RD do Congo enfrenta o segundo surto em um ano

A República Democrática do Congo (RDC) começou hoje o lançamento médico para enfrentar o segundo surto de ebola em um ano, declarou ontem em Mangina, uma cidade do nordeste do país, perto da fronteira com Uganda.

Uma fotografia fornecidas por UNICEF de um médico do Hospital Bikoro onde se trata de pacientes suspeitos de ebola.EFE/ Mark Naftalin / Unicef Handout

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Apenas oito dias depois de o ministro congolês da Saúde, Oly Ilunga, ter anunciado o fim do surto de ebola na província de Equador (noroeste), teve que depor nesta quarta-feira um novo na província de Kivu do Norte, uma das mais afetadas pelos conflitos no país.

“Não esperávamos ter que lidar com a décima maior epidemia da história do país) assim, a detecção do vírus é um indicador do bom funcionamento do sistema de controle estabelecido”, disse o ministro, ao acrescentar que não há indicação de que os dois brotos estiverem vinculados.

Uma equipe de doze especialistas do Ministério da Saúde rdc, composto por técnicos de laboratório, epidemiólogos, psicólogos clínicos e médicos, chegou hoje a área para começar a fazer frente à epidemia e começar a instalar laboratórios móveis.

“O cérebro é uma ameaça constante na RDC”, disse, após o anúncio oficial, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhananom Ghebreyesus, em sua conta no Twitter, ao lembrar que esta doença é endêmica no mesmo país que a viu nascer, em 1976.

Tedros assegurou que “pelejarão contra este (surto), como fizeram com o anterior”, e que já começaram a mobilizar pessoal e suprimentos para a área afetada.

Casos de ebola

Até o momento, foram contabilizados 26 casos de febre hemorrágica e 20 mortes, mas que só puderam analisar seis amostras, das quais quatro resultaram positivas por ebola, de acordo com os dados do Governo.

Os casos, no entanto, podem remontar até o mês de abril, quando o centro de saúde de Mangina começou a atender os primeiros doentes de uma “doença desconhecida”.

“No início, pensamos que era coisa de feitiçaria, mas no decorrer do tempo, vimos que era uma doença que tinha dois fatores em comum: sangramento nasal, vômitos, febre”, declarou o médico Alain Musondolya, antes de o Governo ter anunciado a doença, o portal de notícias Actualité.

Após a confirmação de que se trata de um surto de ebola, os alarmes dispararam na região, que já sofre muitos movimentos de pessoas pela violência de diferentes grupos armados.

“Efetivamente, a população começou a fugir não só em Uganda, mas também a outros territórios vizinhos”, disse hoje à Efe o porta-voz do governador regional, Hope Sabini, que pediu para que se tomem medidas para limitar os movimentos de pessoas com o fim de evitar a propagação da doença.

“O Governo não tomou nenhuma medida que seja consistente, é por isso que a gente quer deixar a área e refugiar-se em outros lugares”, lembra Sabini.

Para resolver este surto, que é a primeira vez que se declara em uma área tão oriental da RDC, também vai colaborar com a missão da ONU no país, a Monusco.

“Vamos dar sobre todo assistência logística e, se necessário, também traremos apoio em matéria de segurança”, disse hoje o representante especial adjunto do secretário-geral da ONU, David Gressly, a Actualité.

Ninguém se pronunciou ainda sobre se este novo surto, é usada a vacina experimental rVSV-ZEBOV, comprovada já na Guiné Conacri após a epidemia de 2014-2016 e que tem servido para conter a última epidemia na província do Equador.

No Equador, em que se declarou a epidemia, no passado dia 8 de maio, e ao seu final neste 24 de julho, houve um total de 54 casos totais (38 confirmados e outros 16 prováveis), dos quais 33 pacientes morreram (17 confirmados e 21 sobreviveram.

A comunidade internacional reagiu com júbilo quando chegou ao final daquela epidemia, mas a Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICR) alertou para a necessidade de se preparar para prevenir novos episódios de ebola, endêmico da república democrática do CONGO, devido aos seus ecossistemas de floresta equatorial.

A doença é transmitida por contato direto com sangue e fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, causa hemorragias graves e atinge uma taxa de mortalidade de 90 %.

Seus primeiros sintomas são febre repentina e alta, fraqueza intensa e dor muscular, de cabeça e de garganta, além de vômitos.

A pior epidemia de ebola conhecido declarou em março de 2014, com os primeiros casos que remontam a dezembro de 2013 em Guiné Conacri, de onde se expandiu a Serra Leoa e Libéria.

A OMS marcou o fim dessa epidemia em janeiro de 2016, depois de registrar-se 11.300 mortes e mais de 28.500 casos, mesmo que a agência da ONU admitiu que estes números podem ser conservadoras.

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