Propagação do coronavírus, ameaça que pode conter

A propagação do coronavírus é uma clara ameaça para a saúde pública, mas o fato de que não há indícios de que possa ser transmitida entre humanos de forma sustentada sugere que pode ser mantido sob controle, conclui a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Símbolo da Organização Mundial da Saúde (OMS)/ 66 Assembleia/EFE/Jean-Christophe Bott

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Após a sua quinta reunião periódica para avaliar a evolução do Síndroma Respiratório por Coronavírus e do Oriente Médio (MERS), o Comitê de Emergência da organização determinou que esta doença não reúne o momento os requisitos para declará-la uma emergência de saúde pública de alcance internacional.

Quatorze dos dezesseis membros do comitê deliberaron durante cinco horas sobre essa questão e escutaram o relatório de uma equipe de especialistas da OMS, que viajou recentemente para a Arábia Saudita, onde se concentram mais de 80 por cento dos casos.

Também foram recebidas contribuições de especialistas designados pelos outros doze países onde são registrados novos casos ou designado infecções: Egito, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Filipinas, Grécia, Jordânia, Kuwait, Líbano, Malásia, Omã, paquistão e Iêmen.

Em uma conferência de imprensa, o director-geral adjunto da OMS, Keiji Fukuda, disse que um dos aspectos mais importantes para impedir a propagação do coronavírus é contar com medidas de prevenção específicas para as pessoas em contato com os doentes.

Contágio em hospitais

Ele lembrou que o aumento acentuado de casos que se observa desde meados de março, foi sobretudo em meios hospitalares da Arábia Saudita e, em menor medida, nos Emirados Árabes Unidos.

“A transmissão em hospitais tem sido uma característica central desse vírus”, disse Fukuda, que disse que, neste domínio, “não há nada de esotérico que fazer”, simplesmente cumprir de forma rigorosa com rotinas básicas nos momentos indicados, como lavar as mãos após o contato com pacientes ou usar luvas e máscaras.

A equipa da OMS, que foi para a Arábia Saudita visitou hospitais na cidade de Yeda para observar diretamente o que se passava lá e nessas visitas constatou que muitas práticas de controle de infecções não eram ótimas.

“A combinação de pacientes hospitalizados por MERS (Arábia Saudita) e práticas para o controle de infecções subóptimas provocaram uma amplificação de casos nos hospitais”, disse o “número dois” da OMS.

Casos aumentam nesta temporada

No entanto, o que acontece nas comunidades, onde também se experimenta um aumento de casos, “está menos claro” para a organização de saúde mundial, reconheceu Fukuda.

Os especialistas indicam como explicação que o aumento de casos tenha que ver com a época, o que coincide com o observado nos últimos dois anos, quando por volta desta mesma época do ano em que se tinha registado um aumento de casos de coronavírus.

Outra possibilidade para o aumento de casos nas comunidades é que, simplesmente, a vigilância sanitária seja melhor e agora estão a denunciar os casos com maior rigor do que no passado.

Transmissão entre pessoas

A terceira possibilidade que baralha a OMS é a mais alarmante e tem que ver com um eventual aumento da transmissão do vírus entre pessoas, embora Fukuda afirmou que “neste momento, não há evidência convincente sobre um aumento da capacidade do vírus de se transmitir”.

Fukuda anunciou que, nas próximas semanas, o Comitê de Emergência da OMS voltará a se reunir para avaliar novamente a situação, embora ainda não tenha escolhido uma data precisa.

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