Psicologia e formação contra a urticária crônica

Artigos relacionados

Quarta-feira 16.11.2016

Quinta-feira 28.07.2016

Quinta-feira 19.05.2016

Terça-feira 22.12.2015

Segunda-feira 12.01.2015

Quinta-feira 20.11.2014

Segunda-feira 07.04.2014

Sexta-feira 07.03.2014

A urticária crônica não é uma doença menor, afeta 1% da população, e prejudica muito a qualidade de vida de pacientes com efeitos psicológicos como estresse, ansiedade, medo, solidão ou a incompreensão.

“Pequeno-almoço de saúde. Conhecimento e bem-estar”, um fórum de debates que EFEsalud organiza, com a colaboração da Novartis, esteve em Barcelona para conhecer a fundo o programa “Conviver com a urticária crônica. Estratégias e actividades para aprender a viver melhor”, um curso online desenvolvido especialmente para ajudar o paciente a ter recursos, ferramentas e estratégias que permitam abordar o impacto negativo da doença e o seu impacto na qualidade de vida de uma forma mais ativa e saudável, promovido pela Associação de Atingidos de Urticária Crônica (AAUC).

Trata-Se de aprender técnicas com as quais a identificar e a lidar com as emoções e o estresse, tanto o externo como o que gera a própria condição.

Este tema tem sido o centro do debate entre a dermatologista Ester Serra, a psicóloga adjunta Sandra Rosa, ambas do hospital de la Santa Creu i Sant, e a secretaria da AUCC, Maria Antonia Gimeno.

Você é a urticária crônica de uma doença grave?

Doutora Serra, situemos os tipos de urticária e sua gravidade.

Doutora Ester Serra: A urticária destaca-se como aguda e crônica. A aguda pode ocorrer em qualquer pessoa, quase 20 por cento da população pode sofrer um episódio que se autorresuelve em um prazo máximo de seis semanas. Se passa aqui é considerada crônica.

Quanto à gravidade, é verdade que foi banalizado e, muitas vezes, associado a alergia, mas a urticária crônica não é alergia. Tudo o que pica parece que é urticária, mas não. E somente quando ocorrer angioedema, que não é o habón típico da urticária, mas um inchaço, então é quando o paciente fica com medo.

Por qualidade de vida, dentro de doenças dermatológicas, das piores. Mesmo comparável às cardíacas. Não é uma patologia menor ou leve, a partir de então.

O diagnóstico leva, às vezes, meses ou anos. O importante é diferenciar a doença de outras. É mais frequente em homens do que em mulheres.

Maria Antonia Gimeno: É uma doença desconhecida. Tem um diagnóstico muito longo. Você muda a vida de um 100 por cento em todos os aspectos, tanto psicológica como emocionalmente, e de mudar a sua vida muito rapidamente. O que você quer é que não volte a urticária. Felizmente, nos últimos anos, há tratamentos inovadores, mas quando eu comecei com esta doença, há 23 anos, não era assim. O mais inovador é ter apoio psicológico, isso é básico.

Psicóloga Sandra Rosa: A nível emocional, o que encontramos são pacientes que enfrentam duas situações que lhes marcam: a incerteza perante o diagnóstico, o tratamento, os brotos, o que gera isolamento e angústia.

E o segundo, a visibilidade das lesões; se você tem hipertensão, não se vê, mas os habones são visíveis e marcam e estigmatizan muito os pacientes.

Também esta a coceira, e a dificuldade para o descanso noturno e realizar as atividades.

Dra Serra: Com um diagnóstico estabelecido, inicia-se um tratamento programado e controlado. São os pacientes que não respondem a este tratamento que necessitam de monitoramento em unidades especializadas. Os tratamentos foram melhorados, são mais recentes e têm mudado a sua vida. Agora contamos com mais ferramentas e não é uma doença tão frustrante como antes, com menos recursos farmacológicos.

Envolvidos na colaboração

Qual é o resultado da colaboração entre o especialista, o psicólogo e o próprio paciente?

Dra Serra: Todo mundo tem que estar envolvido, também a enfermagem e a atenção primária. Diante de um tratamento, o paciente tem que saber que não é uma alergia, que há coisas que não se deve tomar, como anti-inflamatórios, que podem desencadear surtos. A visão geral é muito importante, não só o tratamento.

Maria Antonia: Confluência de vários elementos em uma urticária é a medicação, a alimentação, a roupa que você veste, é um compêndio de coisas. Devemos estar bem informados; eu peguei uma vez um ibuprofeno e foi explosivo. Há também que cuidar da alimentação, não provoca surtos, mas os agrava.

Sempre se vê como quando você está com comichão, urticária, os habones, comichão, voltam a sair… é um estado de desespero, mais agora que a imagem se importa tanto. Se você sai um agioedema com um trabalho face ao público, como você faz isso? Há pessoas que o entende e a gente não.

E se é crônica dura anos, os tratamentos melhoraram, mas o passar fatal, e há que tomar muitas precauções para que não se volte a sair quando você está bem. Em pleno auge é agonizante e te deprimes totalmente. E, em seguida, sempre que você se pergunta: será que eu voltará a sair?

Como é a qualidade de vida do paciente?

Maria Antonia: É muito precária, afeta o trabalho; eu,por exemplo, não posso levar saltos, a roupa não se pode apertar, você não pode tomar determinados medicamentos contra as dores por medo de que ele volte. Você cria ansiedade, medo diante de um granito, que não volte…. A família desempenha um papel muito importante, meu filho tinha três anos quando me diagnosticaram, agora tem 27. Eu tentei não me afetasse, tenho passado muito mal, mas você não pode estar quejándote sempre. As relações sexuais também influencia.

Sandra Rosa: É como viver sempre em alerta constante. E gera medo, ansiedade, medo, alterações na relação de casal, a nível familiar.,.. as famílias muitas vezes não sabem como agir e se sentir sozinho. E também deve-se ajudar o paciente a expressar o que sente e precisa, e não que se lhe subtraia importância, mas que é contribuição compreensão.

Maria Antonia: O paciente sente-se só, quer faça parte à sua família. Eu tenho 23 anos com urticária. Melhoramos 100 por 100, mas adaptar-se à doença custa muito.

Dra Serra: Há graus da doença, mas com 20 anos de coceira e urticária por todo o corpo, a adaptação é muito difícil.

Sandra Rosa: A nível emocional não falamos de adaptação, mas sim de aceitação, e isso é uma doença crônica é praticamente impossível. Temos que ajudar o paciente a conviver com a urticária é uma doença imposta que se muda a vida, é muito difícil aceitá-la, há que conviver com ela, e a desenvolver estratégias de frente para ela.

Dra Serra: E nem sempre é fácil explicar porque acontece nem qual é a causa e a origem.

Sandra Rosa: A mesma frustração que sente o paciente sente que o médico, quando não tem ferramentas. O tratamento é importante, mas formar e informar os pacientes também; e a abordagem psicológica; e o papel das associações de doentes também ajuda a combater a solidão.

Maria Antonia: As parcerias trazem um futuro contra as angústias e os medos. De forma útil e confiável.

Um programa pioneiro e um exemplo a seguir

Curso do programa de apoio psicológico….Conviver com a urticária crônica

Sandra Rosa: Este programa está dentro do serviço de dermatologia, onde foi introduzida a figura do psicólogo adjunto para tratar essas doenças e a diminuição da sua qualidade de vida, mas isto não é comum a outros hospitais.

Este projeto não é psicoterapia, é um programa em que o paciente pode se inscrever, e a nossa intenção é dar formação psicoeducativa e estratégias para enfrentar melhor a doença, controlar o estresse e diminuição da ansiedade; e conte com orientações, com exercícios, para superar a doença.

Não substitui a terapia, mas nos perguntamos e respondemos, o que mais se pode fazer frente a urticária e a vida dos pacientes?: constatar que eles não estão sozinhos, que sua frustração e indignação, compartilhadas por todos os pacientes e que podemos empoderarles para que sejam responsáveis no manejo da doença, e passar de uma atitude passiva para uma proativa.

Dra Serra: O programa é bom, visto da especialidade. Ter o apoio da psicologia clínica é fundamental. É parte do tratamento geral. Fica bem a parte médica e farmacológica, mas junto a isso, a melhoria da atenção psicológica tem-me ajudado muito com meus pacientes, muitos deles passaram de estar à beira de renda por depressão a encontrar trabalho, avançar, ter outra vida.

Maria Antonia: Precisamos de pacientes autônomos, ativos, que colaborem com a sua experiência. E que todo o mundo tenha acesso aos tratamentos inovadores. Os pacientes têm assumido o curso de forma muito satisfatória. Se saíram muito bem.

Qual é o desafio contra a urticária crônica?

Maria Antonia: A esperança, e a investigação, básica para dar uma cura definitiva. E informar os pacientes, que tenham a seu critério, possam reagir à doença, e não se encontram sozinhos, mas revestidos.

Dra Serra: o desafio é O controle total da doença, até que possamos curá-la; e a formação do paciente, que as famílias vejam que as coisas mudam, por isso o curso é uma iniciativa maravilhosa. O desafio já não é tão desafio, porque a esperança estamos no caminho de afianzarla.

Sandra Rosa: A intervenção psicológica não cura a urticária; o desafio é acompanhar o paciente para que conviva com ela e melhore sua qualidade de vida, formar e informar o paciente, mas também a população para reduzir a estigmatização. E tentar fazer com que o paciente veja que existe um caminho além da vergonha, frustração ou raiva, para evitar quadros psicopatológicos de fobia, ansiedade ou depressão.

(1 votos, média: 4,00 out of 5)
Loading…

Leave a Reply