prevenção desde a infância, e apoio psicossocial

Artigos relacionados

Terça-feira 08.03.2016

Quarta-feira 26.03.2014

Quinta-feira 13.03.2014

Não esperar ser maior para cuidar dos rins e o apoio psicossocial aos pacientes, além de manter e fortalecer a assistência médica e sanitária, são duas mensagens centrais de especialistas perante o Dia Mundial do Rim, que se comemora amanhã, dia 10 de março.

O lema deste ano face a esta jornada, que tem como objetivo dar visibilidade a estas patologias, vira seu olhar sobre a infância: “a Doença Renal e Crianças. Atua em breve para impedi-lo”.

Neste contexto, a Agência EFE e EFEsalud têm alimentado uma mesa redonda com especialistas para analisar a doença renal a partir de diferentes ângulos: médico, enfermagem, psicologia e infância.

O encontro e o debate participaram o diretor médico da Fundação Renal Íñigo Álvarez de Toledo, Roberto Martín, nefrólogo; o doutor Ángel Alonso Melgar, chefe da secção de Nefrologia Pediátrica do hospital Da Paz; a enfermeira Maria Jesus Pascau, supervisora do serviço de Nefrologia Infantil Da Paz; e Maite Moreira, psicóloga do Grupo de Apoio ao paciente da Fundação Renal.

Um dos pontos de partida da mesa redonda, moderada pelo diretor de EFEsalud, Javier Tovar, foi o seguinte: o rim não é um órgão menor em relação a outros, como por exemplo, o coração ou o cérebro.

Doença renal, o risco para outros órgãos, como o coração

“A maioria das doenças que afetam o rim também afetam o coração. A primeira causa de insuficiência renal é a diabetes; não há doenças que possam afetar apenas para os rins”, explica o dr. Martin.

“Talvez -conclui o doutor Alonso Melgar – nós tende a menosprezar os rins relação a outros órgãos, já que, desde há muito tempo, contamos com a diálise e transplantes”.

Cerca de 55.000 pessoas sofrem de insuficiência renal em Portugal, a mais comum das doenças renais; com cerca de 6.200 novos doentes por ano.

A doença renal é silenciosa em adultos; muitas vezes não dá a cara, embora os sintomas de caráter geral são o cansaço, a falta de apetite, inchaço dos pés, vómitos ou dores ósseas, relata Roberto Martín, que ressalta a importância da prevenção: controle de diabetes, hipertensão e obesidade, evitar o tabaco; e desenvolver uma dieta equilibrada em conjunto com a prática de exercício.

Este especialista traz alguns dados: mais de 60 por cento das pessoas que iniciam diálise no ano de ultrapassar os 65 anos de idade, e de 30 por cento, 75.

A incidência de insuficiência renal -expressa o dr. Martin – não estava crescendo em adultos, mas nos últimos anos voltou a se recuperar. Ainda não se sabe o motivo. Dos diabéticos e dos hipertensos têm que cuidar de si mesmo e levar a hábitos de vida saudáveis”.

Atenção a crianças e adolescentes

Na infância, há uma prevalência de 100 casos por cada milhão de habitantes, com cerca de 400 crianças menores de 18 anos com tratamentos substitutos; na maioria dos casos de nefrologia pediátrica, opta pelo transplante, explica o doutor Alonso.

“As crianças -frisa a psicóloga Maite Marín – adaptam-se melhor que os adultos, porque eles incorporam tudo com normalidade. Os pacientes renais adultos não o fazem assim, para eles, entrar em diálise supõe uma mudança em sua vida e muito importante”.

Maria Jesus Pascau coloca o acento no trabalho com as famílias quando se diagnostica a doença renal a uma criança: “A do Abc é integrar a família no tratamento e na dinâmica de trabalho”.

Mais complicado do que tratar as crianças afetadas é fazê-lo com os adolescentes. “A adolescência é caracterizada por rejeição, as normas e as emoções são muito intensas, e isso explica em parte abandonem”, adverte a psicóloga.

“A adolescência é um desafio, porque não há duas adolescentes iguais… é uma fase em que querem fugir da figura paterna e há que conseguir individualizar a relação para que não deixem os tratamentos”, completa a enfermeira.

O tema deste Dia Mundial do Rim, vinculado à infância, ressalta o doutor Alonso Melgar, é importante, não apenas para o diagnóstico em crianças, mas do ponto de vista da prevenção, e enfatiza aspectos como uma dieta saudável e equilibrada, evitando os refrigerantes com adoçantes, tomar água como hidratante universal e fazer exercício com regularidade.

Mais apoio psicossocial, é fundamental

Os quatro palestrantes desta mesa redonda em EFEsalud concordam que o apoio psicológico é fundamental, mas não tem o apoio suficiente por parte das administrações, com o que se conta a partir do enfoque médico assistencial.

“A doença produz vulnerabilidade tanto para o doente como para o seu ambiente. Há famílias que olham para o outro lado, enquanto outras tendem a sobreproteger”, diz Maite Marín, enquanto o doutor Alonso ressalta-se que o excesso de proteção é dada mais nos países mediterrânicos, que os anglo-saxões.

A enfermeira Maria Jesus Pascau enfatiza o seguinte: “Em nossa relação com os afetados nos tornamos hábeis do apoio emocional, mas nos falta o apoio profissional dos psicólogos. Temos que lidar com a sobreprotección. Em adolescentes ou pessoas que perdem um rim, o que se manifesta é a frustração”.

“Mas creio -prosseguiu – que o verdadeiro estigma social é a pena. Não se lhes recusa, mas sim dar pena. E ninguém gosta de gerar este sentimento; e a lidar com a raiva que isso implica é difícil. No ambiente hospitalar são pessoas normais, mas quando saem à rua, o que você vê nos olhos das pessoas que lhes assista, não gostam”.

Os quatro especialistas também apoiam que os pacientes devem ser responsáveis por sua doença e desenvolver um sentido ativo e colaborador com o apoio de médicos, enfermeiros e psicólogos.

O desafio das doenças renais para estes quatro especialistas passa por consolidar uma mensagem de esperança e otimismo aos pacientes e familiares, e de prevenção desde a infância com hábitos e estilos de vida saudáveis.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply