Terapia biológica para câncer de ovário avançado

O Sistema Nacional de Saúde já conta com a primeira terapia biológica para o câncer de ovário avançado, que podem se beneficiar 60 por cento de 3.000 mulheres que a cada ano são diagnosticados em Portugal deste tipo de tumor

Os doutores González e Poveda na apresentação desta nova terapia/Foto fornecida pela Roche

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

O medicamento (Bevacizumad), comercializado pela Roche com o nome de Rol, já estava sendo utilizado para o tratamento de outros tumores, como rim, cólon e mama, mas no passado dia 18 de fevereiro, o Ministério da Saúde aprovou o seu uso em câncer de ovário, depois que, em dezembro de 2011 fosse autorizado pela Agência Europeia do Medicamento.

A aprovação das autoridades de saúde vem confirmado pelos resultados de dois ensaios (GOGO2018 e ICON7), o segundo dos quais participou o Grupo Português de Investigação em Cancro do Ovário (GEICO), cujo presidente, o doutor Antonio González, garantiu hoje, em conferência de imprensa que se trata de um “marco histórico”.

Segundo explicou González, chefe do Serviço de Oncologia Médica do MD Anderson Madrid, o tratamento do câncer de ovário não mudou praticamente nada nos últimos 20 anos.

A cirurgia continua a ter um papel essencial, e é importante que seja realizada por um cirurgião experiente que consiga eliminar toda a doença. Em segundo lugar, usa-se a quimioterapia.

O oncologista esclareceu que o panorama mudou quando foi reconhecido que o câncer de ovário não é uma única doença, mas que tem subtipos, e se conseguiram identificar processos biológicos “transcendentes”, como a angiogénese.

Trata-Se do processo através do qual o tumor cria uma rede de vasos sanguíneos que se nutre para continuar a crescer. Nesta progressão, há uma proteína “chave”, o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), que desempenha um papel fundamental na disseminação do tumor.

Segundo declarou o doutor André Poveda, diretor da Área Clínica de Oncologia Ginecológica do Instituto Valenciano de Oncologia, o de pulmão é o tumor que mais expressa essa proteína, o que torna este novo fármaco é bloqueá-lo para impedir o crescimento dos vasos sanguíneos.

“Com a quimio tratávamos os tumores com artilharia pesada e com muitos efeitos colaterais, enquanto que nos tratamentos diana (como o Bevacizumab) a toxicidade é diferente, mas mais seletiva”, salientou o médico Poveda.

Os estudos demonstraram os benefícios de usar combinadas a terapia biológica e a quimioterapia em um primeiro momento e, depois, manter o tratamento só com o antiangiogénico durante um período entre 12 e 15 meses.

Desta forma, consegue-se aumentar a sobrevivência livre de progressão (o tempo em que é controlada a doença) em 5 ou 6 meses em relação ao tratamento tradicional (passa de 10 a 15 e 16 meses), o que significa uma redução dessa progressão de 30 %, indicou o doutor González, que especificou que, quando se aumenta este parâmetro também o faz a sobrevivência global.

Ambos os especialistas coincidem em destacar que as pacientes mais beneficiadas são aquelas de alto risco, isto é, as que têm a doença na fase III (o câncer se espalhou para fora dos ovários) ou IV (afeta outros órgãos).

No subgrupo de pacientes em fase III, em que a cirurgia deixou doença residual, é aquele em que o fármaco é mais eficaz, já que se consegue diminuir a mortalidade em 22 %, indicou o doutor González.

Não existem dados que demonstrem que é eficaz em estádios iniciais I e II (em que o tumor apresenta melhor prognóstico); estas fases só se diagnostica a 25% das mulheres.

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