Proteger o bem-estar dos filhos após um divórcio

Aprender a cada dia faz parte da aventura de ser pais, um périplo em o que fazer com os filhos uma infância plena e feliz é o objetivo principal; a psicóloga Silvia Alava reunida no livro os erros mais comuns e as estratégias que funcionam melhor para ter filhos felizes, mesmo depois de uma separação

EFE/ Raúl Caro.

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No livro “nós Queremos filhos felizes. O que nunca nos ensinaram”, (JdJ Editores), a psicóloga Silvia Alava fornece dicas e técnicas para resolver os principais problemas que podem surgir no dia-a-dia de pais e filhos, em ordem cronológica, desde o nascimento até os seis anos de idade, combinados com estudos de caso que exemplificam as diferentes situações.

Silvia Alava assessora de forma clara e concisa sobre o bem-estar dos filhos a partir de sua experiência profissional como diretora da área infantil no Centro de Psicologia Álava Reyes; os direitos de autor serão doados para a Associação Novo Futuro.

Desde a educação infantil ao estabelecimento de regras, passando por como dirigir-se a eles, tudo para melhorar a qualidade de vida das famílias. A psicóloga ressalta que para educar os filhos é essencial usar o senso comum e saber agir diante de determinadas situações requer parar para observar o que acontece e analisar tanto a forma de agir da criança, como da dos pais.

Na segunda seção do livro, desenvolvem-se as principais questões até os dois anos como os hábitos de sono, higiene, alimentação, até como estimular sua inteligência; a terceira trata questões como a adaptação ao colégio, medos, ciúmes ou desobediência; o livro termina com um capítulo dedicado aos diferentes tipos de famílias e um epílogo sobre a importância de transmitir valores às crianças.

Entre os obstáculos que se podem apresentar, encontram-se as separações, uma realidade em que muitas vezes os filhos são os principais prejudicado; a psicóloga Silvia Alava dá diretrizes para que as crianças convivam com o divórcio de seus pais, da melhor maneira possível.

Alguns erros comuns

Silvia Alava aponta que “muitos pais conseguem salvar suas diferenças individuais para o bem de seus filhos”; isto não significa que depois do seu casamento, mas, sim, que mantenham o objetivo principal: o bem-estar do filho. Esses são alguns dos erros a evitar para alcançá-lo.

  1. Envolver diretamente a criança na separação. Silvia Alava explica que compartilhar os motivos da separação com a criança é um dos erros que mais se incide. A psicóloga adverte que quando a criança é pequena, não há que falar porque não tem o suficiente desenvolvimento maturativo, para compreendê-lo, mas mesmo quando é maior, também não cabe, porque é um tema de casal.
  2. Desqualificar o casal. Quando se desqualifica a ex-casal na frente da criança, ou usá-lo de mensageiro para dizer coisas, estamos prejudicando, fazendo inseguro e submetendo tensões porque “a sua principal fonte de segurança são os pais, já que são seus adultos de referência”. Não há que esquecer que “por muito mal que nos tenha ido com a nossa ex-casal, não deixa de ser o pai ou a mãe de nosso filho.”
  3. Marcar tempos para a assimilação. Não há um limite estabelecido para que a criança assimile a situação, cada caso vai precisar de um tempo diferente. Os pais tendem a fixar tempos em que os períodos de adaptação, que não correspondem com a realidade da criança, que, pelo seu próprio desenvolvimento cognitivo não tem as estratégias que têm os adultos.
  4. Tentar comprar o menino. É possível cair no erro de pensar que a criança vai ser mais feliz ou que vai querer estar mais com a gente, se o colmamos de coisas materiais, mas, na realidade, ocorre o contrário; “as crianças precisam que lhes digam por onde tem que ir, lhes trasmitan segurança, firmeza e muito carinho”.

A psicóloga é contundente ao afirmar que, quando se trata de crianças, o afeto se ganha no dia a dia. “Os bens materiais passam de moda e com isso o seu efeito, no entanto, ter um bom relacionamento afetivo com a criança é um vínculo muito mais estável, seguro e sustentável”.

A chave: uma linha educativa comum

Quando ocorre um divórcio, as vidas dos membros do casal tomam rumos diferentes; no entanto, não deve acontecer o mesmo com a educação dos filhos. Alava afirma que quando se trata de educar, os pais têm de estar de acordo sobre os aspectos essenciais porque “as crianças são sensíveis às incongruências educativas”.

A psicóloga afirma que, se cada pai age de uma forma diferente e as crianças são pequenos “se perdem, porque não sabem o que é o que realmente se espera deles e se perguntam: por que com a mãe é de uma maneira e com o pai de outra?”

Além disso, se houver mais de uma linha educativa e as crianças são maiores, “a sua capacidade de observação, há que usem estas incongruências para o seu próprio benefício; aprendem que as coisas pedir para a mamãe e o que as coisas para o papai.”

Novos parceiros, novos papéis

A psicóloga indica que, com frequência, as crianças têm a fantasia de que seus pais vão consertar seu casamento e o fato de que o pai ou a mãe comecem uma nova relação-lhes supõe ter que assumir que a separação é definitiva.

Segundo a especialista, a outra pessoa tem que assumir que o papel que lhe cabe: o de companheiro da mãe ou do pai, “nunca o pai ou a mãe, porque a criança já os tem”.

Silvia Alava insiste na importância de que se estabeleçam essas funções porque o casal do pai ou da mãe, não deixa de ser um adulto de referência. “Se convivem juntos, eles vão ser quem marque as regras e que não sejam seus pais não implica que não lhes tenham que obedecer”.

Por muito que se queira que as crianças se adaptem, “não há que forçar as situações e há que dar-lhes tempo, com a convivência se devem estabelecer bons laços afetivos”.

Normalizar a situação

Alava enfatiza a importância de que todos os adultos de referência da criança conheçam qual é a sua realidade, entre eles, professores e cuidadores. O objetivo de comunicar a situação do menor não é que se lhe associe, e receber um tratamento diferente, mas normalizar a situação o máximo possível.

Mas, cuidado, a psicóloga adverte que o fato de todas as pessoas que estão em contato conheçam a sua realidade, “não significa que lhes tenhamos que contar a nossa vida”.

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