Primeiro bebê português recebe transplante de coração incompatível com o seu sangue

Carla, com cinco meses, tornou-se o primeiro bebê português que tenha recebido, no Hospital Gregorio Marañón de Madri, um transplante de coração incompatível com grupo sanguíneo entre o receptor e o doador, o que faz de Portugal o terceiro país da Europa em realizar este tipo de intervenção.

Infográfico Hospital Gregorio Marañón.

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No passado dia 9 de janeiro, Carla, um bebê que nasceu com uma malformação cardíaca congênita diagnosticada durante a gravidez, recebeu um transplante de coração incompatível com o seu sangue, usando esta técnica e se encontra internada na UTI, onde evolui favoravelmente.

Realizar este tipo de transplante é possível porque as crianças nascem sem anticorpos contra o grupo sanguíneo e se mantém em níveis baixos até os 12-15 meses de idade.

Graças a este procedimento pode aumentar em 50 % o número de transplantes de coração em crianças menores de um ano e reduzir, assim, as listas de espera de forma significativa.

De fato, segundo explicou a diretora da Organização Nacional de Transplantes (ONT), Beatriz Domínguez, as chances de um bebê receba um coração em Portugal são de 60 %, o que “morrem crianças em lista de espera”.

Isso se deve a que “felizmente” a mortalidade infantil em Portugal é muito baixa, e é muito difícil encontrar um coração para um bebê menor de um ano de acordo em tamanho para que caiba no tórax e compatível em grupo sanguíneo. Agora, as possibilidades aumentam até 90 %.

Um transplante de coração, marco histórico para Portugal

Domínguez, que qualificou a intervenção de “marco histórico” para a Espanha, esteve em conferência de imprensa junto ao conselheiro de Saúde da Comunidade de Madrid, Enrique Ruiz Escudeiro, e os médicos que realizaram o transplante, que explicou o procedimento realizado e reconheceram que se impressionaram.

A doutora Manuela Caminho, chefe da Unidade de Transplante Cardíaco do Gregorio Marañón, explicou que Carla foi derivada a partir da Extremadura a este hospital, onde realizou-se o acompanhamento da gravidez e se programou o seu nascimento, uma vez que estas crianças necessitam de uma estabilização, logo que nascem, e a sua inclusão na lista de espera para o transplante.

O 9 de janeiro, a equipe de cirurgia cardíaca infantil, que dirige o médico que dirige João Miguel Gil Jaurena começa a implantação com um tempo de isquemia (coração parado) de menos de 4 horas (230 minutos), o que permitiu que o órgão transplantado tem uma função excelente.

A doutora Caminho tem incidido na importância de que os tempos de espera para um transplante cardíaco sejam curtos, de tal forma que não se devem ultrapassar as 6 horas do que se extrai o órgão, até que se implanta e late, um “pequeno tempo” que exige muita coordenação e que envolve muitos profissionais.

“Se pode ser em menos de quatro horas, muito melhor”, sublinhou esta doutora, quem afirma que esse tem sido o sucesso deste caso, “que saiu fenomenal”.

Embora os transplantes cardíacos, os pacientes devem permanecer na UTI por cerca de um mês, no caso de Carla, ao bater o coração no momento do implante, a recuperação é “muito boa e muito rápida”.

Em uma semana já respirava por si só e o coração funciona sem a necessidade de medicamentos, por isso que em breve poderá obter alta, garantiu Caminho.

O doutor Gil Jaurena assinalou que nos últimos dois anos, foram utilizados como “simulacros” os diferentes transplantes realizados para praticar, “de maneira que, chegado o dia, nós tivemos que improvisar o menos possível”.

“A grande vantagem que buscamos com este sistema é que nenhuma criança com menos de doze meses fique sem receptor para conseguir compatibilizar ao máximo a escassez de doadores”, salientou o cirurgião.

O conselheiro de Saúde, destacou a “vocação trasplantadora” do hospital de madri, onde se realizam de 50% de todos os transplantes cardíacos de crianças, em geral, e 35% dos de coração.

No nosso país se realizam anualmente uma média de 17 transplantes cardíacos em crianças, dos quais entre três e cinco são levados a cabo em menores de um ano.

“A partir de agora se abre uma porta de esperança para bebês como Carla e suas famílias”, salientou a diretora do GNT, que salientou a generosidade dos doadores. “Não nos esqueçamos que por trás desta história de sucesso, houve uma história de sofrimento”.

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