Psoríase, muito mais do que uma crosta de

A psoríase é uma doença que afeta a 2,3% da população. Muitas vezes, os sintomas dermatológicos acompanhados de outras doenças que dificultam o dia-a-dia dos pacientes. Oferecemos os resultados de uma pesquisa de Ação Psoríase e o testemunho de um paciente

Efeito da psoríase, uma doença autoimune, em que o braço de uma mulher/Foto fornecida por Ação Psoríase

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A psoríase é uma doença inflamatória da pele de origem auto-imune que produz lesões cutâneas que podem ir acompañaras de outra série de comorbidades. De acordo com a OMS, trata-se de uma “doença crônica, não contagiosa, dolorosa, desfigurante e incapacitante para a qual não há cura”.

Muitas vezes, os sintomas dermatológicos acompanhados de outras doenças que dificultam o dia-a-dia. Com motivo de conhecer o impacto que esta doença na qualidade de vida dos pacientes e de aprofundar estas comorbidades, a associação de pacientes Ação Psoríase apresentou os resultados da pesquisa IMPAS, um estudo levado a cabo entre 1.209 pacientes de toda a Espanha, em colaboração com a companhia biofarmacêutica AbbVie.

De acordo com os resultados da pesquisa, 85% dos pacientes entrevistados tinha alguma doença associada à psoríase, tendo aparecido a maioria delas após o diagnóstico da mesma. Entre as mais freqüentes, destacam-se a artrite psoriática (31%), o excesso de peso (30%), ansiedade (26%), a hipertensão (15%), depressão (10%), problemas cardiovasculares (5%), diabetes (3%) e doença renal (3%).

O processo inflamatório da psoríase pode ser o responsável pela aparição de muitas de suas morbilidades associadas. “O paciente deve saber que se trata de uma doença crônica que vai estar presente o resto de sua vida e que seu impacto é global”, afirma Santiago Alfonso, diretor de Ação Psoríase.

O questionário DLQI, que permite medir o índice de qualidade de vida de pacientes com problemas dermatológicos, mostram que em Portugal a psoríase afeta de forma grave ou muito grave a qualidade de vida do 22,7% dos doentes que dela padecem.

Além disso, reflete que estes pacientes apresentam uma maior incidência em a maioria de comorbidades associadas com relação ao global de pacientes com psoríase entrevistados: depressão (52%), ansiedade (39%), doença hepática (35%), osteoporose (28%), sobrepeso (27%), artrite psoriática (21%).

“A explicação destas associações pode basear-se no perfil genético, assim como no componente inflamatório que envolve a doença e que causa a resistência à insulina”, diz o dr. Miquel Ribeira, dermatologista do Hospital Parc Taulí de Sabadell.

Por isso, destaca-se a importância de que os especialistas estejam cientes de que a psoríase é mais do que uma afecção cutânea, e que pode desencadear outras doenças menos visíveis que dificultam enormemente o dia-a-dia do paciente.

A importância de uma abordagem ao tempo é fundamental para a evolução da doença. “A detecção precoce e o tratamento adequado é importante, uma vez que pode permitir prevenir sua evolução para estágios mais graves, por isso que o manejo do paciente com psoríase deve ser vista a partir de um ponto de vista integral”, adverte o dr. Paulo da Caverna, chefe do serviço de Dermatologia do Hospital Infanta Leonor.

De acordo com IMPAS, em 20% dos pacientes não seguem nenhum tratamento para a psoríase. Dentro dos pacientes com psoríase moderada-severa, 17% falta de tratamento, 51% tem tratamento tópico e 4% recebe fototerapia.

Psoríase, após os dados

A psoríase é uma doença que não só produz conseqüências físicas, mas que também tem um grande impacto psicológico no paciente.

Não obstante, Irene Escrivão, paciente com esta doença que tem passado através dos microfones de nosso programa de rádio, “O Bisturi”, considera que, embora o seu dia-a-dia seja mais complicado, aceitar a doença e se adaptar ao tratamento ajuda a levá-la de uma forma muito mais positiva.

“Quando você começa a aceitar que é uma doença crônica, de longa duração, e que o que se pode tentar fazer é segurá-la para ter uma vida o mais normal possível, a coisa melhora”, diz.

Afirma que tentam normalizarlo o máximo possível, mas às vezes é difícil. “Vivemos momentos distintos na nossa doença, mas normalmente temos placas na pele, visíveis ou não, nas articulações… E às vezes é bastante complicado se adaptar a acordar de manhã, olhar no espelho e ver que seu rosto é uma pura concha”.

Irene acredita que, embora a sociedade continua a ter um pequeno conhecimento da doença, as associações e os meios de comunicação estão tentando dar a conhecer em que consiste e transmitir que não se trata de algo contagioso para que a imagem não fique na superfície. “Essa pessoa tem sentimentos como todos os outros.”

Com esse objetivo, a associação Ação Psoríase foram realizadas campanhas informativas. “Temos Nos envolvido para que se aproximem, nos vejam e tentem saber o que é a doença”, dizem desde a organização.

Além disso, esta informação também é a chave para capacitar o paciente, já que, segundo Ela, “não pode ser obtido na consulta no momento do diagnóstico, devido à situação de saúde”.

Por isso, considera que é necessário que se movilicen, que se relacionem com outros pacientes, que tentem conhecer todos os tratamentos que existem, que eles saibam que podem acessá-los e começar outras linhas, se falharem as primeiras… “Que saibam que está investigando -os biosimilares vão permitir que muitos pacientes possam ter acesso a essa terapia-, e esperamos que cada vez haja mais possibilidades”.

Não obstante, a crise também afetou a abordagem da psoríase. “Os tratamentos biológicos são muito caros e por isso há que priorizar, de alguma forma, os casos em que se podem prescrever”.

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