Primeiro catálogo de proteínas do câncer de mama triplo negativo

Este ‘atlas’ conseguiu, assim, “colocar ordem” o câncer de mama e estabelecer uma relação entre um padrão de proteínas determinado e um prognóstico ou resposta aos medicamentos. Além disso, os cientistas conseguiram identificar novos alvos farmacológicos, para as quais, em alguns casos, já existem medicamentos na prática clínica.

Até agora se sabia que o câncer de mama triplo negativo deve-se a numerosas mutações que atuam conjuntamente e em combinações únicas para cada caso, mas não foi anteriormente descrito sinais bioquímicas predominantes e repetidas em pacientes.

Por contra, os outros dois subtipos de câncer de mama, que expressam receptores-proteínas – de hormonas femininas (hormonal-dependentes) e os que contêm níveis exacerbados do receptor HER2, sim ele tinha conseguido e já existem tratamentos específicos que eliminam grande parte das células tumorais.

A heterogenidad, portanto, o triplo negativo impediu de definir fatores prognósticos e preditivos, o que provocou que a quimioterapia convencional continue sendo a principal opção.

Para conseguir este “atlas”, bioquímico, os pesquisadores não se detiveram em analisar os genes envolvidos neste tipo de câncer, mas que examinar as proteínas que eles geram. Assim, conseguiram identificar seis cinases -um tipo de proteína – cujo estado funcional -quando estiverem activadas ou não – prediz a evolução do câncer.

A pesquisa foi feita em amostras de tumores de 34 pacientes e os resultados são aceitaram com 170 pacientes: aquelas pacientes em que nenhuma destas cinases estavam ativas tiveram 95% de chance de curar, ou pelo menos, de não ter caído doze anos depois do tratamento, detalha o CNIO em uma nota de imprensa.
Tecido mamário de uma paciente com recaída que apresenta os marcadores de fosforilação ativos (esquerda; cor marrom intenso), em frente ao tecido proveniente de um paciente sem recaída e que não apresenta estes marcadores activos (à direita). Imagem do CNIO.
Em troca, basta que apenas uma das seis cinases ativa para que o risco de recaída se multiplicara por dez.

Algumas desta proteína haviam sido estudadas anteriormente, mas “até agora não havia nenhuma razão para se fixar nelas”: sabe-se agora que estas seis cinases desempenham um papel chave neste câncer.

Estas seis proteínas podem inibir farmacologicamente e contra três delas, de acordo com Quintela, já existem fármacos em uso -utilizados por exemplo para outros tumores como o melanoma-.

Para isso, os pesquisadores fizeram experimentos em ratos e modelos de celulares e testaram, em concreto, a atividade antitumoral de 1a 5 combinações de dois fármacos de cada uma, em dez modelos diferentes -no total, 150 diferentes situações-: conseguiram um efeito terapêutico superior ao da soma dos efeitos terapêuticos de cada medicamento separadamente em 99,3% dos casos.

Mas não só, os cientistas também querem, e já trabalham com isso, que a análise destas proteínas pode ser feito em hospitais, de forma a que no futuro seja uma prova clínica tão comum como é hoje a análise do perfil genético de qualquer tumor.

“Visualizar as cinases e não os genes, conseguimos fazer uma associação entre o tumor e a previsão, pelo que, pela primeira vez, temos que colocar ordem neste tumor e, no futuro, poderemos orientar as pacientes para um ou vários fármacos específicos e não que todas sejam tratadas da mesma forma, como nos dias de hoje”, afirma Quintela. EFEfuturo

Miguel Ángel Quintela, do CNIO e principal autor do estudo. Imagem fornecida por este centro de pesquisa.

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