O VELHO E A MORTE

 

         Conforme Esopo teria escrito: “Certo dia, um velho estava derrubando árvores na floresta. Após ter cortado uma boa quantidade de madeira, ele fez um enorme feixe e o colocou sobre os ombros. Como sua casa ficava distante, à medida em que ia caminhando tropegamente pela floresta, no rumo de casa, ele foi se sentindo exausto, até que, em desespero, retirou dos ombros o pesado feixe, colocando-o no chão. Em seguida, ele convocou nada menos que a morte com estas palavras: ‘Ó morte, seja razoável e carregue estes feixes para mim!’”  

Moral da história: Por pior que a vida nos pareça, ela é sempre preferível à alternativa da morte.

Hoje estou quase igual a esse velho. Sinto-me velha, inútil, quase desejosa de apelar a essa péssima alternativa chamada morte. Isso porque descobri que apenas uma pessoa (entre milhares) acredita que a Bíblia é a legítima e infalível Palavra de Deus. Que isso aconteça no contexto mundano, até que dá para entender, pois, como Paulo diz em Efésios 4:18: “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração”. Mas numa aula de Teologia? É demais!

O professor (um católico romano e papa-hóstia semanal) sempre chega para dar a aula carregando uma gigantesca Bíblia de Jerusalém e costuma dar excelentes explanações. Só que hoje, quando o assunto era o Livro de Êxodo, ele deixou bem claro que os livros de Moisés são apenas fábulas judaicas. Uma aluna (novaerense da pesada) começou a explicar que Moisés, por ser instruído nas artes mágicas do Egito, era uma espécie de mago, que conseguia hipnotizar os judeus para que estes acreditassem em tudo que ele dizia; que a primeira praga (quando as águas se transformaram em sangue (Êxodo 7:17-21) foi um fenômeno criado por Moisés. Também foi dito que os milagres de Jesus eram todos operados nesta base, pois o que, por exemplo,  era chamado de “possessão demoníaca”, na época de Jesus,  era apenas um caso de epilepsia, etc. E as explanações “científicas” prosseguiram, negando as verdades bíblicas, de tal modo que eu comecei a me sentir mal.

Pior é que o professor fazia um sinal de aquiescência, visto como é um discípulo fervoroso de Rubem Alves e Leonardo Boff. Essas explanações novaerenses prosseguiram, com a Bíblia sendo rebaixada a um livro de lendas e coisas do gênero. Fui suportando o quanto pude, dando meus apartes (sempre ignorados), até observar que o professor não tinha o menor interesse em defender o LIVRO; então, falei indignada: “Escutem aqui, meus amigos. Se a Bíblia é um livro mentiroso e até ridículo, conforme vocês estão nos fazendo acreditar, por que não apanham um livro do Paulo Coelho e o transformam no livro texto desta classe?”  

OBVIAMENTE,  o professor falou que ali não era um lugar de discussão, mas de paz; portanto, que nos restringíssemos a escutar as explanações, etc. Isso quer dizer que para ofender a Bíblia todos têm o direito de falar, mas não para defendê-la! Juntando essa aula de Teologia com a de Filosofia (agora com o mesmo professor), foram duas horas e meia de gente solapando o LIVRO, enquanto eu permanecia ali (muda e carrancuda), sem poder me manifestar. Será que vou suportar isso por muito tempo? Em 2002, agüentei um ano inteiro, mas estou seis anos mais velha e bem mais fraca... Que Deus tenha misericórdia desta velhinha subnutrida em carboidratos. Vou começar a comer: arroz, feijão, talharim, pão, bolo  e cocada, embora eu deteste massas e doces! Também preciso ler a Bíblia com mais ardor, pois ela é a espada de dois gumes e somente ela poderá me entregar as palavras afiadas, para eu cortar a eloqüência novaerense daquelas pessoas ofuscadas pelo “anjo de luz”, as quais estão caminhando, apressadamente, para o abismo infernal!

Espero não ter encontrado, na manhã de hoje, a morte de todas as minhas ilusões (quanto à chance de ganhar ali algumas almas para Cristo) e isso me deixa apenas com uma alternativa: pedir que orem por mim, pois estou me sentindo um bagaço espiritual, nesta linda tarde de verão, aqui em Terê.

 

Mary Schultze, 20/03/08 – www.cpr.org.br/Mary.htm

 

 

 

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)