Histórias para crianças que ajudam os pais e encarregados de educação contra o abuso sexual

“O teu corpo é o teu tesouro” e “De que cor são seus segredos?” são duas histórias para crianças que ajudam os pais e encarregados de educação a identificar e evitar o abuso sexual de crianças, e que também contribuem para os pequenos uma ferramenta eficaz para proteger-se, desde idades precoces, segundo a sua autora, a psicóloga e psicoterapeuta Margarida Garcia Marques

Uma das páginas do livro “o Teu corpo é o teu tesouro”, cedida por Nuno Dez Crespo e Esquilo Edições

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Os contos infantis ajudam a desenvolver a criatividade, imaginação, percepção e sensibilidade das crianças, bem como a sua destreza verbal, gosto pela leitura e a capacidade de compreender e comunicar-se. Mas existem outros que também podem servir de ajuda contra possíveis abusos sexuais em idades precoces.

“Clara, e sua sombra”, da psicóloga Elisenda Pascal; “Eu Estela, que grita muito forte!”, a tradutora e professora de línguas Bel Olid; “Kiko e a mão”, da campanha preventiva europeia; ‘A Regra de Kiko” e “Olhos verdes”, as psicólogas Sara Arteaga e Luísa Fernanda Yágüez, são alguns exemplos de histórias que ajudam a prevenir o abuso sexual infantil (ASI).

A esta lista, acabam de se juntar os títulos: “o Teu corpo é o teu tesouro” e “De que cor são seus segredos?”, Margarida Garcia Marques, psicóloga pela Universidade de Salamanca (Espanha), psicoterapeuta e especialista em abusos sexuais infantis, que “fornecem informações e recursos, tanto para as crianças como para os adultos, para detectar, evitar e retardar o BEM”, diz.

Garcia Marques é fundadora da Associação para a Cura e a Prevenção do Abuso Sexual Infantil (AspaSi) (https://aspasi.org) e autora de “Sinais de alerta de maus tratos infantis” no Guia Prático do Bom Menino, assim como colaboradora no relatório da Save the Children, “A justiça espanhola contra o abuso sexual infantil no ambiente familiar”.

A osita que ensina a se proteger

“Estes contos têm o objetivo de ensinar as crianças a conhecerem suas partes íntimas, a proteger-se contra os abusos, a colocar limites, se alguém nos toca de forma sexualizada, a pedir ajuda, se acontece algo de inadequado, para que distingam condutas abusivas dos adultos e a expressar com naturalidade, se alguém tenta propasarse com eles”, explica a autora a Efe.

Os livros também incluem orientações e conselhos para os pais, para que possam detectar e prevenir o abuso para com seus filhos em situações cotidianas, e também para que saibam como agir se têm indícios ou uma considerável certeza de que o BEM já foi produzido.

No conto “o Teu corpo é o teu tesouro”, editada para idades entre 3 e 8 anos e ilustrado por Nuno Dez Crespo, a osita Aspasi ensina a Andrea e André que seu corpo é um tesouro sobre o que podem decidir, podendo dizer NÃO a beijos, abraços e cócegas, quando não os querem receber, ressalta a psicóloga.

“A osita ensina às crianças o que são suas partes íntimas e lhes explica que nenhum adulto pode jogar com elas. Também lhes dá conselhos e encorajados a falar com mais confiança se alguma vez alguém pretende abrir o seu “tesouro” sem permissão”, aponta.

“”O Teu corpo é o teu tesouro” ensinam-se as crianças de quatro regras fundamentais para proteger o seu corpo, e aborda todas essas questões de maneira que as crianças não tenham medo, tentando normalizar as coisas para que vivam a sexualidade de forma saudável, sem vergonha nem culpa”, destaca Eloína Prado Llera, editora do livro (https://ardillaediciones.wixsite.com/ardillaediciones) .

“O abuso é um crime punível com prisão, mas o conto não se concentra nesse aspecto, já que se as crianças vêem tão ruim, tendo em conta que 87% dos ASSIM ocorrem no âmbito familiar, e costuma pecar uma pessoa a quem eles querem, a maioria não o terá e vai mantê-lo em segredo, porque não quer que encarcelen ao agressor”, diz Garcia Marques.

“Por este motivo, o conto se apresenta ao agressor como alguém que não sabe se comportar adequadamente e há que ensiná-lo, impondo-lhe limites e pedindo ajuda aos pais ou outros adultos de confiança”, enfatiza a autora.

Segredos de diferentes tipos, formas e cores

“No conto “De que cor são seus segredos?”, para crianças de 3 a 10 anos e ilustrado por Maria Jesus Santos, a protagonista é Alma, uma menina que tem uma osita de pelúcia chamada Aspasi, e diz que os princ@s como lhes faz sentir cada segredo, que podem fazer com eles e com quem têm de compartilhá-los”, diz Garcia Marques.

“Neste livro Alma ensina que os segredos podem ser de diferentes tipos, formas e cores, e podem ser distinguidos uns dos outros por sentimentos mais ou menos boas ou más que nos provoca o fato de mantê-los”, observa a psicóloga.

“Também mostramos os pequenos a se expressar e comunicar o que lhes preocupa, procurando assim reduzir os abusos de todo tipo”, acrescenta.

“A maioria dos abusadores usam o segredo para conseguir que as crianças guardem silêncio, e este conto foi criado para que os pequenos compartilharem os segredos que lhes fazem sentir mal e oferecer-lhes um espaço de confiança onde expressá-los”, acrescenta Garcia Marques.

“De que cor são seus segredos?” busca promover o bom tratamento para a infância, para evitar abusos e promover a expressão emocional infantil e, por isso, é importante que a criança se sinta acompanhado em sua leitura”, diz à Efe a psicóloga Mercedes Vermelho, que dirige a coleção Senticuentos, a que pertence esse livro (http://editorialsentir.com/) .

“Além de ler o conto, a criança pode responder as perguntas levantadas ao longo das páginas, refletir, compartilhar idéias e recordações com a companhia de um adulto, desenhar as folhas do final, colocar adesivos e procurar a osita Aspasi nas páginas interiores”, afirma Vermelho.

Consultada pela Efe sobre a adequação de tratar o tema do BEM a partir de idades tão precoces, Garcia Marques afirma: “há que informar as crianças porque alguns são abusados com três anos ou menos, e, se conhecem o assunto, é mais fácil que os possamos proteger”.

A fundadora da AspaSi assegura que uma parte considerável dos pacientes que é por abusos têm menos de cinco anos, “além disso, geralmente, os agressores escolhem a crianças de tenra idade, porque eles acham que ninguém vai creerles ou, possivelmente, não vão falar sobre o que lhe está acontecendo”, conclui.

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