propagação de três patologias que preocupa a OMS

A propagação internacional de várias doenças tropicais, confinadas até há poucos anos a áreas geográficas muito específicas -como o chikunguña, a dengue ou o mal de chagas-, preocupa a Organização Mundial da Saúde (OMS), que pede mais investimento para enfrentá-las

Um funcionário especializado do Ministério da Saúde fumiga para combater a Dengue.EFE/Gustavo Amador

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Este reconhecimento coincide com uma petição pública lançada por este organismo nos países afetados, que exortou a aumentar o investimento em combater 17 doenças tropicais negligenciadas.

“A propagação que mais preocupa é a do dengue e do chikunguña, transmitidas pelos mesmos tipos de vetores (mosquitos)”, disse em Genebra o diretor do Departamento de Doenças Negligenciadas da OMS, Dirk Engels.

O chikunguña, o dengue e o mal de chagas -a versão latino-americana da “doença do sono” (tripanossomíase humana africana)- estão presentes na América Latina, com novos surtos de os dois primeiros detectados recentemente na Bolívia e Paraguai.

A expansão do vírus tropicais

No ano passado registaram-se graves surtos de chikunguña no Caribe, República Dominicana e El Salvador, além de Haiti, Martinica, Guadalupe, Colômbia e Porto Rico, como os países mais afetados.

Seus sintomas são febre, ter erupções cutâneas e dores fortes nas articulações, de cabeça e muscular, e mesmo que costumam remeter, no prazo de dez dias, às vezes persistem durante meses.

Por sua parte, a dengue é semelhante a gripe, mas pode evoluir até adquirir uma forma grave e causar a morte.

Para a OMS, a presença de mosquitos vetores da dengue e do chikunguña em áreas cada vez mais amplas deve-se a:

  • A mudança climática e seu impacto no meio ambiente.
  • O processo de urbanização descontrolado.
  • O maior movimento internacional de pessoas e bens.

Nestas circunstâncias, ambas as doenças “se propagam e invadem países desenvolvidos, e aqui não se trata de pobreza, mas de que se estendem, como epidemias”, explicou Engels. Igualmente se está confirmando que “o período entre brotos foi reduzido” e que, de maneira geral, a incidência dessas doenças está aumentando.

O avanço da doença de Chagas

O diretor do Departamento de Doenças Negligenciadas também razão outra doença cuja “internacionalização” preocupa a comunidade médica e que é o mal de Chagas.

Seu contágio ocorre através do contato com insetos vetores (percevejos) que se escondem nas casas e causam uma infecção que durante algum tempo não tem sintomas, mas que em seguida se agrava ao ponto de ser mortal.

O especialista revelou que na Europa e América do norte estão detectando o contágio através de transfusões de sangue e transplantes, “o que estamos trabalhando para controlar isso e ter certeza de que esta transmissão se detenha”.

Outro tipo de doenças tropicais, como a lepra, a doença ou a filariose linfática, que persistem na América Latina, estão confinadas a focos de pobreza extrema, onde podem se tornar crônicas.

Outras patologias, mais preocupações

Além do caso latino-americano, a OMS identificou, igualmente, “outras doenças que aparecem em lugares onde nunca se tinham visto, e um exemplo é a esquintosomiasis”, uma infecção que se adquire ao entrar em contato com águas infestadas por larvas.

Lá foi descoberta há três anos em uma área de (a ilha de Córsega, perto de um acampamento de férias, a que chegou através de turistas que haviam viajado anteriormente à África.

As doenças tropicais são frequentemente causa de cegueira, desfiguração, invalidez permanente e morte, especialmente em populações pobres.

Neste combate, os últimos sucessos na América Latina têm sido protagonizados pelo Equador e Colômbia, que eliminou em 2014 e 2013, respectivamente, a oncocercose ou cegueira dos rios.

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