Ratos com doença de parkinson ganham a mobilidade com técnicas de reprogramação genética

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A descrição desta técnica e as suas conclusões foram publicadas na revista Nature Biotechnology, em um artigo que lideram pesquisadores do Instituto Karolinska, de Estocolmo (Suécia).

A doença de parkinson é um distúrbio do movimento, caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios cinco anos mais tarde. Alguns de seus sintomas são tremor de mãos, braços ou pernas, rigidez e lentidão dos movimentos, e estima-se que em Portugal, apesar de cerca de 150.000 pessoas em todo o mundo, cerca de 6,3 milhões de pessoas, segundo dados fornecidos pela Sociedade Espanhola de Neurologia).

Uma doença que não se cura

No momento, não existem tratamentos para curar esta doença, mas sim medicamentos para aliviar os sintomas ou capazes de recarregar as pilhas com dopamina para suprir a falta de neurônios cinco anos mais tarde, que, no entanto, continuam a morrer, assim que nenhum dos tratamentos mudar o curso dessa patologia, explicou à Efe Ernest Areias, do Instituto Karolinska, que lidera este trabalho.

A comunidade científica leva décadas investigando como gerar, em laboratório, neurônios cinco anos mais tarde, com o objetivo de ser posteriormente transplantadas, a partir, por exemplo, de células-tronco.

A equipe de Areia vai agora um passo mais além: manipular um tipo de células nervosas com técnicas de reprogramação genética e convertê-las em células capazes de secretar dopamina, e tudo diretamente no cérebro do animal, sem necessidade de transplantes.

Em concreto, os pesquisadores conseguiram reprogramar adulto, um tipo de células do cérebro que, entre suas funções, está a de fornecer apoio à neurônios e eliminar tóxicos.

Os experimentos foram feitos primeiro em culturas celulares de astrócitos e, em seguida, em modelos de mouse com doença de Parkinson.

Para reprogramar os astrócitos, os cientistas utilizaram um vírus -lentivirus – que injetaram no cérebro dos ratos, a modo de ‘transferência’ para poder introduzir quatro genes combinados com certas moléculas pequenas são capazes de reprogramar os astrócitos e convertê-los em neurônios cinco anos mais tarde.

Entre duas e cinco semanas depois de introduzir no cérebro dos ratos, este lentivirus com sua “carga genética’, esses animais com doença de parkinson recuperaram a sua função motora, “não toda, mas na parte”, sublinha o investigador português, que acrescenta: “recuperaram sua assimetria postural, melhoraram sua locomoção e mobilidade”.

“É a primeira vez que, com este tipo de reprogramação celular se consegue uma mudança a nível de comportamento do animal”, resume.

Muito por fazer até chegar aos humanos

Areias diz que é um passo importante, mas ainda resta muito trabalho a fazer antes de tentar estas técnicas com humanos: o primeiro era mostrar que a técnica era possível e o fizemos.

Entre as questões a resolver é, por exemplo, a melhoria da qualidade de novos neurônios cinco anos mais tarde que se criam a partir de características clínicas: as células mudam de forma muito clara para os neurônios capazes de secretar dopamina, mas não cem por cento”, explica o pesquisador do Karolinska.

Para Areias, melhorar a qualidade de neurônios cinco anos mais tarde seria melhorar em suma, o tratamento contra a doença de parkinson.

Também, os cientistas devem usar vírus que proporcionem maior segurança e garantir que os genes de reprogramação são expressos somente em astrócitos e não outras células.

Além do Karolinska, assinam este estudo, cientistas da Universidade de Viena, da Universidade de Stanford (Califórnia) e Instituto de Investigação Biomédica de Málaga.

Dados e números no Dia Mundial do Parkinson

A Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN) atualizou seus dados sobre esta doença no seu Dia Mundial, 11 de abril

A Cada ano são diagnosticados cerca de 10.000 novos casos de Parkinson, 1.500 em pacientes com menos de 45 anos

  • Entre 120.000 e 150.000 pessoas em Portugal sofrem com esta doença.
  • 2% dos maiores de 65 anos e 4% dos maiores de 85 anos sofrem de Parkinson em Portugal.
  • Um paciente com Parkinson pode desenvolver, entre 5 e 10 anos antes do início dos sintomas motores, muitas doenças não relacionadas com a motricidade.
  • Os sintomas não motores podem ser ainda mais incapacitantes do que os sintomas motores, tão característicos desta doença.
  • A depressão pode ser a primeira manifestação do mal de Parkinson em um grande número de pacientes.
  • Os pacientes com Parkinson demoram, em média, entre 1 e 3 anos para obter um diagnóstico.
  • Até 25% dos pacientes diagnosticados têm, na verdade, uma outra doença.
  • Em 30-40% dos casos, os pacientes não apresentam tremor.

As explicações de um especialista

A manifestação clínica mais comum da Doença de Parkinson é a dificuldade para o início e a realização de movimentos voluntários.

No entanto, um paciente com doença de parkinson pode desenvolver, entre 5 e 10 anos antes do início dos sintomas motores, muitas doenças não relacionadas com a motricidade”, explica o doutor Javier Pagonabarraga Mora, Coordenador do Grupo de Estudo de Distúrbios do Movimento da Sociedade Espanhola de Neurologia.

“Em um grande número de pacientes, a depressão pode ser a primeira manifestação, mas também pode mostrar-se com problemas de memória, perda de olfato, prisão de ventre, distúrbios do trato urinário, disfunção sexual, distúrbios do sono, etc”, acrescenta o especialista.

“O diagnóstico é feito pelas manifestações clínicas e não é difícil quando estamos diante de um quadro de tremor. No entanto, tendo em conta que em 30-40% dos casos, os pacientes não apresentam tremor, que não dispõem de marcadores biológicos e que as técnicas de neuroimagem funcional nem sempre ajudam a diferenciar esta doença de outras que cursam com distúrbios do movimento ou tremor, tão características desta patologia, faz com que, apesar de que foi melhorado muito nos últimos anos, a descoberta do mal de Parkinson siga sendo tardia”, diz o doutor Pagonabarraga.

“É importante detectar a doença a tempo, porque existe um período em que a resposta ao tratamento farmacológico é excelente. Uma vez que dispomos de um número considerável de tratamentos que conseguem melhorar os sintomas da doença, tanto para o controle dos sintomas motores como para os não-motores –que às vezes são até mesmo mais incapacitantes – pode-se melhorar a qualidade de vida dos pacientes durante vários anos”, explica.

Dentro dos sintomas não motores, a dor (presente em 60% dos pacientes), a fadiga (50%), psicose (50%), a sonolência excessiva durante o dia (entre 12% e 84% dos pacientes) ou insônia (55%), são os mais frequentes. Mas também outros como o distúrbio comportamental do sono REM (entre 46% e 58% dos casos), condutas impulsivas e compulsivas (13-25%) ou declínio cognitivo leve (30%).

Esta variedade de sintomas faz com que o tratamento deve ser personalizado, atendendo às situações de cada paciente. Por outro lado, também deve ser multidisciplinar, dependendo da progressão da doença e apoiado por terapias não farmacológicas.

Neste sentido, são inúmeros os estudos que avaliam o benefício do exercício físico em pacientes com doença de Parkinson durante todos os estágios da doença e também que a terapia ocupacional é útil para a melhoria das atividades de vida diária, reduzindo os custos de cuidados relacionados com a saúde e a institucionalização. A dia de hoje, o custo da Doença de Parkinson na Europa se aproxima dos 11 bilhões de euros anuais.

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