primeiro consenso científico para uma abordagem diferenciada

Seu objetivo é oferecer uma atenção adequada e livre de vieses de gênero para as mulheres infectadas pelo HIV em cada estágio de seu ciclo vital. Os especialistas de GeSIDA, os autores do relatório, sugerem ter em conta os aspectos biológicos, psicológicos e sociais, assim como as diferenças no diagnóstico, desenvolvimento e tratamento do vírus em mulheres

Ato contra a aids/EFE/Roberto Escobar

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Segunda-feira 10.09.2018

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Sexta-feira 07.09.2018

O documento, dirigido a profissionais de saúde e elaborado por especialistas de GeSIDA, o Grupo de Estudos de AIDS da Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica e a Secretaria do Plano Nacional sobre Aids, incorporando uma perspectiva de gênero na prática clínica sobre o VIH em Portugal.

As recomendações específicas do consenso passam por adaptar o tratamento ao ciclo vital da mulher, atender à saúde sexual e emocional de cada paciente e avaliar o risco de transmissão do vírus da aids diante de casos de violência contra as mulheres, entre outras.

O próprio diagnóstico da aids, muitas vezes, se traduzem em mudanças significativas na atividade sexual da mulher, com períodos prolongados de abstinência, rejeição ao sexo, insatisfação ou falta de desejo. Os especialistas sublinham a necessidade de tratar estes aspectos para que os pacientes consigam uma sexualidade saudável, igualitária e prazerosa.

Ao mesmo tempo, as pessoas afetadas apresentam uma maior incidência de quadros ansioso-depressivos, principalmente no caso das mulheres.

Outra das propostas é a coleta de informações no que diz respeito a tratamentos anti-retrovirais. Com os escassos dados disponíveis hoje, “parece que a eficácia do tratamento é a mesma em homens e mulheres”, observam os autores. Seria conveniente conhecer os efeitos adversos, bem como determinar qual é a dose óptima para elas e se existe algum regime terapêutico mais adequado.

Diretrizes para cada ciclo de vida

Não é o mesmo da adolescência que o climatério. Cada etapa requer uma abordagem diferenciada. Os especialistas incidem sobre a importância do apoio psicológico para a divulgação e a aceitação da doença, em especial quando a portadora do vih é jovem. É preciso que uma equipe multidisciplinar se adapte às características a perda de capacidade e sociais de cada paciente.

O consenso aponta que toda grávida deve submeter-se ao teste de HIV. No caso de chegar para o parto, sem saber de sua situação, a mulher deve fazer um teste rápido, já que a cesariana reduz a transmissão em 50 por cento.

Os novos diagnósticos em mulheres maiores de 50 anos têm aumentado de forma significativa nos últimos anos, passando de 1.8% em 1996 para 4,2% em 2008. No entanto, poucos estudos têm focado neste grupo de idade. Sim, você sabe que as afetadas costumam apresentar menopausa precoce e sintomatologia mais acentuada.

O referido consenso era “necessário e urgente”, nas palavras de João Berenguer, presidente GeSIDA. Apesar de existir mais de 16,7 milhões de mulheres seropositivas em todo o mundo (49% do total de afetados), não estão suficientemente representadas nos ensaios clínicos: apenas constituem entre 12% e 23% da população estudada.

Muitas mulheres estão submetidas a discriminação, violência e falta de reconhecimento de direitos fundamentais. Além disso, a transmissão sexual da infecção pelo HIV ocorre de forma mais eficiente do homem para a mulher do que vice-versa. Tudo isso as torna mais vulneráveis.

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