Radioterapia de partículas pesadas, atacar o tumor de mama sem bisturi

Um centro nipônico, começou a realizar pela primeira vez ensaios clínicos para tratar o cancro de peito com irradiação de partículas pesadas, método usado para outros tipos de tumor que, no futuro, poderia eliminar o de mama sem necessidade de cirurgia

Sala de tratamento do Instituto Nacional de Ciências Radiológicas do Japão (NIRS)/Foto: NIRS

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

“Acima de tudo, muitas mulheres não queremos submeter nossos seios nenhum bisturi”, disse à Efe a doutora Kumiko Karasawa, diretora de tratamentos do Instituto Nacional de Ciências Radiológicas do Japão (NIRS, por suas siglas em inglês), localizado na província de Chiba, ao nordeste de Tóquio.

Há apenas duas semanas, o centro levou a cabo o primeiro ensaio clínico de história, com raios de íons de carbono para tratar um tumor no peito de um paciente.

Tanto no caso de esta como do resto de pacientes que participam a partir de agora, neste programa, a instituição realizará um acompanhamento de sua evolução, durante pouco mais de 5 anos, precisou Karasawa.

Para realizar o ensaio, o NIRS empregou o seu acelerador médico de íons pesados (HIMAC, em inglês), que foi a primeira máquina fabricada no mundo quando foi inaugurado em 1994.

No total, mais de 7.300 pacientes de todo o mundo passaram desde então a terapias radiológicas com o HIMAC para tratar diferentes tipos de tumores.

A vantagem deste tipo de tratamento é que é pouco agressivo ao irradiar a superfície do corpo e que, em seguida, ganha em intensidade ao atingir o tumor de uma maneira muito mais precisa e localizada, ao contrário de outros tipos de radioterapia, que são mais prejudiciais para os tecidos que cercam o tumor.

Atualmente, este sistema, pelo qual o paciente deve esperar um bom tempo deitado até que o feixe é calibrado com total precisão antes de ser aplicado durante apenas um ou dois minutos, é usado para tratar tumores ósseos, nos tecidos moles, no pulmão, no fígado, na cabeça, no pescoço ou na próstata.

Até agora, lembrou Karasawa, na hora de investigar os efeitos da terapia de íons pesados, o câncer de mama teve menos prioridade do que outras variantes, já que existem várias alternativas para tratá-lo, e o carcinoma tende a estender-se menos no peito, na sua fase inicial, quando se apresenta em outras áreas do corpo.

Embora todas elas receberão o tratamento de forma gratuita, um tratamento corrente com partículas pesadas, não é barato.

E é que, além da grande quantidade de terreno que se requer para a construção de um acelerador de partículas, “a principal desvantagem deste tipo de radioterapia é o caro é para levantar e manter as instalações e serviços”, explicou Karasawa.

O HIMAT custou 33.000 milhões de ienes (mais de 260 milhões de euros) e a sua construção levou dez anos, mas, desde então, as instalações foram renovadas e o centro acaba de estrear as suas novas e de ponta salas de tratamento.

Em qualquer caso, não é de estranhar que só existam sete aceleradores médicos de íons de carbono como o HIMAT em todo o mundo, quatro dos quais estão no Japão (e também o NIRS, existem outros três na província de Saga, Gunma e Hyogo).

Os outros três encontram-se em Heidelberg (Alemanha), Pavia (Itália) e Lanzhou (China).

“No entanto, desde que foi construído o HIMAT, tanto os custos como o tamanho das máquinas foram reduzidas”, disse a doutora Karasawa, antes de explicar que, por exemplo, o acelerador de partículas da Universidade de Gunma abrange menos um terço de superfície, e que por isso custou um terço a menos.

Além disso, no Japão, China, Taiwan e Coreia do Sul já estão construindo novas unidades, do mesmo modo que, na Europa, quatro já estão planejadas ou em construção: dois nas cidades alemãs de Munique e Hamburgo, um em Lyon (França) e outro ao sul de Viena (Áustria).

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