Reinvenção do sistema de saúde, com novas tecnologias para uma sociedade “mais justa”

O doutor em medicina colombiano Alejandro Hadade trabalha com as novas tecnologias para criar um novo paradigma e sistema de saúde mais justo”, que supere o atual modelo social e produtivo, já que “ameaça a nossa saúde individual e nossa sobrevivência como coletivo”

RITCHIE B. TONGO

Em uma entrevista com a Efe, Hadade argumenta: “Nós adaptamos um modelo próprio da era industrial para uma sociedade mal chamada de serviços, que já não resolve as nossas necessidades”.

Hadade é membro do conselho consultivo do e-Health Center, criado há mais de meio ano pela espanhola Universitat Oberta de Catalunya, que esta semana lhe concedeu o título de doutor “honoris causa”, para aglutinar o conhecimento que, desde o mundo universitário é gerado no âmbito da saúde on-line.

“Há momentos em que a Humanidade precisa reinventar a forma de trabalhar e viver”, considera o também filósofo.

Assim, para Hadade “não há melhor momento do que agora para criar tecnologias que permitam às pessoas a viver bem apesar de as doenças crônicas graves e fazer com que alcancem um nível de independência que antes não teria sido possível, quando se considerava o paciente apenas como um agente passivo no seu próprio cuidado”.

Hadade, nascido perto de Medellín em 1963 e filho e neto de médicos, criado em 2002, o Centre for Global eHealth Innovation na University Health Network e da Universidade de Toronto, uma rede de pesquisadores que, com as tecnologias da informação e das comunicações (TIC), desenvolvem ferramentas clínicas virtuais para transformar o encontro entre paciente e médico.

Perante a “evidência” de que a saúde do planeta e, portanto, das pessoas, “não se pode delegar somente ao sistema de saúde”, Hadade propõe a “busca de soluções mais globais para criar uma sociedade mais consciente e informada, tranquila e saudável”.

Por isso, desde o centro também utilizam as TIC para responder às “ameaças de saúde pública, como a pobreza, a obesidade e as doenças crônicas complexas”, explica.

Com colaboradores em 94 países, o centro permite conectar-se a pacientes com doenças similares através de uma rede social da saúde, para que se acompanhem os tratamentos.

Este centro também oferece videoconferência para resolver dúvidas sobre diversas doenças e tem o primeiro Laboratório de Saúde Eletrônica do Canadá, destinado ao estudo das inovações de saúde em linha e onde se testam aplicações informáticas para atender os pacientes através da rede.

Um paciente informado e acompanhado “enfrenta melhor a sua doença, a aceita e a luta com resultados mais eficientes”, avalia o especialista.

Também com o objetivo de melhorar a saúde de forma equitativa em todo o mundo, Hadade dirige o Institute for Global Health Equity and Innovation da Universidade do Canadá. A partir deste centro, “se abordam temas como a política e o poder e geram debates sobre temas essenciais que ameaçam a saúde e a sobrevivência do planeta, como a mudança climática, as desigualdades, ou o crescimento das megacidades”.

Sobre saúde, Alexandre Hadade, lamenta que, com os avanços da medicina “acreditamos que podemos curá-lo todo”, e o médico “esqueceu sua função saneadora real, que inclui alívio e consolo”, com o que propõe a “abordar os cuidados paliativos e integrar a morte como parte do processo natural de vida, para viver aceptándola”.

Segundo o especialista, “vivemos em uma sociedade que precisa de cuidados paliativos, e em que os sentimentos, as emoções e os humanos, nós passamos a um segundo plano”.

“O sistema de saúde nos doentes, o educativo é castrador e mata a criatividade, o financeiro nos empobrece e o conceito abstrato do dinheiro nos domina”, lamenta o médico, para quem “chegou o momento de começar a criar uma sociedade menos esclavizante e mais solidária”.

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