Raio-x da medicina, do prisma cubano

A Cuba não volta. No entanto, é muito consciente de bom e de ruim que tem no seu país, quanto ao sistema de saúde se refere. Esta é a história de Alina Veitia, que está na Espanha, especializando-se como radióloga no Hospital Universitário 12 de Outubro

já está estudando sua segunda especialidade, radiologia, no Hospital Universitário 12 de Outubro

Segunda-feira 03.09.2018

Terça-feira 28.08.2018

Sexta-feira 31.08.2018

Com mais de 40 anos, da argentina, Alina Veitia está a ponto de concluir sua segunda especialização, a primeira em Portugal, país que a recebeu com os braços abertos, e do que se quer levar a experiência profissional, mas também a entrega com que trabalham os seus médicos.

  • Qual é a especialidade que está fazendo?

No momento estou fazendo radiodiagnóstico, mas também tenho a de hematologia.

  • Em que consiste seu trabalho?

Tudo o que diz respeito à imagem usando raios como ressonância magnética e ultra-som, também os programas de acordo com a modalidade de imagem que se fez e, em seguida, os interpretamos nós.

  • Onde é que estão as pesquisas?

Estou no quarto ano da residência, que é o último. O que eu faço é interpretar imagens, realizar estudos.

  • Por que escolheu Portugal para se especializar?

Não vim diretamente de Cuba, antes estava no Chile. Estive sete anos lá e tentei por várias vias defender o meu título de hematóloga. Isso não foi possível por uma questão de incompatibilidade de programa e decidi que ia fazer uma especialidade que fosse um pouco mais universal.

Portugal dá-lhe muitas possibilidades de ingresso, se você fizer um bom exame de entrada; além disso, não estabelece limite de idade para a formação. Para mim isso era um requisito importantíssimo, porque, na América Latina se estabelecem muitos limites.

Este país oferece muitas bolsas de estudo, formação remunerada e é um dos programas mais amplos em língua espanhola. Eu sei que os Estados Unidos também não tem esses limites, mas para mim isso já implicava outras barreiras a superar.

  • Você é muito diferente da forma em que trabalham aqui do que no seu país?

O sistema público de saúde português trabalha de forma bastante semelhante ao de Cuba. Isso sim, com muitos mais recursos e facilidades para todos, mas, basicamente, a abordagem é semelhante. O sistema chileno é um tanto diferente, é muito mais pobre, com altíssimos recursos profissionais, mas mais pobre.

  • Como você vê a medicina em seu país para o futuro?

O meu país vai sofrendo uma deterioração, infelizmente. Teve um período muito bom, especialmente em temas de políticas de saúde de grande cobertura. Eu acho que sempre tivemos limitações de recursos por causas diversas, mas com conquistas importantes.

Agora se foi respeitado o tempo de formação de pós-graduação, foi entregue a formação de graduação a equipe que faz atenção primária, não a gente formada especificamente dentro das ciências básicas e eu acho que isso repercute na qualidade final do profissional que forma.

  • Qual tem sido a principal vantagem de estudar no estrangeiro?

Aqui se juntam a excelência profissional e, até agora, não sei como vão mudar as coisas, mas há uma disponibilidade de recursos muito boa, além disso, tudo é feito pensando no bem-estar do paciente.

  • Qual foi o maior ensinamento que teve por parte dos médicos espanhóis?

É gente que trabalha muito abnegadamente. Se os compara com o resto dos médicos da Europa, talvez não sejam os mais bem pagos, mas fazem o trabalho com uma dedicação imensa, e isso é muito bom ensino.

Em seguida, têm muito bom nível científico, ético e se mantém muito boas relações interpessoais.

  • Como tem sido a experiência de trabalhar tão longe de casa?

Há sempre uma nostalgia por temas, não só de índole pessoal, mas também profissional. O desejo de ter a mesma disponibilidade de recursos. Quando penso em meus professores e colegas de geração, não há grandes diferenças negativas, mas, sim, há falta de recursos, pensa que gostaria que existissem no seu país.

  • O que tem planos para quando voltar para a sua terra?

Eu não regresso a Cuba, eu retorno ao Chile. É meu atual site de retorno.

  • Quem a está esperando no seu país?

Meu marido, que tem seu emprego fixo lá (no Chile).

  • Fora da medicina, o que é que mais gosta no Brasil?

A quantidade de opções culturais, a história longuíssima do país e tem uma gastronomia espetacular. A riqueza, a diversidade cultural são impressionantes.

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