz estas:

”A quem com simplicidade/escreve sobre o sertão,/minha crescente amizade,/plena de admiração. // Pois da terras nordestinas/foi quem melhor descreveu:/ cangaço, engenho e salinas,/num estilo todo seu!

 

Manuel Bandeira (19/04/1886 -13/10/1968)  - Quando voltava do trabalho, numa tarde de setembro, senti necessidade de dar um passeio pela Avenida Beiramar [RJ] e foi lá que encontrei o poeta de “Cinza das Horas”, na certa buscando inspiração para os seus poemas. Conversamos mais de uma hora. Eu disse que era repentista e que o seu poema “Vou-me Embora Pra Passárgada”  era o meu favorito. Em seguida, fiz um poeminha de réplica ao dele e recitei:

        “Quisera ter uma casa/bem branquinha e sossegada,/na zona sul de Passárgada.//Quisera ter muitos livros,/uma vaquinha leiteira /e uma rede bem macia. // Quisera ter ao meu lado/o ‘Colombo’ do lugar, / com trinta anos a menos.”

Ele riu muito e falou com voz queixosa:

        “Puxa, vida! Você me chama de velho sem a menor cerimônia, hem?”

 

          A TV Globo tem uma série “Anos Dourados”. As roupas usadas pela atriz são exatamente do mesmo modelo das roupas que eu costumava usar, nos anos 1950. Comprei os DVDs, vi-os uma vez e senti uma saudade tão grande que nunca mais tive coragem de rever as cenas singelas (e tão inocentes) que são ali apresentadas. Hoje em dia,  as meninas são tão afoitas! Conhecem um garoto e logo se entregam, sem a menor cerimônia. Muitos casados se separam na primeira briga do casal. O adultério tornou-se banalizado nos lares e muitas igrejas (principalmente as carismáticas) estão sendo lideradas por “pastores” pregando heresias e tendo “casos” com as próprias ovelhas,  o que nos remete à Segunda Timóteo 3:1-5:

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”.

“O mundo jaz no maligno” de um modo jamais visto antes. Que o Senhor Jesus Cristo mande buscar os Seus seguidores e que logo estejamos reinando com Ele, no Seu Reino Milenar.

 

Mary Schultze, 28/04/2009 - www.cpr.org.br/mary.htm