Progressos médicos em câncer de pulmão

Cada passo conta quando se trata de derrotar o câncer de pulmão. EFEsalud faz um percurso pelos principais avanços médicos nesta patologia da mão da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica, no âmbito do Dia Internacional deste tipo de tumor cuja incidência e mortalidade continuam aumentando

EFE/Leo La Valle

Artigos relacionados

Terça-feira 01.07.2014

Quarta-feira 16.07.2014

Quinta-feira 30.10.2014

Segunda-feira 27.01.2014

Ciência e tecnologia unem forças para frear o câncer de pulmão, o tipo de tumor mais frequente e que provoca o maior número de mortes no mundo, segundo os dados da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM). A doutora Dores Ilha, membro da secretaria científica da sociedade e oncóloga médica do hospital clínico Lozano Blesa de Saragoça, destaca os avanços mais significativos nesta doença.

De acordo com dados do Grupo Português de Câncer de Pulmão (GECP), a cada ano morrem 21.118 espanhóis por causa desse câncer, 82% dos homens e 17% mulheres; uma cifra que supera a soma das mortes provocadas por tumores de cólon, mama e pâncreas juntos.

Um diagnóstico mais preciso

A doutora Ilha destaca os progressos tecnológicos que permitem um diagnóstico mais preciso do câncer de pulmão.

Por um lado, a melhoria do diagnóstico laboratorial dos tumores, pela qual são classificados do ponto de vista de sua extensão. A especialista afirma que, para isso, necessitam de “técnicas de imagem, como scanners ou a tomografia por emissão de pósitrons e técnicas endoscópicas, como é o caso da ecobroncocospia, que está sendo introduzida”.

Quanto ao diagnóstico das características patológicas e moleculares do tumor, Ilha salienta os diagnósticos por punções ou endoscopias, bem como o rápido avanço das tecnologias para análise de alterações moleculares.

A oncóloga também destaca o uso de ‘NGS’ (Next Generation Sequencing), sequenciadores de última geração, que permitem uma varredura molecular de diversos genes com uma única amostra e as biópsias líquidas, que possibilitam estudos moleculares a partir de amostras de sangue periférico. Além disso, estão incorporando novas tecnologias que permitem a determinação de biomarcadores.

Tratamentos contra alvos moleculares

Embora tenha havido um avanço nas diferentes opções de tratamento, a especialista afirma que uma das linhas de investigação mais importantes é a determinação de biomarcadores, que consiste em selecionar os pacientes que têm algumas características moleculares específicas para investigar fármacos que atuam sobre essas alvos de forma eficaz.

“Os dois alvos que temos pesquisado e que já estão na prática clínica são a mutação EGFR e a translocação ALK”, indica Ilha; a especialista aponta que os medicamentos para esses subgrupos de pacientes com estas determinadas alterações genéticas representam aproximadamente o dobro de sobrevivência o que se obtém com o tratamento padrão.

“Nosso objetivo é continuar a identificar novos alvos e biomarcadores preditivos de eficácia de novos medicamentos, bem como os mecanismos de resistência que ocorrem a estes medicamentos”, -e acrescenta-” estes são eficazes durante um tempo, mas depois se desenvolvem resistências contra as quais também temos que trabalhar.”

Dores Ilha ressalta a imunoterapia como estratégia de tratamento promissora, que no câncer de pulmão, que se encontra em fase de estudos, cujos resultados preliminares são encorajadores; “os pacientes sobrevivem mais, embora os primeiros resultados devem ser confirmados com ensaios clínicos bem feitos”, adverte.

A especialista explica que a imunoterapia no câncer de pulmão tem sido melhorada; esta terapia que já provou sua eficiência no melanoma, aumenta a actividade do sistema imunitário de forma a que a sua eficácia seja maior e permita um controle do câncer.

Fundamental: avançar na prevenção

A oncóloga expõe que a tomografia computadorizada de baixa radiação é a única prova que, no câncer de pulmão tem demonstrado que é possível reduzir a mortalidade em 20% se for feito em pacientes de risco deste tipo de câncer, com características específicas quanto à idade e ao grau de tabagismo.

No entanto, Dores Ilha adverte que a sua implementação na prática clínica não é simples, já que é uma técnica dispendiosa, requer uma infra-estrutura e recursos humanos e materiais concretos e tem críticas como o sobrediagnóstico. Ainda assim, há que reconhecer que os resultados que se obtêm são semelhantes aos do rastreio de cancro da mama.

Nos Estados Unidos, o Medicare acaba de financiar essa técnica para seu uso, cujo custo-benefício é 81.000 dólares por ano de vida ganho com qualidade.

No entanto, a especialista adverte que diante das técnicas de rastreio, está a prevenção do câncer de pulmão através da cessação do tabagismo. Ilha salienta a importância de se evitar o início e facilitar a deshabituación dos fumantes, porque “a relação entre tabagismo e câncer de pulmão é muito estreita, entre 85 a 90% de todos os cânceres de pulmão ocorrem como resultado do consumo do tabaco”.

Reconhece que as políticas de prevenção são realmente necessárias, destacando-se a lei de janeiro de 2011, a proibição do tabaco em espaços públicos como positivo para reduzir o número de fumantes ativos e passivos.

Os especialistas do GECP afirmam que se conseguiu dissuadir o consumo e que a prevalência do tabagismo em jovens entre 16 e 24 anos seja inferior a 23 por cento.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply