Proteínas de arroz transgénico para retardar o HIV

Pesquisadores espanhóis mostraram que os extratos de três proteínas diferentes, obtidas de uma única planta de arroz transgénico impedem a entrada do HIV nas células humanas, em experimentos in vitro. Com elas podem criar um gel microbicida.

Arroz transgénico. Foto IrsiCaixa

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Os pesquisadores, cujo trabalho foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, obtiveram, pela primeira vez, uma combinação de proteínas produzidas simultaneamente em sementes de arroz transgénico, que poderia traduzir-se em um novo processo para a produção de géis microbicidas contra o VIH a um custo suficientemente baixo para os países pobres.

Os extratos poderão ser utilizados para a produção de microbicidas tópicos para prevenir a transmissão do HIV, que podem ser de fácil implementação nos países de escassos recursos, por seu baixo custo e facilidade de aplicação, segundo o Instituto de Pesquisa da Aids IrsiCaixa, que realizou o estudo junto à Universidade de Lérida-Centro Agrotecnio, ambos na Catalunha (nordeste).

Além disso, parte das infecções pelo HIV poderiam ser evitadas mediante a aplicação na vagina ou o reto de géis microbicidas, de forma prévia à relação sexual.

Estes medicamentos, que ainda não são comercializados, podem bloquear a infecção pelo HIV, unindo-se a algumas proteínas do vírus que desempenham um papel fundamental na sua entrada nas células.

IrsiCaixa ressaltou que as plataformas tradicionais de produção de proteínas, que normalmente utilizam células de mamíferos ou bactérias em cultura no laboratório, são muito caras e não têm a capacidade de produção suficiente para abastecer os países de poucos recursos, que são os mais afetados pela pandemia.

Por este motivo, a estratégia de produção baseada em arroz representa uma excelente alternativa que, além disso, fornece uma atividade microbiocida mais potente, revelou o instituto.

Potência contra as variantes do HIV

Os pesquisadores também observaram que os componentes do arroz aumentam a potência contra diversas variantes do vírus, o que significa que a produção a partir de arroz de microbicidas contra o HIV”, não só reduziria os custos em comparação com as plataformas de produção tradicionais, mas que também traria benefícios em termos de poder microbicida”.

Assim explicou o pesquisador do Instituto de Pesquisa Germans Trias i Pujol em IrsiCaixa Julià Branco, que sublinhou que, “em alguns casos, os microbicidas podem ser a única opção para as mulheres para prevenir a infecção pelo HIV, já que muitas vezes os homens são avessos ao uso do preservativo”.

Por sua parte, o pesquisador da universidade de Lérida e líder do estudo, Paul Christou, disse que “sejamos realistas, esta estratégia inovadora é a única maneira em que os cocktails microbicidas podem ser produzidos a um custo suficientemente baixo para os países que mais necessitam de tratamentos de prevenção do HIV”.

O investigador acrescentou que a descoberta representa uma prova de que a segurança e a utilidade das plantas transgênicas para enfrentar um dos problemas de saúde global mais importantes na atualidade”.

O instituto lembrou que a cada ano ocorrem mais de 1,8 milhão de novas infecções por HIV no mundo, a maioria delas na África e que, na ausência de uma vacina eficaz contra o vírus, a pesquisa para parar a pandemia não se concentra apenas nos tratamentos contra o HIV, mas também em medidas de prevenção para reduzir a transmissão do vírus.

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