Prótese pênis: quando falha a química

As próteses de pênis não são necessárias para andar, nem para ouvir, nem que seja para resolver um problema estético, mas sim para manter uma vida sexual saudável, em casos de disfunção erétil, que não respondem a outros tratamentos, como a famosa pílula azul, de acordo com especialistas consultados pela Efe

EPA/Julian Stratenschulte

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“Você tem que saber que por grave que seja a disfunção erétil, sempre tem solução”, garante o doutor Eduardo Ruiz Castañé, diretor do Serviço de Andrología da Fundació Puigvert.

E para aqueles que pensam que é uma frivolidade, falar sobre isso em momentos de crise, este urologista adverte que “a vida sexual fornece muito equilíbrio emocional”.

As próteses de pênis são as grandes desconhecidas do mundo dos implantes e, no entanto, uma solução “muito satisfatória” para os homens com problemas de ereção importantes.

Diabéticos graves, pessoas submetidas à cirurgia radical após câncer de próstata e cólon e lesionados medulares estão neste grupo.

No entanto, ao igual que no resto da Europa, estamos a cauda quanto ao uso desta cirurgia. Enquanto nos Estados Unidos são colocados cerca de 25.000 anuais, “aqui colocamos umas 2.000”.

“É uma proporção fora de toda a razão médica; entram outras considerações mais de julgamentos ou idéias falsas”, diz o doutor Ignacio Moncada, chefe de Serviço de Urologia na Clínica da Zarzuela e presidente da Associação Espanhola de Saúde Sexual.

“A lógica médica diz que, se não posso andar, eu coloquei uma prótese. Se eu sinto o mesmo em outra função do organismo, como a ereção, eu também deveria funcionar”, garante o médico, que reconhece que “talvez seja mais importante andar que ter relações sexuais”.

“Mas teria que perguntar às pessoas”, acrescenta.

Para o doutor Juan Ignacio Martínez Salamanca, do Serviço de Urologia do Hospital Universitário Porta de Ferro de Lisboa, o motivo é múltipla. Primeiro econômico, já que, proporcionalmente, são mais caras do que nos Estados Unidos e, além disso, não há tantos cirurgiões com experiência suficiente.

A escassa informação (inclusive, entre os próprios médicos) e nula publicidade fazem com que o conhecimento do paciente de que esta opção seja “muito pobre”, diz.

Resultados satisfatórios

No que corresponder a todos os estudos científicos, é que o grau de satisfação do portador de uma prótese de pênis é “altíssimo”.

“Imagine se estão satisfeitos os pacientes que uma vez que funciona não voltam a revisão”, diz o dr. Martinez Salamanca.

O funcionamento destes implantes também é simples, especialmente os mais modernos ou hidráulicos. Têm um dispositivo (uma pequena bombita) que é colocado no escroto, entre os dois testículos, e que é acionado apertando quando a pessoa quer ter uma ereção; outro botão desactivar esta opção.

“Com as próteses de pênis passa como com os telefones móveis, que no início eram muito rudimentares e as de nova geração, no mercado há cinco ou dez anos, não apresentam problemas de infecção ou rejeição”, indica o doutor Castañé.

Por sua parte, o doutor Moncada reconhece que tiveram má imprensa. É transmitida a idéia de que é um tratamento complicado, agressivo, que produz desconforto… “E houve algum motivo para pensar melhor no passado, mas já está mais do que superado”.

Embora a técnica não é difícil, os especialistas incidem sobre a importância que o cirurgião tenha experiência “para garantir ao paciente que tudo vai estar bem.”

Em Portugal há cerca de dez hospitais em que esta cirurgia é praticada com regularidade e está incluída na sua carteira de serviços do Sistema Nacional de Saúde.

Embora na maior parte dos casos, as próteses são colocadas em centros de saúde públicos, o custo desta cirurgia pode oscilar entre os 10.000 e 12.000 euros.

As relações sexuais são plenas, tanto para o portador de próteses, como para o seu parceiro.

Tanto é assim, que este urologista conhece o caso de um jovem, paciente seu, que se casou depois de ser operado e não disse a sua mulher.

Você precisa da prótese algum tipo de manutenção? “Não, estar vivo e usá-la”, assegura o dr. Ruiz Castañé.

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