Que a artrite não te deixar sem força

Articulações dormentes e doridas, uma realidade com a qual convivem diariamente os pacientes de artrite; um reumatólogo falou com EFEsalud sobre as principais características de doença crônica, o Dia Nacional desta doença, que afeta mais de 250.000 pessoas em Portugal

Rigidez nas mãos. EFE/Iván Franco

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Hoje se celebra o Dia Nacional da Artrite, por este motivo a Coordenadora Nacional de Artrite (ConArtritis) elaborou um ‘Decálogo de direitos e deveres dos doentes’ e oferecerá jornadas informativas em 27 cidades espanholas durante todo outubro, considerado o mês da artrite. Além disso, foi convocado uma sessão de tai chi, aberta a todo o tipo de participantes, dos direitos dos pacientes de artrite no Retiro.Esta doença crónica produz a inflamação de qualquer das articulações espalhadas pelo corpo humano. Existem diferentes tipos de artrite e a causa pode ser de origem infecciosa ou imunológico, aponta Angel María García Aparicio, reumatólogo do Hospital nossa Senhora da Saúde de Toledo e presidente da Sociedade Castellano-Manchega de Reumatologia.

Como afeta a artrite?

Quando a causa é infecciosa das doenças que podem afetar qualquer idade, no entanto, quando se trata de doenças do sistema imune encontramos dois grandes grupos de artrite, reumatóide e espondilite. Em Portugal os afetados por estas doenças somam mais de 250.000.

Embora possa aparecer em qualquer idade, a artrite reumatóide, que afeta entre 0,5% e 1% da população espanhola, se dá sobretudo em mulheres, em torno dos 50 anos e costuma afetar as articulações das mãos, pés e joelhos.

A espondilite afeta quase igual para ambos os sexos, e aparece, geralmente, em crianças com menos de 45. Embora existam diferentes formas, normalmente produz uma dor lombar inflamatória das articulações sacroilíacas na pelve. Em crianças é dada a artrite idiopática juvenil até os 16 anos de idade e afeta a coluna e normalmente as mãos e os joelhos.

O médico indica que a dor da articulação é o primeiro sintoma de artrite, assim como inchaço, dormência e “vai geralmente associada a uma limitação funcional”; por exemplo, no caso das mãos ocorre perda de força ou mobilidade; no caso dos membros inferiores, como os pés, joelho, quadril ou tornozelo, se manca. E acrescenta: “às vezes, há um aumento da temperatura de diferentes articulações”.

A importância de um diagnóstico precoce

O especialista indica que, embora o acompanhamento da artrite é a longo prazo, os tratamentos não têm por que ser para toda a vida e acrescenta, “há mesmo formas que remetem ao iniciar um tratamento de forma precoce”.

O médico explica que esse tipo de doença não se cura, mas controla-se e “com um tratamento adequado, fazem uma vida completamente normal”. Para estabelecer um tratamento eficaz, o médico diz que é fundamental que o paciente seja encaminhado o mais rápido possível a uma consulta de um especialista em reumatologia e que receba um diagnóstico precoce.

Além disso, o nível de incapacidade que a atritis gera depende tanto da articulação afectada, como do número de articulações. Garcia Aparicio afirma que, graças aos novos tratamentos disponíveis se consegue devolver ao paciente a sua atividade habitual no menor tempo possível.

Tratamento

O médico expõe que quando se trata de doenças inflamatórias, o principal é remover a inflamação e indica que o uso de medicamentos tradicionais e biológicos foi suposto “chegar quase a cura”.

Uma vez que você passa da fase aguda e não há inchaço na articulação, é aconselhável fazer exercício físico de forma regular e nos casos adequados, recorrer à reabilitação, mas sempre de forma complementar.

Além de manter hábitos saudáveis, como ter uma dieta equilibrada e fazer exercício, Aparicio Garcia sustenta que não fumar é fundamental e avisa: “é sabido que o tabaco não somente atua como fator preditor da ocorrência de artrite, mas como fator de mau prognóstico”. O especialista é contundente ao afirmar que há evidências que demonstram que a doença é mais agressiva em pacientes fumantes.

Como Se pode operar a artrite?

O reumatólogo indica que “a cirurgia é complementar ao tratamento médico”, quando este não tem o sucesso necessário e a articulação se deteriora, recorre-se à cirurgia para colocar uma prótese ou “fazer uma reconstrução de uma articulação que já não é funcional”.

Devido ao uso dos medicamentos biológicos e ao estabelecimento de tratamentos intensivos, o número de próteses que se colocam por devido ao desgaste da articulação foi reduzido de forma significativa, ressalta o especialista. “Hoje em dia se opera muito menos os pacientes reumáticas com artrite do que se fazia há vinte anos”, conclui.

Preocupados com o futuro

“Os pacientes de artrite nos assiste uma série de direitos que não podemos deixar perder, e apesar dos momentos difíceis que estamos a viver em Portugal. Exemplos como o co-pagamento ou os cortes nos recursos de saúde nos afetam de forma direta e temos que estar totalmente informados como pacientes de que direitos temos para saber quando e como reclamá-los”, explica Marisa Bailado, vice-presidente e porta-voz de ConArtritis.

Os cortes na saúde geraram o descontentamento de muitos dos que sofrem desta doença. De acordo com dados fornecidos pelo ConArtritis, 84% dos pacientes de artrite reumatóide considera que os últimos cortes no sistema de saúde estão afetando o tratamento de sua doença e 78% está dificultadas para aceder a tratamentos de astritis.

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