Vamos ser lindas!

          Ontem eu estava deitada no sofá da sala, depois de um dia de dez horas de atividade ininterrupta, inclusive de um telefonema desagradável de minha filha mais velha, que reside na Alemanha e herdou o temperamento gélido da avó paterna. De repente, me lembrei de um e-mail recebido de Vivi, uma de minhas filhas amadas, queixando-se da ingratidão da família, no dia do seu aniversário. Senti uma enorme tristeza, ao constatar a ingratidão de alguns filhos, que crescem, terminam seus cursos universitários, vão para longe e mal se lembram dos pais idosos que ficaram para trás... A não ser para fazer alguma crítica negativa ou pedir um “favorzinho”.

Comecei e me lembrar de alguns incidentes desagradáveis de minha vida passada, quando estava na faixa dos 50 anos de idade, após meu marido ter falecido... Em 1986, exatamente quando o Sarney criou uma nova moeda, entrei num quase colapso nervoso, achando que os microempresários estariam condenados à falência, com aquela inflação galopante e o comércio quase parado. Entrei em depressão, entreguei a firma à filha mais velha e me refugiei em casa, lendo a Bíblia e descansando, com uma crise aguda de anorexia depressiva, a qual me deixou reduzida a 44 Kg.

Linda, inteligente e superdotada de tino comercial, minha filha levou a firma a um progresso jamais conseguido, apesar daquela crise horrorosa, enquanto eu fiquei só descansando... Infelizmente, ela começou a se achar dona absoluta do negócio (tinha 30% de ações enquanto eu tinha 70%), tendo chegado ao ponto de me proibir de entrar no laboratório (que eu havia criado junto com o falecido pai dela), “para não atrapalhar as coisas.”

E quando as clientes, que tanto me amavam, telefonavam, querendo falar comigo, em vez de passar a ligação para a nossa casa (que ficava a poucos metros do laboratório), ela exagerava: “Minha mãe está muito doente, com depressão e angústia; portanto, não pode falar com pessoa alguma”. Aquilo foi duro demais para mim e só me fez piorar da depressão. Mas como Romanos 8:28 sempre funcionou, maravilhosamente, em minha vida, resolvi imitar Paulo de Tarso. Escondi-me no deserto de minha fraqueza e aguardei os acontecimentos, lendo uma porção de livros de bons autores bíblicos.

Lembro-me, perfeitamente, de um dia em que a TV Globo foi filmar em nosso laboratório o programa - “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”, pois eu era conhecida no Brasil inteiro como assinante de uma linha de cosméticos, que todos elogiavam pela qualidade e bom gosto das embalagens. Preparei-me com um belo vestido de seda estampada, calcei sandálias de verão, fiz uma discreta maquilagem e arrumei os cabelos. Apesar da magreza, fiquei apresentável, mesmo estando com 58 anos de idade... (Isso aconteceu  há vinte anos!) Quando entrei no laboratório, pouco antes da chegada do pessoal da TV Globo, minha filha me olhou e falou, impiedosamente: ”Mãe, a senhora está um lixo! Magra, velha e feia. Não vai aparecer diante das câmeras da TV, desse jeito, pois, se fizer isso, as clientes não vão mais comprar sequer um pote de creme, quando virem que a assinante da linha é uma velha horrorosa...”.  

Fragilizada como eu estava, essas palavras me atingiram como uma facada no peito. Saí dali chorando e me tranquei no quarto. Durante três anos, guardei aquela mágoa no coração, até que, um dia, criei coragem e pedi a minha filha que se retirasse da firma. Comprei os seus 30% de ações (a peso de ouro) e resolvi ficar sozinha.

Como sabia da tremenda responsabilidade que iria enfrentar (sem a presença dela), fiz um pacto com o meu Senhor Jesus Cristo: Ele seria o meu sócio na firma. Eu jamais me empenharia em ficar rica e famosa; pregaria o evangelho em todas as circulares que enviasse às clientes  e evitaria cometer o pecado da sonegação de impostos (que no ramo de cosméticos chegam a quase 100%); não faria qualquer propaganda enganosa, etc. Por outro lado, Ele não permitiria que eu falisse ou contraísse qualquer dívida. Deu certo. Fiquei quatro anos sozinha, porém jamais atrasei o pagamento dos empregados ou de uma duplicata; nunca fiz empréstimo em banco e quando cheguei aos 65 anos de idade, quase morrendo de exaustão, vendi a firma por 1/10 do valor e vim morar em Terê, tendo começado a trabalhar na obra do Senhor Jesus Cristo.

Nunca tive tanta saúde e disposição na vida. Aqui me considero a pessoa mais feliz e realizada deste mundo e não almejo coisa alguma, a não ser envelhecer (e morrer) trabalhando em minhas traduções e escrevendo livros e artigos, para a edificação dos crentes. Fiquei remoçada, desde que me entreguei ao trabalho evangelístico e apologético. PP foi meu anjo bom nessa recuperação. Romanos 8:28 é uma realidade na vida do crente. Quem entrega o seu caminho ao Senhor, e nEle confia, pode constatar que Suas misericórdias se renovam, maravilhosamente, em nosso dia a dia, e que todas as coisas contribuem juntamente para o nosso bem.

Curioso é que, esta semana, duas amigas e irmãs na PIBT (Maria José e Maria Helena) me encontraram no centro da cidade e disseram exatamente o seguinte: “Mary, você está cada dia mais remoçada e ... bonita!”  Se isso é verdade, devo constatar que os melhores produtos de beleza não são fabricados por Mary Schultze, Avon, Natura, Boticário, Gessy-Lever, Nívea e tantos outros, mas pela leitura e aplicação diária da Palavra de Deus!  Ela nos limpa (João 15:3), nos consola e nos transporta para os braços amorosos do Pai celestial. Amadas, vamos ser lindas em Cristo!

Mary Schultze, 20/09/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm

 

"Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!"  1 Cor 9:16
"Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo". 2 Cor 4:6